coco
Nome vulgar de Colocasia esculenta (Araceae), também conhecido por inhame, nas ilhas do Grupo Central. Colocasia deriva do árabe Kolcas ou Kulcas. Planta originária da Ásia Tropical Oriental, naturalizada em muitas regiões tropicais e temperadas-quentes. É uma planta tuberosa, com tubérculo de arredondado a turbinado, grande; folhas persistentes ovado-cordadas, grandes, glabras, de pecíolo longo, há cultivares de folhas totalmente verdes e outras com o pecíolo das folhas violeta e as nervuras e margens das folhas da mesma cor, em tonalidades mais ou menos escuras, a forma e dimensão das folhas também pode variar; em climas favoráveis, algumas variedades florescem, emitindo uma spadix com espata amarelo-pálida de 15-35 cm e produzindo frutos que são bagas verdes, mas, há variedades que não produzem flor nem fruto. Desenvolve-se geralmente em regiões de elevada pluviosidade, nas margens dos rios. Necessita de solo rico em matéria orgânica, pesado, com boa retenção de humidade, com pH 5,5-6,5. Quando se faz a plantação em grandes áreas, a plantação faz-se em linhas, cuja distância varia, consoante o vigor da cultivar escolhida. Os tubérculos são ricos em hidratos de carbono e constituem um bom alimento. Esta cultura já se encontrava nos Açores no século XVI. Inicialmente não se pagava dízimo desta cultura o que constituiu uma boa defesa para as exploradas populações destas ilhas. Em 1661 surgiu legislação impondo em S. Miguel a obrigatoriedade de cultivar determinadas áreas de inhame, e, o mesmo aconteceu em 1648 em S. Jorge, e, a partir daí a cobrança dos dízimos. A população de S. Jorge insurgiu-se contra esta imposição e, em 1694, recusou-se a pagar os dízimos. Este acontecimento, que acabou por ter as mais funestas consequências, ainda hoje é recordado como «o motim da Calheta» ou a «guerra do inhame». A repressão foi tão violenta, as prisões e deportações foram tantas que se afirma que poucos foram os moradores da Calheta, Topo e Norte Grande que não foram considerados culpados e a mesma sorte teve o capitão-mor da Calheta, Gonçalo Pereira Machado, também deportado, por ter apoiado os amotinados.
A Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores regista no Arquipélago, em 1947, uma produção de 4404 t de inhame, tendo sido o Pico com 1704 t a ilha com maior produção, seguida pelas Flores com 960 t. Ainda continua hoje a ser uma cultura importante, largamente consumido e até exportado para o chamado mercado da saudade. Raquel Costa e Silva (2002)
Bibl. Costa, F. C. (1948), O Inhame, apontamentos para a sua cultura nos Açores. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores.
