cloroftalmídeos
Nome dado aos peixes marinhos da família Chlorophthalmidae. Segundo Sulak (1984) os indivíduos desta família têm olhos provavelmente especializados (grandes nos Chlorophthalminae); boca terminal, grande, não protráctil, maxilas sem dentes e expandidas posteriormente; mandíbula protráctil ligeiramente para além da maxila, terminando numa saliência óssea na sínfise; focinho largo, deprimido, arredondado no perfil dorsal; dentes pequenos, típicos, numerosos, organizados em fiadas sobre as maxilas; escamas cicloides, caducads; barbatana adiposa presente ou ausente; barbatanas pélvicas colocadas bem para a frente com os raios mais exteriores endurecidos e usados como andas para suportar e elevar o corpo, especialmente em Bathypterois. Geralmente demersais sobre a plataforma e talude continentais e planície abissal. Chlorophthalmus é comercializado no Mediterrâneo.
Para os Açores estão registadas as espécies Chlorophthalmus agassizii e Bathypterois dubius, ambas por Vaillant (1888), B. grallator, de acordo com um exemplar colhido a oeste de S. Miguel, em 1969, e B. phenax, um exemplar colhido a noroeste de S. Miguel, as duas por Rannou e Gaborit-Rezzouk (1976), B. longipes, por Mead (1966) e B. sewelli, por Geistdoerfer et al. (1970), como B. azorensis n. sp., com base num indivíduo capturado a sul dos Açores, em 1969.
Os indivíduos da espécie C. agassizii, segundo Sulak (1984), têm a cabeça deprimida e o focinho grosso e espatulado; olhos muito grandes, elípticos, e dirigidos dorsoventralmente; espaço interorbital muito estreito; mandíbula projectada para além da maxila e terminando numa saliência óssea; barbatanas pélvicas inseridas imediatamente atrás da origem da barbatana dorsal; barbatana adiposa presente, inserida em posição oposta à barbatana anal. Demersais sobre a plataforma e a parte superior do talude continental, ocorrem no oceano Atlântico e no Mediterrâneo onde são muito abundantes e com interesse comercial.
Em B. dubius, B. grallator, B. longipes e B. phenax os indivíduos têm, segundo Sulak (1984), o focinho deprimido, espatulado; olhos muito pequenos, provavelmente de utilidade limitada; raios mais inferiores da barbatana caudal e mais exteriores das barbatanas pélvicas muito prolongados e endurecidos; barbatana peitoral geralmente diferenciada em duas partes, superior e inferior, distintas. Circunglobais, a latitudes tropicais e temperadas, bênticos, ocorrem a profundidades batiais e abissais.
B. sewelli é, segundo Sulak (1984), uma espécie de olhos vestigiais, cobertos por pele e escamas, nos exemplares maiores; mandíbulas muito longas; dentes pequenos, muito numerosos, e colocados compactamente em bandas semelhantes a chágrem ao longo de ambas as maxilas. Raros, bênticos, sobre o talude continental e planície abissal, provavelmente solitários e circunglobais. Luís M. Arruda (2002)
Bibl. Geistdoerfer, P., Hureau, J.-C. e Rannou, M. (1970), Deux poissons abyssaux nouveaux capturés dans l'Atlantique nord et est: Bathytyphlops azorensis n. sp. (Ipnopidae) et Lycenchelys labradorensis n. sp. (Zoarcidae). Bulletin du Muséum national d'Histoire naturelle, Paris (2), 42, 3: 452-459. Mead, G. W. (1966), Order Iniomi In Olsen, Y. H. (ed.), Fishes of the western
