cofre
Aparelho semelhante ao *covo ou nasse dos franceses que tem sido aproveitado na pesca científica. Segundo Silva (1903), em S. Miguel, é um aparelho feito de vime ou junco, com 6 faces, em duas das quais existem entradas semelhantes às das ratoeiras. As dimensões de um cofre regular são: 1,30 m x 0.80 m x 0,60 m. O vime ou o junco é cruzado de maneira a formar malhas de 2 ou 3 polegadas de lado. Dentro colocam-se 3 ou 4 pedras, não só para o fazer descer, mas também para o conservar firme no fundo, e liga-se a um cabo, que tem na outra extremidade uma pequena bóia, que serve para indicar o sítio da imersão do aparelho, que se realiza à noite, a profundidades de 6 até 12 braças, onde se conserva fundeado até ser suspenso de manhã. A isca, que pode ser *chicharro, *cavala ou sardinha, vai dentro do cofre amarrada a um arame que tem o comprimento suficiente para a manter a meia altura em frente das entradas, por onde podem introduzir-se sargos, *besugos, *abróteas e lagostas.
Para Ribeiro (1936), na Terceira, é uma armadilha com que se pescam as lagostas, constituída por um cilindro de rede armado em arcos de madeira (arcadura), substituídos por canas delgadas (canas) no sentido da altura. Em cada base do cilindro há uma abertura (boca do cofre) por onde entram as lagostas e, no meio, prende-se interiormente a isca. Aos dois extremos do cofre prendem-se duas linhas (guias) ao meio das quais se amarra outra linha mais comprida com uma bóia no extremo. O cofre fundeia-se com uma poita e deixa-se no mar, indo o pescador a quem ele pertence ao local onde o fundeou para ver se caiu alguma lagosta.
Em S. Jorge (Mendonça, 1961-62), e no Faial, o cofre tem estrutura semelhante àquela descrita por Ribeiro (1936) mas, nesta última ilha, a estrutura pode também ser de verga. Luís M. Arruda (2002)
Bibl. Mendonça, E. B. L. (1961-62), Ilha de S: Jorge, Subsídios para o estudo da Etnografia, Linguagem e Folclore Regionais. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, XIX-XX: 89. Ribeiro, L. S. (1936), Notas sobre a pesca e os pescadores na ilha Terceira. Açoreana, 1, 3: 147-159. Silva, A. (1903), Ethnographia açoriana, a alfaia marítima de S. Miguel. Portugália, Porto, 1, 4: 835-846.
