Coelho, José Joaquim Rosa

 [N. ? – m. Lisboa, 19.12.1833] Alistou-se na Marinha, sendo sucessivamente guarda-marinha em 1784, primeiro-tenente em 1789, capitão-tenente em 1793, capitão-de-fragata em 1796, capitão-de-mar-e-guerra em 1804, chefe de divisão em 1813, chefe de esquadra, graduado, em 1818 e de nomeação definitiva em 1819.

Era fidalgo da Casa Real e cavaleiro da Ordem de S. Bento de Avis. Em 1818 foi nomeado intendente da Marinha da cidade do Porto, mas já anteriormente se havia encarregado da direcção das obras da barra do Douro.

Aquando da Vilafrancada, em 1823, que restabeleceu a realeza de D. João VI, foi escolhido por uma assembleia de notáveis para governar interinamente a cidade do Porto, mas recusou e pediu a nomeação de uma junta formada por ele próprio, o bispo e o desembargador corregedor do Crime, que governou o Porto em nome de D. João VI.

Em Janeiro de 1829 foi nomeado para comandar a expedição naval de bloqueio e punição dos rebeldes da ilha Terceira, que fracassou. Regressado ao reino, voltou ao exercício da intendente da Marinha no Porto e Províncias do Norte, em 1830. Incorporou-se no exército realista, sendo ajudante-general e, em 1831, nomeado inspector do Arsenal Real da Marinha. Por ter dispendido, em 1833, a opinião que a esquadra miguelista não devia sair sair do Tejo e combater a liberal, foi preso no castelo de S. Jorge pelos próprios correligionários e aí se manteve até ser libertado, por ordem de D. Pedro, nas vésperas da sua morte.

Da sua missão nos Açores, o bloqueio para evitar a chegada dos emigrados foi um fracasso de que se queixou amargamente, acusando os seus subordinados de traição, cobardia e fraqueza, e a tentativa de desembarque na Praia, em 11.8.1829, outro fracasso, mas este não de sua directa responsabilidade, mas que contribuiu muito para a consolidação da posição dos liberais nos Açores e para a preparação da expedição que conquistou o reino.

Ficou na história como um derrotado. J. G. Reis Leite (2002)

Bibl. Arquivo Geral da Marinha (Lisboa). Cxs. 732. Id., Livros Mestres, 380-85, 409-32. Arquivo dos Açores (1982), Ponta Delgada, Universidade dos Açores, VI: 64-405, VI: 32-36, 338, XI: 207, 241-244. Ibid. (1982), Relação das operações militares da expedição que debaixo do comando do chefe de esquadra da Armada Real José Joaquim da Rosa Coelho foi mandada aos Açores para bater os rebeldes acoutados na ilha Terceira as quais operações se notão desde o dia 17 de Maio de 1929 até 16 d’Agosto do dito ano, em que a esquadra e tropas se dissolverão e se separarão. VII: 263-288.