Charrua, O (José de Sousa Brasil)
[N. Cinco Ribeiras, ilha Terceira, 24.6.1910 m. ?, 5.8.1991] Poeta popular. Foi empregado na messe da Base, por conta dos americanos. Sabia ler e escrever com desembaraço. Esteve dezanove vezes na Califórnia a cantar para os emigrantes portugueses. Deslocou-se às Bermudas, com a mesma finalidade. Participou em várias cantorias nas ilhas de S. Miguel, S. Jorge e Graciosa, onde foi sempre muito aplaudido pelas pessoas.
O Charrua foi um improvisador repentista que poucos conseguiram igualar. Ele imprimiu à sua poesia um cunho sentimental, por vezes amargo, por vezes jocoso que ultrapassa, muito de longe, os códigos da própria erudição.
A discutir com o Luís Carlos Ferreira sobre o erro do homem, disse: «Cai o pequeno, cai o grande, / Cai quem ultrapassa a norma, / Até o sábio que se expande / Dá quedas da mesma forma.»
Quando o Gaitada cantou pela primeira vez com o Charrua, este disse no início do desafio: «Veio o Ramo Grande em peso / Pra ouvir cantar o rapaz; / Para o verem, agora, preso / Nas garras de Satanás.» J. H. Borges Martins (2006)
