codorniz

Nome vulgar da espécie de ave Coturnix coturnix, sub-espécie C. c. conturbans (Hartert e Ogilvie-Grant, 1905; Chavigny e Mayaud, 1932; Bannerman e Bannerman, 1966). Embora a sua origem seja algo obscura parece ter sido encontrada pelos primeiros povoadores. Ela encontra-se entre as 12 aves terrestres especificadas como habitando os ilhas (ou S. Miguel), em 1591, por Gaspar Frutuoso em Saudades da Terra. A questão da sua introdução antes daquela data é discutida por Knecht (1961) que de acordo com Frutuoso não havia codornizes na ilha antes de 1510, tendo a ave sido introduzida pouco depois tornado-se muito numerosa: - «Antes da era de 1510, não havia aqui cordonizes [sic] sendo o quinto capitão de S. Miguel, Rui Gonçalves da Câmara quem as introduziu, multiplicando-se depois por modo extraordinério que a sua caça se tornou prática muito frequente, a ponto de apanharem 500 e 600 por cada noite.» (cf. Costa 1989, 1: 276). Esta situação também é notada por Godman (1870) referindo a sua passagem pelo arquipélago em 1865. O Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (SNPRCN, 1990) considera-a não ameaçada no arquipélago. Ocorre em terrenos cultivados.

Ricamente colorida, os machos com um ano têm, em geral, a coloração ruça de ferrugem, mais acentuada e mais estendida no peito, com o colar da base do pescoço melhor desenhado do que nos machos do ano. Nas duas idades constata-se uma grande variabilidade da coloração da garganta. As fêmeas têm a garganta e a parte inferior do corpo mais cor de ferrugem com as manchas melhor delimitadas e mais carregadas do que as fêmeas do ano, embora variando muito entre si. A época de reprodução ocorre pelo menos entre Maio e Setembro. O número de ovos por postura varia, pelo menos, entre 8 e 13; as suas dimensões médias são de 28 x 23 mm; e a sua cor é olivácea com tonalidade de café, fortemente manchados de cor chocolate-castanho intenso (Murphy e Chapin, 1929; Chavigny e Mayaud, 1932; Mayaud, 1937; Bannerman e Bannerman, 1966). Luís M. Arruda (2002)

Bibl. Bannerman, D. A. e Bannerman, W. M. (1966), Birds of the Atlantic Islands, vol. 3: A History of the Birds of Azores. Edimburgo e Londres, Oliver & Boyd. Chavigny, J. e Mayaud, N. (1932), Sur l’avifaune des Açores. Généralités et Etude contributive. Alauda (2), 3: 304-348. Costa, C. (1989), Etnologia dos Açores. Lagoa, Câmara Municipal, I. Godman, F. C. (1870), Natural History of the Azores or Western Islands. Londres, John van Voorst. Hartert, E. e Ogilvie-Grant, W. R. (1905), On the Birds of the Azores. Novitates Zoologicae, 12: 80-128. Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza (1990), Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, vol. I: Mamíferos, Aves, Répteis e Anfíbios. Lisboa, SNPRCN. Knecht, S. (1961), Ein Beitrag zur Kenntnis der Azorischen Vogelwelt. Anzeiger der Ornith. Gesellschaft in Bayern, 6, 2: 121-137. Mayaud, N. (1937), Nouvelles données sur l'Ornithologie des Açores. Alauda, 9: 313-330. Murphy, R. C. e Chapin, J. P. (1929), A collection of birds from the Azores. American Museum Novitates, 384: 1-23.