Chateaubriand, François René (visconde de)

[N. St. Maló (França), 4.9.1768 – m. Paris, 4.7.1848] Escritor francês, célebre. Viajou pela América e de regresso a França, quando a Revolução estalou, emigrou, em 1972, servindo no exército dos emigrados. Durante a Restauração foi embaixador e ministro dos Estrangeiros. Escreveu Voyage en Amérique, Essai sur les révolutions e Mémoires d’Outre-Tombe, a sua obra mais característica, e outras. O seu estilo, a sua imaginação e o seu poder descritivo garantiram-lhe um lugar destacado nas letras francesas da primeira metade do século XIX.

Nas 3 obras referidas acima encontram-se referências à ilha Graciosa que o escritor visitou no dia 6 de Maio de 1791, na sua viagem para a América. Na primeira daquelas obras escreveu: «[...] pelas 8 horas da manhã, descobrimos o Pico, uma ilha dos Açores; algumas horas depois largámos ferros num lugar mau com fundo de pedra, em frente da ilha Graciosa, cuja notícia se encontra em Essai Historique.... Ignora-se a data precisa de seu descobrimento. Foi a primeira terra estranha a que aportei; por essa razão deixou-me uma saudade, que conserva em meu peito a impressão e a alegria da juventude».

Em Mémoires d’Outres-Tombe, escreveu: «A ilha Graciosa, onde eramos surtos, apresentava-nos aos olhos os seus outeiros à feição de anforas etruscas, bojudos e arredondados; vestidos de trigos verdes, e a desparzirem uma fragância cereal mui suave, que é só das searas dos Açores. Por entre aquele estendido tapete de verdura se enxergavam os compartimentos das fazendas, muros inssosos de pedras alvas e negras, segundo das entranhas as vomitaram os vulcões. No alto de um cabeço avultava um convento [a igreja do Monte da Ajuda e as casas dos romeiros], lembrança do mundo antigo no meio daquela terra nova; pela falda do outeiro reluziam espelhentos os telhados vermelhos da vila de Santa Cruz. No mar sereno retratava-se, revirado, o contorno da ilha com todas as suas nativas fantasias e variedades de baías, cabos, angras e promontórios. Alcantis de penedias debruçadas e penduradas para cima das ondas lhe teciam da parte de fora cinto brutesco e seguro antemural contra tempestades. No fundo do painel ressaía, piramidal cónico, o vulcão do Pico, que dirieis encravado lá em cima de um zimbório de núvens. Com aquele fantasma da outra ilha se rasgava, por trás da nossa Graciosa, a perspectiva da imensidade aérea» (cf. Moniz, 1981).

Raposo (1942) refere alguns episódios desta visita, transcritos, parcialmente, por Cortes-Rodrigues (s.d.). Luís M. Arruda (2002)

Obras. (1797) Essai historique, politique et moral sur les Révolutions anciennes et modernes. Londres, 2 vol. (1849), Mémoires d'outre-tombe. Bruxelas, Meline, Cans. (1857), Voyage en Amérique. Prais, Gabriel Raoux.

 

Bibl. Cortes-Rodrigues (S.d.), Os Açores. Lisboa, Livraria Bertrand [Antologia da terra portuguesa, 14]. Moniz, A. B. C. (1981), Ilha Graciosa (Açores) Descripção histórica e topographica. 2ª ed., New Bedford, MA, Promotora Portuguesa, Inc. Raposo, H. (1942), Descobrindo ilhas descobertas. Lisboa.