clupeídeos

Nome dado aos peixes marinhos da família Clupeidae. Segundo Whitehead (1984) os indivíduos desta família são de tamanho pequeno ou moderado, prateados, sem raios espinhosos nas barbatanas e uma única barbatana dorsal curta; ventre com uma quilha formada por escamas em ângulo agudo; barbatana caudal em forquilha; escamas presentes, muitas vezes facilmente caducas; sem linha lateral. Geralmente costeiros, pelágicos, formam, muitas vezes, cardumes extensos de importância económica grande; algumas espécies entram em águas salobras ou doces, os sáveis são anádromos e apenas algumas poucas espécies são inteiramente dulçaquícolas.

Para os Açores estão registadas as espécies Sardina pilchardus, por Hilgendorf (1888), como Clupea pilchardus, Sardinella maderensis, por Günther (1868), como Clupea maderensis, Sprattus sprattus, por Martins (1981). Segundo Santos et al. (1997), a inclusão, por Günther (1868), dos Açores na distribuição geográfica de S. maderensis não tem por base o estudo de exemplares existentes nas colecções do museu, pelo que a ocorrência da espécie na região, necessita de ser confirmada.

Os indivíduos da espécie S. pilchardus, conhecidos vulgarmente por sardinha (Collins, 1954; ICN, 1993; Martins, 1981, Sampaio, 1904), são de corpo alongado, subcilíndrico, ventre com escamas mas não formando uma quilha em ângulo agudo; margem posterior da abertura branquial regularmete arredondada; origem das barbatanas pélvicas bem atrás da origem da barbatana dorsal. Pelágicos, costeiros, formam cardumes migradores. Ocorrem no Atlântico desde a Irlanda e Mar do Norte até à costa do Senegal e no Mediterrâneo. Abundantes nalgumas dessas áreas são de grande importância para a pesca (Whitehead, 1984).

Em Sardinella maderensis os indivíduos têm o corpo alongado, de altura bastante variável, corpo regularmente comprimido nalguns, menos noutros; ventre com quilha de escamas moderadamente angulosas; flancos prateados com uma linha média levemente dourada, precedida por uma mancha preta ligeiramente posterior à abertura branquial; mancha preta na origem da barbatana dorsal. Pelágicos, costeiros, tolerantes às salinidades baixas dos estuários, formam cardumes à superfície ou a profundidades até 50 m. Ocorrem no Mediterrâneo e no Atlântico, desde Marrocos até Angola. Abundante nalgumas dessas áreas é uma uma espécie importe para a pesca (Whitehead, 1984).

Sprattus sprattus é uma espécie de peixes pequenos, prateados, razoavelmente alongados, um pouco comprimidos; ventre com quilha formada por escamas em ângulo agudo; mandíbula protráctil; barbatanas pélvica com origem por baixo ou anterior à origem da barbatana dorsal. Costeiros, pelágicos, muitas vezes em águas baixas, próximas da costa, formando cardumes. Ocorrem no Mediterrâneo e no Atlântico, desde Marrocos até ao Mar Báltico (Whitehead, 1984). Luís M. Arruda (2002)

Bibl. Collins, B. L. (1954), Lista dos peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Günther, A. (1868), Catalogue of the fishes in the British Museum. Londres, 7. Hilgendorf, F. M. (1888), Die Fische der Azoren In Simroth, H. (ed.), Zur Kenntniss der Azorenfauna. Archiv für Naturgeschichte, 1, 3: 179-234. Instituto da Conservação da Natureza (1993), Livro vermelho dos vertebrados de Portugal, vol. III: Peixes marinhos e estuarinos. Lisboa, ICN. Martins, H. R. (1981), Nomenclatura de peixes de valor comercial dos Açores. Açoreana, 6, 2: 127-129. Sampaio, A. S., (1904), Memória sobre a ilha Terceira. Peixes. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal: 129-136. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago (Life and Marine Sciences), Supplement 1. Whitehead, P. J. P. (1984), Clupeidae In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 268-281.