Cerveira
Das ilhas Terceira e S. Jorge. Está ainda em estudo a hipotética ligação entre os Cerveiras de Angra, ilha Terceira, e os da Vila Nova do Topo, em S. Jorge. O primeiro que surge a usar este apelido em Angra é Estêvão Cerveira (a que os genealogistas chamam Estêvão Borges da Costa, ou Cerveira Borges, mas que se encontra nos registos paroquiais da freguesia da Sé, em Angra, apenas e só como Estêvão Cerveira), nascido nos finais do terceiro decénio do século XVI, e filho de Manuel da Costa Borges e de sua 2ª ou 3ª mulher, Ana Gaspar (Leitão). O apelido da mãe de Estevão Cerveira talvez se possa confirmar através do assento de casamento de Luzia Leitão, na freguesia da Sé, Angra, em 6 de Julho de 1584, onde esta Luzia é expressamente mencionada como sobrinha de Estêvão Cerveira e filha de Baltazar Álvares (ou Gonçalves) e de sua mulher Catarina Leitão, fregueses que foram da vila de Almada.
De facto existe, pelo menos, um ramo de Leitões-Cerveiras continentais, individualizado por Moraes (1943-48). Trata-se de Teodósia Leitão, filha de João Cerveira e neta de Joana Leitão, que veio a ser a 2ª mulher de seu primo Salvador Correia, este, filho de Rui Leitão e de Ana Correia, irmã de Gabriel Correia, prior de Belas, junto a Lisboa. Parecem coevos, e espacialmente próximos, mas a cronologia disponível é insuficiente, e nada de concreto permite afirmar que seja este o tronco de origem da mãe de Estêvão Cerveira, de Angra.
Estêvão Cerveira casou, na segunda metade do século XVI, com Ana Borges da Silveira, filha de João da Silveira o velho e de sua mulher Guiomar Borges Abarca. E sobre esta Ana, fr. Diogo das Chagas escreve que era dos do Topo e irmã de Bárbara da Silveira Borges, nascida cerca de 1543, que se sabe ter vivido no Topo, S. Jorge, onde deixou descendência, embora se ignore o nome do seu marido. Não é de excluir liminarmente que tenha casado a troco com um irmão desconhecido de Estêvão Cerveira, e que este apelido tenha chegado à vila do Topo através de João da Silveira Borges, Guiomar da Silveira Borges (esta casada com um Manuel Gonçalves, a que os genealogistas acrescentam, por vezes, o apelido Borges) ou Pedro da Silveira Borges. No campo das hipóteses também não se pode excluir que um descendente de Estêvão Cerveira tivesse vivido no Topo, junto de sua tia Bárbara. Mas, de concreto e documentado, apenas se sabe que viveram na vila do Topo vários possíveis parentes, nascidos cerca de 1575-1600, o que permite situar alguns deles na geração dos filhos de Bárbara da Silveira Borges, acima referidos. Trata-se, entre outros com perfil menos nítido, de Francisco Cerveira, nascido cerca de 1574 e falecido no Topo a 26 de Abril de 1642, casado com Maria Gaspar, falecida na mesma a 22 de Abril de 1642, cujo filho, Pedro Cerveira, casa no Topo, em 27 de Outubro de 1633 com Madalena de Lemos, viuva de Gaspar Gomes; outro filho, Manuel Cerveira, casou na mesma, a 16 de Janeiro de 1634, com Isabel Dias, e a filha, Catarina Gaspar casou com João Pereira Dias ; de Ana Cerveira, que nasceu ao redor de 1585 falecida na mesma em 18 de Janeiro de 1647, casada com Baltazar Luís, e cuja filha Barbara Luís Cerveira, casou com António da Cunha de Agueda; de Maria Cerveira, nascida cerca de 1594, mulher de Pedro Mendes de Vasconcelos, cujo filho Manuel Mendes de Vasconcelos casou no Topo, em 1644, com Maria Antónia, e tiveram ainda, Pedro Mendes de Vasconcelos, Maria Cerveira e Luzia Furtado de Mendonça; Lázaro Cerveira, nascido cerca de 1595, que casou pela primeira vez com Antónia Lopes Gonçalves, e a segunda com Apolónia Marques Cardoso, descendente de Simão Eanes Pires, povoador e instituidor da capela do Espírito Santo, na Matriz do Topo Uns e outros deixaram descendência no Topo que usou o apelido Cerveira, o que parece não ter sucedido na Terceira, e surgem incluídos numa das famílias alargadas da vila Nova do Topo que, nos finais do século XVI, não ultrapassava os 60 fogos, referimo-nos aos Freitas, Rosas, Ferreiras, Dias Marques e Lopes, ligados por fortes laços de endogamia. Manuel Lamas (Set.2002)
Bibl. Moraes, C. A. (1943-48), Pedatura Lusitana. Porto, Liv. Fernando Machado, VI: 233, §3.
