comelináceas

Família das Monocotiledóneas, constituída, segundo Tutin e Heywood (1964), por ervas anuais ou perenes; com o tronco muitas vezes intumescido nos nós. Folhas alternas, muitas vezes dísticas, inteiras, com bainha basal algo membranosa. Flores hermafroditas, em cimeiras terminais ou axilares, muitas vezes envolvidas, intimamente, por uma ou duas brácteas grandes, semelhantes a folhas. Perianto com 6 elementos, os 3 mais exteriores sepaloides, os 3 mais interiores petaloides, geralmente temporários. Estames 6, dos quais 3 são, algumas vezes, reduzidos a estaminoides. Ovário superior, 3-locular, com estilete simples e em forma de cabeça ou aproximadamente. Estigma 3-lobado. Fruto cápsula loculicial; sementes poucas, marcadas por uma pequena calosidade indicando a posição do embrião.

Desta família são conhecidas para os Açores as espécies Tradescancia multiflora (= Tripogandra multiflora, segundo Tutin e Heywood, 1964), conhecida por erva-da-fortuna, e T. fluminensis, subespontânea em S. Miguel e na Terceira (Palhinha, 1966).

Segundo Tutin e Heywood (1964), T. multiflora é uma planta de tronco prostrado perene, criando raízes nos nós; com ramos florescentes erectos, até 80 cm; folhas 3 – 9 cm, ovadas, agudas, muito suculentas, glabras ou hirsutas; pedicelos 2 – 4 mm; sépalas 2 – 4 mm, ovadas, glabras ou hirsutas; pétalas 2 – 4 mm, ovadas, brancas ou rosa; filamentos dos estames mais longos hirsutos.

Natural da América Tropical, encontra-se extensamente naturalizada nos Açores (Tutin e Heywood, 1964), onde ocorre na Terceira, no Faial e nas Flores, subespontânea, constituindo uma verdadeira praga nesta última ilha (Palhinha, 1966). Inicia a floração em Fevereiro.

Segundo Tutin e Heywood (1964), em T. fluminensis os troncos são prostrados, criando raízes nos nós; folhas 3 – 6 cm, largamente ovadas, agudas, muito suculentas, usualmente purpúreas por baixo, glabras excepto pela presença de alguns cílios na abertura da bainha; cimeiras pouco floridas; pedicelos 1 – 2 cm, finos; sépalas até 9 mm, lanceoladas, glabras excepto em direcção à nervura central pubescente; pétalas até 12 mm, estreitamente ovadas, brancas ou lilás pálido.

Naturalizada em lugares sombrios (Tutin e Heywood, 1964) ocorre subespontânea em S. Miguel e na Terceira (Palhinha, 1966). Luís M. Arruda (2002)

Bibl. Tutin, T. G. e Heywood, D. H. (eds.) (1964), Flora Europaea. Cambridge University Press, 5: 116-117.