chicharro

HISTÓRIA NATURAL Nome vulgar da espécie de peixe marinho Trachurus picturatus (Carangidae) (Collins, 1954; ICN, 1993; Isidro, 1990; Sampaio, 1904; Sanches, 1992; Santos et al., 1997) também conhecido por chicharrinho, quando pequeno (Sanches, 1992), e chicharro-do-alto, quando grande (Santos et al., 1997).

Segundo Smith-Vaniz (1986), esta espécie tem linha lateral dorsal acessória terminando por baixo dos 5º a 10º raios da parte mole da barbatana dorsal; segunda barbatana dorsal com 1 espinho e 30 a 35 raios e segunda barbatana anal 1 espinho e 27 a 30 raios; 52 a 58 escamas, semelhantes a escudos, na parte curva da linha lateral e 39 a 46 escudos, na parte direita.

A sub-espécie que ocorre nos Açores (T. picturatus picturatus) vive no Atlântico Oriental, desde o Golfo da Biscaia até à costa da Mauritânia, incluindo o Mediterrâneo, está associada à plataforma continental e, nas regiões oceânicas, às baixas profundidades dos *bancos submarinos e às pequenas plataformas costeiras próximas das Canárias e da Madeira (Shaboneyev e Ryazantseva, 1977; Shaboneyev e Kotlyar, 1979). O isolamento geográfico destas áreas e o comportamento pelágico-demersal da espécie tem levado a considerar a existência de populações locais na região do arquipélago dos Açores (Shaboneyev e Ryazantseva, 1977). Forma cardumes até, pelo menos, 370 m de profundidade, muitas vezes confinados à zona nerítica das plataformas das ilhas (Smith-Vaniz, 1986). Encontra-se durante todo o ano e em maior abundância no Verão (Sampaio, 1904). Os juvenis formam cardumes constituídos por várias dezenas ou centenas de indivíduos e, em regra, integram outras espécies, como Pagellus bogaraveo e Boops boops (Azevedo, 1997).

Segundo Isidro (1990), os indivíduos dos Açores atingem 14,86 cm de comprimento à furca, no primeiro ano de vida (ano zero) e 16,88 cm no segundo ano de vida (ano 1). Para outros dados ver quadro I.

PESCA Desde 1969, é a mais importante de entre as espécies de pequenos pelágicos capturadas nos Açores; entre 2 000 a 4 000 t. desembarcadas por ano, desde 1969, havendo ainda a considerar as capturas, não quantificadas, para utilização na pesca do atum, como isco vivo. De 1980 a 1987, ocupou pelo menos o segundo lugar entre aquelas espécies de maior valor comercial desembarcado.

Os jovens são capturados próximo das ilhas, com enchelavar e rede de chicharro, pelas frotas artesanal e atuneira. Indivíduos de maiores dimensões são capturados, acidentalmente, na pesca dirigida a outras espécies em águas mais profundas ou próximo dos chamados bancos de pesca. Ver bancos. Luís M. Arruda (2001)

Bibl. Azevedo, J. N. (1997), Estrutura de uma comunidade ictiológica do litoral da ilha de São Miguel (Açores): caracterização e variações espaço-temporais. Dissertação de doutoramento. Ponta Delgada, Universidade dos Açores. Collins, B. L. (1954), Lista dos peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Instituto da Conservação da Natureza (1993), Livro vermelho dos vertebrados de Portugal, vol. III: Peixes marinhos e estuarinos. Lisboa, ICN. Isidro, H. A. (1990), Age and growth of Trachurus picturatus (Bowdich, 1825) (Teleostei, Carangidae) from the Azores. Arquipélago (Life and Earth Sciences), 8: 45-54. Sampaio, A. S., (1904), Memória sobre a ilha Terceira. Peixes. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal: 129-136. Sanches, J. G. (1992), Guia para identificação do pescado de Portugal submetido a tamanho mínimo de captura. Publicações avulsas do INIP, 18. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago (Life and Marine Sciences), Supplement 1. Shaboneyev, I. Ye. e Kotlyar, A. N. (1979), A comparative morphoecological analysis of the Eastern Pacific forms of Trachurus symmetricus and the Atlantic oceanic horse mackerel Trachurus picturatus picturatus. Journal of Ichthyology, 19, 2: 24-29. Shaboneyev, I. Ye. e Ryazantseva, Ye. I. (1977), Population structure of the oceanic horse mackerel (Trachurus picturatus picturatus). Journal of Ichthyology, 17, 6: 954-958. Smith-Vaniz, W. F. (1986), Carangidae In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 815-844.

 

Comprimento médio à furca (cm) por idade (anos), obtido da leitura de otólitos de T. picturatus, dos Açores, segundo Isidro (1990)

 

Idade

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

Comprimento

14,86

16,88

20,09

25,76

30,37

36,77

38,34

40,79

40,5

40,5