coleópteros crisomelídeos

Insectos coleópteros maioritariamente fitófagos incluídos na grande superfamília dos Chrysomeloidea (Lawrence e Newton, 1995). Os indivíduos desta família são normalmente de dimensões pequenas a médias, podendo algumas espécies atingir mais de 20 mm de comprimento (e.g., Coraliomela aenoplagiata). Os adultos depositam os ovos sobre uma grande variedade de espécies vegetais nomeadamente as fanerogâmicas (excepcionalmente sobre musgos e fetos). Quer as larvas (com algumas excepções), quer os adultos alimentam-se do parênquima foliar e devido a esse facto algumas espécies são consideradas pragas de plantas úteis ao homem. Um dos casos mais conhecidos é o da espécie Leptinotarsa decemlineata, mais conhecida pela designação de escaravelho-da-batateira. Contudo, alguns crisomelídeos podem classificar-se como benéficos, tendo inclusivé sido utilizados para combater certas plantas invasoras. A título de exemplo podemos referir que as espécies Chrysolina hyperici e C. quadrigemina foram introduzidas na Austrália e nos Estados Unidos para controlar com êxito uma herbácea de origem europeia (Hypericum perforatum). Algumas espécies da subfamília Clytrinae possuem larvas mirmecófilas, vivendo como comensais nos ninhos de formigas (Erber, 1988). Larvas e adultos destes coleópteros desenvolveram numerosas estratégias defensivas contra os predadores, desde sistemas de camuflagem muito engenhosos (e.g., as larvas de algumas espécies transportam os seus próprios excrementos sobre o corpo) até defesas mecânicas (e.g., patas posteriores adaptadas ao salto) ou químicas (e.g., secreção de substâncias tóxicas). A forma do corpo dos adultos varia consideravelmente (desde ovalado, passando por sub-cilíndrico, até mesmo cilíndrico). Por vezes são extremamente achatados dorso-ventralmente (Cassidinae) e certas espécies da subfamília Hispinae podem possuir numerosos espinhos. Além da diversidade morfológica, os crisomelídeos adultos exibem colorações brilhantes, metalizadas ou não, mais ou menos uniformes, ou entremeadas com manchas anegradas. O nome grego de Chrysomelidae significa mesmo “animal dourado”. Por sua vez o corpo das larvas destes insectos pode também variar muito, desde muito convexo e curto até quase rectilíneo e comprido (tipo eruciforme). Algumas larvas possuem também glândulas defensivas. Os adultos de algumas espécies (e.g., Chrysomela americana) agregam-se em grande número em certos locais elevados, podendo tal facto estar relacionado com a dispersão através de correntes de ar quente. Na cabeça, relativamente pequena, encontram-se as antenas que são filiformes ou moniliformes (excepcionalmente serradas). As peças da armadura bucal são conformes ao tipo triturador ou mastigador. Os élitros são normalmente livres, podendo estar fundidos em alguns grupos. Os tarsos são pentâmeros, embora o quarto artículo seja muito reduzido.

Esta família de coleópteros é bastante diversificada (cerca de 37.000 espécies conhecidas) principalmente nas regiões quentes do globo (Jolivet e Hawkeswood, 1995). Nos Açores estão registadas 17 espécies e subespécies. Mniophilosoma obscurum é endémica das Flores, Psylliodes vehemens azorica do Faial e Longitarsus azoricus da Terceira e Santa Maria (Borges,1990, 1992). A distribuição das outras formas nas várias ilhas não é uniforme, sendo as citações principalmente para a Terceira, S. Miguel e Santa Maria. Não existem registos de qualquer espécie para o Corvo. Artur Serrano (Ago.2001)

Bibl. Borges, P.A.V. (1990), A Checklist of the Coleoptera from the Azores with some Systematic and Biogeographic comments. Boletim do Museu Municipal do Funchal, 42, 220: 87-136. Id. (1992), Biogeography of the Azorean Coleoptera. Ibid., 44, 237: 5-76. Erber, D. (1988), Biology of Camptosomata. Clytrinae – Cryptocephalinae – Chlamisinae – Lamprosomatinae In Jolivet, P. Petitpierre, E. e Hsiao, T. H. (eds.), Biology of Chrysomelidae. Dordrecht, Kluwer Academic Publishers: 513-552. Jolivet, P. e Hawkeswood, T. J. (1995). Host-plants of Chrysomelidae of the world. Leiden, Backhuys. Lawrence, J. F. e Newton, A. F. (1995), Families and subfamilies of Coleoptera (with selected genera, notes, references and data on family-group names) In Pakaluk, J. e Slipinski, S.A. (eds.), Phylogeny and Classification of Coleoptera. Varsóvia: 779-1006.