coça

1 Nome vulgar das espécies de peixes marinhos Scorpaena maderensis, S. notata (Scorpaenidae) (ICN, 1993; Santos et al., 1997) e S. porcus (Santos et al., 1997) também conhecidas por rascaço (Santos et al., 1997) que também aparece grafado rascasso (ICN, 1993). Segundo Serpa (1987: 35) é nome dado ao rocaz pequeno.

Segundo Hureau e Litvinenko (1986), os indivíduos da espécie S. maderensis têm o focinho tão longo como o diâmetro da órbita; osso preorbital com 2 grandes espinhos sobre a maxila; sub-orbitais com duas pontas espinhosas; espinho post-temporal superior presente; espinho do primeiro preopercular curto, segundo mais delgado do que o terceiro; depressão occipital ausente; poros na sínfise da mandíbula separados e pequenos; barbatana peitoral com 15 a 16 raios e não atingindo o primeiro espinho da anal; cabeça em grande parte nua; cor variável, cabeça castanha, manchada de branco; corpo escuro com algumas áreas mais claras; barbatana dorsal manchada com pigmento castanho; barbatana peitoral com pequenas manchas escuras, alongadas; outras barbatanas com pequenas manchas castanhas e brancas.

Demersais, sobre rochas e também em cavidades e fendas, entre 1 m e 20 m de profundidade, particularmente a partir de 5 m. Embora sejam solitários, podem algumas vezes ser encontrados a uma distância inferior a 10 cm entre si (Patzner e Santos, 1993; Patzner et al., 1992). Alimentam-se, principalmente, de crustáceos bênticos e de peixes (Azevedo, 1997).

São conhecidos em algumas localidades do Mediterrâneo. No Atlântico ocorrem nos Açores, para onde foram registados por Collett (1896), como Sebastes maderensis, na Madeira, nas Canárias e em Cabo Verde; raros ao longo das costas de Marrocos, da Mauritânia e do Senegal.

Segundo Hureau e Litvinenko (1986), os indivíduos da espécie S. notata têm o focinho ligeiramente mais pequeno do que o diâmetro da órbita; osso preorbital com 3 pontas espinhosas; crista sub-orbital com 3 pontas espinhosas; espinhos preoperculares bem desenvolvidos; depressão occipital presente; poros na sínfise da mandíbula separados mas formando um conjunto distando entre si cerca de um diâmetro do poro ou menos; barbatana peitoral com 17 a 19 raios e atingindo, por cima, aproximadamente, o primeiro espinho da anal; peito, bases das barbatanas peitorais e cabeça nua; cor de padrão geral vermelho-castanhado; uma grande mancha negra entre os espinhos 6-8 e 10-11 da barbatana dorsal; outras barbatanas mosqueadas ou com pequenas manchas pigmentadas de escuro.

São demersais, muitas vezes sobre fundos arenosos próximo das rochas; entre 2 m e 15 m de profundidade (Patzner et al., 1992), ocorrem no Mediterrâneo e no Atlântico, desde a Baía da Biscaia até ao Senegal, incluindo as Canárias, a Madeira e os Açores, para onde foram registados por Collett (1896), como S. ustulata.

Segundo Hureau e Litvinenko (1986), os indivíduos da espécie S. porcus têm o focinho ligeiramente mais pequeno do que o diâmetro da órbita; osso preorbital geralmente com 2 pontas espinhosas sobre a maxila; crista sub-orbital com 2 ou 3 pontas espinhosas; depressão occipital bem desenvolvida; poros na sínfise da mandíbula pequenos e separados; tentáculo supra-ocular geralmente de tamanho igual ao diâmetro da órbita; apêndices da pele bem desenvolvidos; pequenas franjas dérmicas associadas com o preorbital, preopercular, parietal, nucal e espinhos preoperculares; barbatana peitoral com 16 a 18 raios e atingindo, por cima, no máximo, o segundo espinho da anal; peito, bases das barbatanas peitorais e cabeça nua; cor geralmente castanha; uma área ligeiramente pigmentada entre os espinhos 8 e 9 da barbatana dorsal; outras barbatanas pequenas manchas de modo variado com castanho; 3 barras verticais sobre a barbatana caudal.

Litorais, bênticos, comuns entre as rochas e as algas, ocorrem no Mediterrâneo e no Atlântico, das ilhas Britânicas até ao Senegal, às Canárias e aos Açores, para onde foram registados por Sampaio (1904). 2 O mesmo que sarna, na ilha do Corvo (Serpa, 1987: 72, 127). Luís M. Arruda (2002)

Bibl. Azevedo, J. N. (1997), Estrutura de uma comunidade ictiológica do litoral da ilha de São Miguel (Açores): caracterização e variações espaço-temporais. Dissertação de doutoramento, Ponta Delgada, Universidade dos Açores. Collett, R. (1896), Poissons provenant des campagnes du yacht l'Hirondelle (1885-1888). Résultats des campagnes scientifiques accomplies sur son yacht par Albert I, Prince souverain de Monaco, 10. Hureau, J.-C. e Litvinenko, N. I. (1986), Scorpaenidae In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 1211-1229; Instituto da Conservação da Natureza (1993), Livro vermelho dos vertebrados de Portugal, vol. III: Peixes marinhos e estuarinos. Lisboa, ICN. Patzner, R. A. e Santos, R. S. (1993), Ecology of rocky littoral fishes of the Azores. Courier Forschungsinstitut Senckenberg, 159: 423-427. Patzner, R. A., Santos, R. S., Ré, P. e Nash, R. D. M. (1992), Littoral Fishes of the Azores: an annotated checklist of fishes observed during the ‘Expedition Azores 1989’. Arquipélago (Life and Earth Sciences), 10: 101-111. Sampaio, A. S., (1904), Memória sobre a ilha Terceira. Peixes. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal: 129-136. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago (Life and Marine Sciences), Supplement 1. Serpa, J. M. (1987), A Fala das Nossas Gentes. Ponta Delgada, Signo