cicuta
Nome vulgar de Conium maculatum (Umbelliferae). Conium é uma palavra derivada do grego Konion, que significa pequeno cone. É uma planta originária da Europa que se encontra naturalizada nos Estados Unidos. Palhinha (1966) localiza-a nos Açores, em S. Miguel e Santa Maria mas observa em nota que não foi colhida recentemente; Franco (1971) localiza-a apenas no Continente, disseminada. É uma erva anual ou bienal, frequentemente maculada de vermelho, sobretudo na parte inferior, fétida, com cheiro característico a urina de rato, muito venenosa. Atinge a altura de 2,5 m. Tem caule pruinoso, oco ramoso; folhas inferiores de contorno triangular, tripenatissectas, com os segmentos penatifendidos, as superiores menos divididas; flores reunidas em umbelas de umbélulas, com invólucro e involucelos e oito a vinte raios; brácteas involucrais 5-6, deflexas com margem escariosa, brácteas umbelulares 3-6 do lado externo das umbelulas, flores de pétalas brancas; fruto diaquénio com costas onduladas. Os Gregos obrigavam os condenados à morte a beber cicuta, bebida preparada a partir desta planta. Foi a morte que sofreu Sócrates. Também as pessoas que se desejavam suicidar, se as suas razões eram consideradas suficientes, eram autorizadas a beber cicuta. Este veneno mata por asfixia e pode ser extraído das folhas e dos frutos. Também tem aplicação medicinal, sendo antiespasmódico e sedativo. Por vezes cultiva-se, tem valor comercial, mas só se deve fazê-lo em locais bem vedados, dado o perigo que representa para pessoas e animais. Todas as partes da planta são venenosas mas as folhas tenras e os frutos imaturos contêm a concentração máxima dos princípios activos. Os aquénios devem ser colhidos antes de estarem completamente maduros e conservados em sítio fresco, ao abrigo da luz. São extremamente tóxicos. Só deve ser usada por pessoas devidamente habilitadas. Em muitos países está sujeita a legislação própria. Raquel Costa e Silva (2001)
Bibl. Bown, D. (1995), Encyclopedia of Herbs & Their Uses. Londres, Dorling Kindersley: 266. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. I: Lycopodiaceae-Umbelliferae. Lisboa, Sociedade Astória, 522. The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992), Londres, MacMillan Press, 1: 698. Palhinha, R.T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves: 83. Vasconcelos, J. C. (1949), Plantas Medicinais e Aromáticas. Lisboa, Direcção-Geral dos Serviços Agrícolas: 114.
