Coliseu Micaelense

Nos princípios de 1912, iniciaram-se as escavações para a construção do Coliseu Avenida, iniciativa da Empresa Coliseu Avenida, Lda. Em 1915, surgiram grandes dificuldades financeiras, a empresa dissolveu-se e transformou-se em SARL. Ultrapassadas as dificuldades, as obras prosseguiram e o edifício foi inaugurado a 10 de Maio de 1917. Uma obra grandiosa, tendo em conta o meio em que se inseria, com capacidade para mais de três mil pessoas, distribuídas pela plateia e duas ordens de camarotes; um palco com 10 metros de boca, 16 de profundidade e 24 de altura. A sala polivalente permitia a exibição de circo, espectáculos de variedades e cinema. O pano da boca de cena foi pintado por Domingos Rebelo e as figuras de alto relevo que decoram o palco são da autoria de Canto da Maia. Na II Guerra Mundial serviu de sede a uma companhia da polícia militar e nessa altura foi adquirido por Augusto Athayde que o vendeu posteriormente aos *Carregadores Açorianos/Sociedade Teatro Micaelense. Feitas obras de restauro, reabriu a 8 de Novembro de 1950. Passou então a designar-se Coliseu Micaelense. A sala manteve a estrutura polivalente, continuando a projectar cinema, a exibir teatro, de companhias locais ou do continente, e, mais esporadicamente, circo e espectáculos musicais. Nos anos 60, a pista de circo, que era em terra batida, foi substituída por betão. Os bailes são uma tradição do Coliseu. Iniciaram-se nos finais dos anos 30, sofreram uma interrupção no período da II Guerra, mas voltaram a reanimar a sala até ao presente. No Coliseu também se realizaram as festas do Natal do Gaiato e um programa açoriano de variedades, de Victor Cruz, que alcançou grande sucesso nos anos 70. Pela sala do Coliseu passaram artistas nacionais conhecidos como Amália Rodrigues, Francisco José, Duo Ouro Negro, etc. Com o início da televisão nos Açores, o Coliseu deixou de projectar cinema e foi gradualmente entrando em decadência. Carlos Enes (2002)