chavão

Pequeno cunho de madeira usado para marcar os bolos, vésperas ou rosquilhas oferecidos pelas festas do Espírito Santo, nas ilhas de S. Jorge, Pico e Graciosa.

Estes cunhos são geralmente feitos de madeira de cedro ou de buxo (faia-da-Índia em S. Jorge) e talhados à navalha. Entre os motivos talhados predominam, como é natural, os motivos simbólicos do culto do Espírito Santo – a pomba e a coroa – mas aparecem também motivos florais estilizados, religiosos (a cruz e a hóstia) e figurativos (os corações, por exemplo).

Os desenhos dos chavões são gravados sobre os referidos bolos, feitos de uma massa mais dura e menos doce que a massa sovada, de formato circular e baixos, dando-lhe uma aparência final muito característica. Têm uma função decorativa, mas servem também para identificar o irmão e a sua família, o império ou a irmandade, nos bolos que aqueles se comprometem a dar a fim de serem generosamente distribuídos durante as festividades dos domingos de Pentecostes, da Trindade ou da Segunda-feira do Espírito Santo. Embora domine nestas festas açorianas o espírito da abundância e da prodigalidade, a qualidade material e estética do bolo, da massa e dos seus motivos, não deixam de ser apreciados. Não é pois surpreendente que os chavões sejam cada vez mais valorizados, ciosamente guardados pelas famílias ou ainda objecto de interessantes colecções. Helena Ormonde (Mai.2001)

Bibl. Cunha, R. A. P. T. T. (2000), Da Tecelagem ao Trajo, Aspectos da Vida Jorgense. Angra do Heroísmo, BLU. Leal, J. (1994), As Festas do Espírito Santo nos Açores. Lisboa, Dom Quixote.