coleópteros estafilinídeos

Insectos coleópteros incluídos na superfamília dos Staphylinoidea (Lawrence e Newton, 1995). Os indivíduos deste grupo são normalmente de dimensões pequenas a médias, podendo contudo, algumas espécies atingir mais de 30 mm de comprimento (e.g., Ocypus olens). A coloração destes insectos é quase sempre escura. No entanto alguns grupos, exibem cores aposemáticas vivas (e.g., Paederinae) e outros, cores metalizadas. A maioria dos estafilinídeos são predadores, vivendo na superfície do solo e na manta morta onde se alimentam de numerosos invertebrados, desde nemátodes a ácaros até larvas e adultos de insectos. Muitas espécies são ainda saprófagas e micófagas. Um grande número de estafilinídeos ocorre em microhabitats relacionados com o solo nomeadamente excrementos e cadáveres, ninhos e tocas de invertebrados e vertebrados e nas margens de charcos, lagos e cursos de água. Muitas espécies colonizaram ainda o domínio hipógeo. Os adultos depositam os ovos nos locais onde vivem e o desenvolvimento das larvas é relativamente rápido. Os adultos são bastas vezes atraídos às luzes artificiais. O corpo é achatado dorso-ventralmente e muito alongado, sendo a cabeça quase sempre prognata, por vezes hipognata. Estes coleópteros são facilmente reconhecíveis pelos seus élitros curtos e truncados, deixando mais de metade da região dorsal do abdómen a descoberto. Este é muito flexível e quando o animal se desloca ou se sente ameaçado eleva o mesmo, chegando em situações extremas a segregar substâncias tóxicas através das glândulas pigidiais. As asas posteriores são normalmente bem desenvolvidas, ficando dobradas sob os curtos élitros quando em repouso. Na cabeça destacam-se as mandíbulas longas, delgadas e acuminadas. As antenas vão de filiformes a ligeiramente clavadas e a fórmula tarsal é muito variável, podendo os segmentos tarsais de todas as patas ser em número de 5, 4 ou 3.

Esta família de coleópteros é uma das mais diversificadas desta ordem, sendo conhecidas mais de 32.000 espécies a nível mundial (Newton, 1990) e cerca de 1.600 só na Península Ibérica (Domínguez e Hidalgo, 1985). Nos Açores é a família de coleópteros melhor representada, com 121 espécies registadas, das quais apenas 9 são endémicas (Phloeonomus azoricus, Xantholinus longiventris miguelensis, Aleochara freyi, Geostiba melanocephala, Atheta caprariensis, Atheta dryochares, Atheta azorica, Atheta aptera e Phytosus schatzmayeri) (Borges, 1990). Os géneros Atheta (21 espécies) e Philonthus (10 espécies) destacam-se dos restantes pelo maior número de espécies conhecidas neste arquipélago. Para mais dados sobre a distribuição e biogeografia destes coleópteros nos Açores, consultar Borges (1992). Artur Serrano (Ago.2001)

Bibl. Borges, P.A.V. (1990), A Checklist of the Coleoptera from the Azores with some Systematic and Biogeographic comments. Boletim do Museu Municipal do Funchal, 42, 220: 87-136. Id. (1992), Biogeography of the Azorean Coleoptera. Ibid., 44, 237: 5-76. Domínguez, R. O. e Hidalgo, P. G. (1985), Claves para la Identificacion de la Fauna Española, 10: Las familias y géneros de los estafilínidos de la Península Ibérica. Madrid, Universidad Complutense, Cátedra de Entomologia. Lawrence, J. F. e Newton, A. F. (1995), Families and subfamilies of Coleoptera (with selected genera, notes, references and data on family-group names) In Pakaluk, J. e Slipinski, S.A. (eds.), Phylogeny and Classification of Coleoptera. Varsóvia: 779-1006.