cestos

Apareceram nos Açores logo após o povoamento e cedo começaram a ser feitos no arquipélago como indicia o início da cultura do vimeiro ou vimieiro (Salix viminalis e S. fragilis) que é praticada, pelo menos na ilha de S. Miguel, desde o século XV, segundo se deduz de alguns topónimos (Ribeira dos Vimes, hoje Ribeira do Salto, e Grota dos Vimes) referidos por Frutuoso (1931). Encontram-se referências ao uso de cestos para guardar o pão, no fim daquele século, em Frutuoso (1931), para transporte de géneros agrícolas e até para guardar leite talhado.

Para a confecção dos cestos são usados: (a) vimes crus, isto é com a casca, muitas vezes misturados na tecelagem com hastes de álamo, quando se destinam a trabalhos rústicos, e (b) vimes cozidos, e depois descascados, quando destinados a obra fina. O cesteiro começa o artefacto pelo fundo, com a parte mais grossa dos vimes, construindo um pequeno entrançado ou encruzamento, por forma a obter uma espécie de teia de aranha. Daqui irradiam as hastes para as paredes que são, por conveniência de trabalho, amarradas em feixe nas pontas superiores. As paredes surgem até à altura desejada e terminam com o remate da obra, uma espécie de encordoado, resistente, que serve de bordo.

Os cestos adquirem nomes específicos relacionados com a sua forma ou a sua capacidade. Assim, ainda são comuns em todas as ilhas as designações: (a) cesto-de-asa, para aqueles, geralmente de pequena capacidade, facilmente transportados por uma pessoa que o suspende de uma asa; (b) cesto-de-duas-asas, para aqueles de maior capacidade, transportados por duas pessoas, que o suspendem cada um de sua asa. De acordo com o uso que lhe é dado são conhecidos como: (a) cesto-de-peixe, usado pelos vendedores de peixe; (b) cesto-de-acarrear ou cesto-de-carregar, usado para carregar produtos, em geral agrícolas, e tomando a designação do produto transportado, v.g., cesto-do-milho, usado durante a apanha das espigas (maçarocas), cesto-da-fruta, para a colheita, transporte e venda da fruta, cesto-vindimo ou cesto-das-vindimas, para o transporte das uvas durante as vindimas; (c) cesto-de-carrete, designado nalgumas regiões de S. Miguel por cesto-de-pastel, de grandes dimensões que era utilizado para o transporte das folhas daquele planta tintureira; (d) cesto-de-estercar, para o transporte de estrume (esterco); (e) cesto-de-pastel, para o transporte de pastel; e (f) cesto-de-barrela, destinado às barrelas de roupa. De acordo com a sua capacidade são conhecidos: (g) cesto-de-almude, com a capacidade de um almude; e (h) cesto-de-leiva, usado em S. Miguel, como medida para aquele produto. O cesto-de-dízimo ou cesto-de-dizimar servia para a cobrança deste imposto quando ele era pago em género. A designação cesto-de-búchelo, também pronunciado cesto-de-bucho (do inglês bushel) é usada na ilha das Flores e refere-se a um cesto com a capacidade de 40 l.

Também se faziam cestos-de-queijos, baixos e de paredes verticais, e cofinhos, açamos ou açaimos, pequenos cestos circulares de aplicar no focinho dos animais. Ver agricultura agrimensura. Luís M. Arruda (Nov.2002)

Bibl. Barcelos, J. (2001), Falas da ilha das Flores, Vocabulário regional. S.l., ed. do autor. Costa, C. (1950), Cestos de S. Miguel. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 11: 101-105. Id. (1946), Terminologia agrícola micaelense. Ibid., 4: 91-98. Frutuoso, G. (1931), Livro Quarto das Saudades da Terra. Ponta Delgada, Tip. Diário dos Açores, 1: 325, 329; 2: 37, 51. Ribeiro, L. (1943), O pastoreio na Ilha Terceira. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1: 116.