Clube Micaelense

Fundado a 14 de Janeiro de 1857, pela fusão de duas sociedades existentes em Ponta Delgada, a Assembleia Recreativa e o Clube de Ponta Delgada, que eram a face visível de duas lojas maçónicas funcionando na cidade e que, por aquela via, actuavam junto da comunidade. A Assembleia Recreativa estava politicamente ligada aos Partido Regenerador, entre os quais se destacava José Jácome *Correia; o Clube de Ponta Delgada alinhava com os cartistas, cujo chefe local era o então visconde da Praia. No período da Regeneração, embora se mantivessem as lutas políticas, a fusão destas duas sociedades revela um espírito de conciliação na sociedade micaelense. Com estatutos aprovados em Fevereiro de 1857, o Clube Micaelense procurava “ilustrar” os seus associados através de “leituras proveitosas”, criando um Gabinete de Leitura e um Clube Literário, e promover “recreio decente e divertimento honesto” dos mesmos. Ficou instalado no edifício que albergava a Assembleia Recreativa, onde se mantém no presente, após algumas remodelações. Desde o início, o Clube caracterizou-se por ser uma colectividade de acesso bastante restrito e selectivo. Ao longo dos anos, tem promovido concertos musicais, palestras, conferências e representações cénicas. Para o convívio dos sócios, funcionam sala de jogos, bar, restaurante, mantendo durante muitos anos a tradição de servir chá, no fim da tarde, aos seus membros. As festas de Carnaval foram sempre muito animadas e requintadas, sendo o início da quadra marcado pelo Baile de Debutantes. O Clube tem sido, ao longo dos anos, a grande sala de recepção micaelense às altas individualidades que visitam a ilha. Entre elas, destacam-se as grandes festas de recepção ao rei D. Carlos e à rainha D. Amélia, em 1901. Carlos Enes (Fev.2001)

Bibl. Bicudo, A. (1945), Poeiras do passado- O Clube Micaelense. Ponta Delgada, Ed. do Clube Micaelense. Clube Micaelense – Acta da sessão solene comemorativa do primeiro centenário da sua fundação (1958), Ponta Delgada, Of. Tip. do “Diário dos Açores”.