Coelho, Ricardo José
[N. Coimbra, 1.4.1782 m. Velas, ilha de S. Jorge, 10.10.1847] Frequentou a Universidade de Coimbra, mas não tomou grau. Alistou-se como voluntário em 1803, sendo promovido a 2º tenente, em 1808. Foi 1º tenente em 1810, capitão em 1818, major em 1820, tenente-coronel em 1822 e coronel em 1838.
Fez parte do exército do Brasil, no Maranhão, e participou na campanha de Montevideu. Em 1823 regressou a Portugal e em 1826 passou a servir às ordens do inspector de obras militares, sendo um entusiasta apóstolo das ideias liberais e do governo representativo. Pensou regressar ao Brasil e aí seguir a carreira das armas, mas desistiu e em 1828 emigrou com os liberais para Inglaterra. Fez parte da expedição do general Saldanha, quando este tentou desembarcar na Terceira, em 1829, sendo então obrigado a exilar-se em França. De Belle Isle voltou à Terceira em 1832 e depois de algum tempo em S. Jorge, por ordem do governo, foi nomeado governador militar do 4º Distrito (Vila da Praia). Não fez parte do Exército Libertador, certamente por ser afecto a Saldanha, mas foi escolhido para ficar nos Açores e nomeado, a 30.7.1832, governador do castelo de S. João Baptista. Em 12.5.1833 foi nomeado comandante-geral da artilharia nos Açores, não mais deixando de ocupar lugares nas ilhas. Em 1836, com o fim do Comando Militar dos Açores, foi nomeado governador militar de S. Miguel e Santa Maria, cargo que exerceu até 20.6.1837. Ocupou, ainda, o cargo de chefe do Estado-Maior da 10ª Divisão, sediada em Ponta Delgada. Em 1838 foi encarregado da subdivisão militar da Horta, comando que exerceu até 1840, passando a governador militar de S. Jorge, onde se manteve, com relutância, até ao fim da vida.
É uma figura interessante da história política açoriana no período conturbado da primeira fase do liberalismo constitucional. Da maçonaria e companheiro dos setembristas locais, tanto em Angra como em Ponta Delgada, foi prejudicado na vida militar pelas suas opções de esquerda oposicionista e por ser considerado pelos companheiros de armas como oficial estrangeiro, visto ter pertencido ao exército do Brasil. Disse-se sempre injustiçado e desprezado nas suas capacidades. J. G. Reis Leite (2006)
Bibl. Arquivo Histórico Militar (Lisboa), Cx. 187, 279, 416, 508 e 661. Marques, A. H. O. (1997), História da Maçonaria em Portugal. Lisboa, Presença, III: 578.
