ciclopterídeos
Nome dado aos peixes marinhos da família Cyclopteridae. Segundo Stein (1986) os indivíduos desta família são de tamanho pequeno a moderado. Distinguem-se, na área clofnam, pela presença de um disco ventosa, ventral, formado pela modificação das barbatanas pélvicas, duas barbatanas dorsais e ossos ou protuberâncias dérmicas em forma de tubérculos (mas não escamas) sobre o corpo que, na maior parte das espécies é globoso ou de forma aproximada. Cabeça muitas vezes atingindo metade do comprimento do corpo; duas narinas, uma de cada lado do corpo; olhos pequenos, localizados lateralmente sobre a cabeça; boca pequena ou de tamanho moderado; dentes pequenos, cónicos, sobre as maxilas, organizados nalgumas poucas fiadas ou bandas estreitas; aberturas branquiais estreitas, excepto numa espécie, localizadas completamente acima do nível mais elevado da barbatana peitoral. Barbatanas peitorais de base longa, estendendo-se, ventralmente, para a frente do disco ventosa; barbatana anal curta; barbatana caudal bem desenvolvida. Pele, frequentemente, muito grossa, algumas vezes muito enrugada. Jovens muitas vezes diferentes dos adultos.
Bênticos, ocorrem sobre vários tipos de fundo, mas, ocasionalmente, são capturados em conchas ou fixados a pedras ou algas. Os adultos ocorrem, geralmente, a profundidades entre 100 e 400 m, raramente até 900 m. Os jovens ocorrem, muitas vezes, em águas menos profundas do que os adultos. Algumas espécies migram para a zona das marés para se reproduzirem podendo prestar cuidados parentais aos ovos.
Para os Açores está registada a espécie Eumicrotremus spinosus, por Collet (1897). Os indivíduos desta espécie, segundo Stein (1986), têm o corpo grosso e arredondado, anteriormente; o disco pequeno; primeira barbatana dorsal com 6 a 7 espinhos, todos visiveis, não formando crista, cobertos, finamente, pela pele; segunda barbatana dorsal com 6 a 8 raios; tubérculos bem ossificados presentes sobre o corpo, cabeça e bases das barbatanas peitorais mas ausentes da garganta. Sem protuberâncias dérmicas em forma de tubérculos. Cada espinho da primeira barbatana dorsal com um par de pequenos tubérculos na extremidade. Queixo com papila dérmica carnuda.
Bênticos, ocorrem sobre fundos pedregosos, geralmente a profundidades entre 60 e 200 m, mas ocasionalmente até 400 m, em águas de -2ºC a +3ºC e salinidade oceânica.
Conhecidos do norte da Noruega, Irlanda, noroeste da Groenlândia, Ártico canadiano e costa atlântica da América do Norte, a sua ocorrência no mar próximo dos Açores, à latitude 38º N, deve ser considerada excepcional. Luís M. Arruda (2001)
Bibl. Collet (1897), Om en sampling fiske fra Azorerne, tilhørende Museet i Ponta Delgada. Archiv for Mathematik og Naturvidenskab, 19, 7: 1-17. Stein, D. L. (1986), Cyclopteridae In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 1269-1274.
