coleópteros coccinelídeos

Insectos coleópteros incluídos na superfamília dos Cucujoidea (Lawrence e Newton, 1995). Maioritariamente afidófagos e coccidófagos (predadores de afídeos e cochonilhas), algumas espécies de coccinelídeos podem ser também fitófagos (e.g., género Epilachna). Estes insectos são normalmente de pequenas dimensões (2-8 mm), podendo as espécies fitófagas alcançar maiores envergaduras (10 mm). Os indivíduos deste grupo de coleópteros são conhecidos por joaninhas e devido aos seus hábitos de predação (larvas e adultos) sobre espécies dos supracitados grupos de homópteros (muitos delas consideradas pragas de plantas úteis ao Homem) têm sido utilizados como controladores biológicos (Pedigo, 1996). Algumas espécies australianas (e.g., Rodolia cardinalis, Cryptolaemus montrouzieri e Rhyzobius spp.) foram inclusivé importadas para os Estados Unidos e para a Europa para controlar certas espécies de coccídeos. O arquipélago dos Açores não fugiu também a esta estratégia de controlo biológico de certas pragas através de algumas espécies de joaninhas (ver referências em Borges, 1993), possuindo mesmo uma fábrica de criação em massa destes coleópteros na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada. Os adultos são insectos ovais, convexos e muitas vezes exibindo colorações brilhantes mais ou menos uniformes ou entremeadas com manchas anegradas. Muitas espécies exibem polimorfismos cromáticos muito acentuados. Por sua vez as larvas são alongadas, mais ou menos achatadas e cobertas por pequenos tubérculos ou espinhos. À semelhança dos adultos apresentam pontos ou faixas de cores brilhantes. Estas colorações vistosas são aposemáticas, uma vez que servem de aviso aos potenciais predadores do seu sabor desagradável. Os adultos, em certas regiões agregam-se em grande número em certos locais (e.g., sob as cascas das árvores, fendas das rochas) para hibernar, encontrando-se por vezes entre os vidros duplos das janelas nas casas de campo. As antenas são clavadas e podem acomodar-se num sulco lateral na parte inferior da cabeça e do tórax. As peças da armadura bucal são conformes ao tipo triturador ou mastigador. Os tarsos possuem 4 artículos, sendo o segundo bastante reduzido.

Este grupo de coleópteros é bastante diversificado, englobando cerca de 3.500 espécies em todo o mundo, das quais mais de 400 se encontram na Região Paleárctica. Nos Açores estão registadas 22 espécies de distribuição paleárctica e macaronésica, tendo algumas delas sido introduzidas para controlo biológico de certas pragas (e.g., Rodolia cardinalis) (Borges, 1990 e 1992). Ao contrário das restantes ilhas onde ocorrem pelo menos três ou mais espécies, no Corvo apenas ocorre uma (Coccinella undecimpunctata). Artur Serrano (Ago.2001)

Bibl. Borges, P.A.V. (1990), A Checklist of the Coleoptera from the Azores with some Systematic and Biogeographic comments. Boletim do Museu Municipal do Funchal, 42, 220: 87-136. Id. (1992), Biogeography of the Azorean Coleoptera. Ibid., 44, 237: 5-76. Id. (1993), The Entomological Bibliography of the Azores. I. Thematic: General (mainly Biogeography), Applied Entomology, Ecology and Biospeleology. Ibid., 45, 245: 5-28. Lawrence, J. F. e Newton, A. F. (1995), Families and subfamilies of Coleoptera (with selected genera, notes, references and data on family-group names) In Pakaluk, J. e Slipinski, S.A. (eds.), Phylogeny and Classification of Coleoptera. Varsóvia: 779-1006. Pedigo, L. P. (1996), Entomology and Pest Management. New Jersey, Prentice-Hall.