Charles W. Dabney & Sons
A partir de 1868, Charles William Dabney, negociante americano residente na cidade da Horta, e seus filhos, passaram a identificar com esta designação a sua casa comercial. Charles William Dabney assumira desde a data da morte de seu pai, John Bass Dabney, ocorrida no ano de 1826, a direcção dos negócios da designada Casa Dabney, a mais importante da ilha do Faial e, nos Açores, uma das de maior prestígio junto dos meios ligados à navegação e comércio no Atlântico Norte. À data em que se constituiu a firma, estava a chegar ao seu termo a idade de oiro dos Dabney.
Até à partida do último representante da família, em 1892, a casa assegurou um diversificado leque de actividades, com destaque para o armamento de navios operando o serviço de passageiros e carga entre os portos dos Açores e da costa Leste dos Estados Unidos; agentes de navegação com particular intervenção na assistência à frota baleeira dos Estados Unidos e na baldeação do óleo de cetáceo no porto faialense; aprovisionamento e reparação de navios; abastecimento de carvão; comércio de importação e exportação e ainda a execução de operações de natureza prestamista.
O acentuado decréscimo do comércio do vinho verdelho da ilha do Pico com exportações significativas através do porto da Horta em que a participação da Casa Dabney era dominante; a destruição da cultura da laranja na ilha do Faial verificada quase em simultâneo; as alterações tecnológicas no domínio da navegação marítima com a progressiva afirmação do navio a vapor, sobretudo a partir de meados do século, em detrimento da navegação à vela, atingindo os interesses dos Dabney enquanto armadores e agentes e, por fim, a crescente afirmação da Casa Bensaúde, estabelecida na Horta na década de 60, disputando aos Dabney o predomínio até então exercido nas mesmas áreas de negócios, tudo isto, a que deverá adicionar-se a morte do patriarca da família, em 1871, determina a entrada em declínio da Charles William Dabney & Sons.
Porém, não obstante a evidente perda de importância do diversificado leque de actividades da família Dabney no Faial, a firma deu continuidade aos negócios até 1892, data em que Samuel Willys Dabney abandonou a ilha, pondo termo a quase um século de uma presença de grande impacto na vida sócio-económica local e dos Açores. Ricardo Madruga da Costa (Abr.2001)
Bibl. Afonso, J. (1987), Baleação pelos Açores na dinâmica Atlântica desde o século XVIII. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 45, II: 1275-1289. Costa, R. M. M. (1991-92), Algumas notas sobre o 1.º cônsul geral dos EUA nos Açores e um contributo para uma bibliografia sobre os Dabney. Boletim do Núcleo Cultural da Horta, 10: 89-140. Id. (1996-97), Breves notas para a história do porto da Horta (Seguidas da transcrição da correspondência Dabney-Bensaúde), Ibid.: 12: 9-109. Id. (1996-97), O século Dabney no Fayal. Subsídios para a compreensão de uma estratégia. Ibid.: 12: 143-150. Dabney, R. L. (ed.) (1899), Annals of the Dabney familiy in
