Chaves, Francisco Afonso
(F. A. da Costa C. e Melo) [N. Lisboa, 24.1.1857 - m. Ponta Delgada, 23.7.1926] Militar, meteorologista e naturalista. Ainda jovem, veio para Ponta Delgada onde residiu até à morte.
Fez o curso de infantaria da Escola Militar, entre 1875 e 1877, tendo sido promovido sucessivamente a alferes (1877), tenente (1884), capitão (1890), major (1902), tenente-coronel (1907) e coronel (1911). Foi comandante, por largos anos, do Regimento de Infantaria 26, estacionado em S. Miguel.
Em boa parte um caso de autodidactismo, com apenas 25 anos de idade, havia instalado no quintal da sua residência, antigo Foral do Botelho, em Ponta Delgada, um observatório astronómico de cujas observações deu notícia à revista parisiense l'Astronomie. Em 1893, assumiu a direcção do Posto Meteorológico de Ponta Delgada. Entre 1895 e 1898, fundou os observatórios de Santa Cruz, nas Flores, e da Horta, no Faial, e as estações das Bandeiras e da Candelária, no Pico. Foi o primeiro Director do Serviço Meteorológico dos Açores, nomeado em 1901. Instalou o Observatório Magnético e Sismológico da Fajã de Cima, em S. Miguel, em 1911, que incluiu o primeiro sismógrafo do arquipélago e realizou os primeiros estudos sobre a temperatura e a densidade da água do mar e os primeiros lançamentos de balões-piloto feitos em Portugal.
O seu interesse pelos fenómenos biológicos foi, em grande parte, despertado pelo relacionamento com naturalistas nacionais e estrangeiros. O rei D. Carlos I tinha-o entre os seus amigos e admirava a sua actividade científica. O Príncipe do Mónaco convidava-o para as suas digressões científicas pelos Açores e integrou-o na Direcção do Museu Oceanográfico de Mónaco e na Comissão Administrativa para a manutenção das Instituições Oceanográficas do Príncipe de Mónaco, por disposição testamentária. Barrois, Dollfus, Latzel e outros citam-no e fazem-lhe referências elogiosas nas suas obras. Como homenagem, foi dado o seu nome a espécies e géneros de crustáceos e peixes. Colaborador de Carlos Machado no Museu que viria a ter este nome por proposta sua, e com quem partilhou a direcção, passou, em 1901, por morte daquele, a ser o seu único director.
A sua autoridade como meteorologista levou-o a quase toda a Europa e os seus trabalhos sobre magnetismo, a África. Homem de referência e ponto de contacto, integrou diversas comissões e associações internacionais de que se destacam a Comissão Internacional para a Exploração Científica do Oceano Atlântico, o Comité Meteorológico Internacional e a Associação Meteorológica Internacional. Representou Portugal em eventos vários, no estrangeiro.
Na sua bibliografia constam cerca de quatro dezenas de trabalhos, comunicações e relatórios científicos, alguns publicados no estrangeiro. Fez conferências de divulgação científica e colaborou em diversos jornais do arquipélago. Editou os volumes XI a XIV do Archivo dos Açores e confiou a sua continuação a Armando *Côrtes-Rodrigues.
No Liceu de Ponta Delgada, entre 1885 e 1888, ensinou Física, Química e História Natural que estudou na antiga Escola Politécnica, em Lisboa, no curso de ciências, preparatório para os futuros oficiais do exército e da marinha, e no curso mais aprofundado de Físico-matemáticas, na mesma Escola, de que viria a desistir, por motivos de saúde, em 1879.
A sua biografia é conhecida, entre outros, pelos trabalhos de Côrtes-Rodrigues (1927), Agostinho (1927, 1936), Richard (1930) e Ferreira (1959). Luís M. Arruda (2001)
Obras Principais (1885), Observações sísmicas e astronómicas. L'Astronomie, Paris, 4: 63. (1886), Observações sísmicas e astronómicas. L'Astronomie, Paris, 5: 428. (1890), Des formes extérieures du cachalot. Journal d'Anatomie et Physiologie: 270-272 [em colaboração com Jorge Pouchet]. (1893), Observações sísmicas e astronómicas. L'Astronomie, Paris, 12: 231. (1894), Contribuição para os estudos hypsométricos dos Açores - Altitude do Pico. Archivo dos Açores, XII: 248-255. (1900), Rapport sur l'établissement projété du service météorologique international des Açores. Mónaco, Imprimerie de Monaco. (1902), Sur le service météorologique des Açores. Copenhaga, Congresso Marítimo Internacional. (1904), On the meteorological service of the
Bibl. Agostinho, J. (1927), Necrologia: Francisco Afonso Chaves. Bollettino della Società Sismologica Italiana, 27, 2: 87-92. Id. (1936), A vida e a acção do coronel Francisco Afonso Chaves. Ponta Delgada, Ateneu Comercial. Albert I de Monaco (1907), Sur une mission du Commandant Chaves en Afrique. Comptes rendus de l'Academie des Sciences de Paris, 144: 119. Côrtes-Rodrigues, A. (1927), Coronel Francisco Afonso Chaves. Archivo dos Açores, XIV: 427-434. Ferreira, E. (1936), Coronel Francisco Afonso Chaves, o naturalista. Açoreana. 1, 3: 135-146. Ferreira, H. A. (1959), Afonso Chaves, primeiro director do serviço meteorológico dos Açores. Publicações do Serviço Meteorológico Nacional, RT 457 /Mem 132/ 11 Mai 59. Richard, J. (1930), Notice biographique sur le colonel F. A. Chaves. Bulletin de l'Institute Océanographique de Monaco, 557. Sousa, F. A. M. (1987), Afonso Chaves e o século XIX micaelense. Açoreana, 4, 3: 180-194.
