cerâmica
É feita à semelhança de quem a usa e, por isso, se harmoniza às necessidades quotidianas do povo que a criou ou que a adoptou. A cerâmica açoriana não foge a esta regra e, se no início da descoberta e povoamento das ilhas a cerâmica utilizada provinha de Portugal continental, com o decorrer dos anos e o «achamento» de barro em terras açorianas passou também a ser produzida em algumas das ilhas.
É provável que os primeiros oleiros que aqui se estabeleceram tivessem vindo de Portugal continental e com eles trouxessem as técnicas e as formas das peças que estavam habituados a produzir. O pe. Ernesto Ferreira sugere que a olaria de Vila Franca teve influências da olaria de Estremoz (Ferreira, 1943: 47). Wilhelm Giese vê grandes semelhanças entre a talha de Vila Franca do Campo e o cântaro algarvio (Giese, 1959: 8). Eduíno Borges Garcia, um açoriano estudioso das produções cerâmicas dos Açores, em artigo ainda inédito, põe a hipótese dos primeiros oleiros de Santa Maria terem vindo de terras do sul, talvez de Flor da Rosa, no Alto Alentejo (Garcia, 1977). Eduíno escreveu também um artigo onde analisa qual a «origem e parentesco da loiça» de Vila Franca do Campo, em S. Miguel (Garcia, 1971c).
Mas, aos Açores não chegaram apenas alentejanos e algarvios e, no decorrer dos séculos, é provável que para solo açoriano viessem produzir loiça oleiros de outras regiões de Portugal continental. Está ainda por fazer um estudo demográfico profundo, por exemplo a partir dos registos paroquiais, que nos permita verificar (assim seja de facto possível) a migração de oleiros de Portugal continental, e de que regiões, para os Açores.
Um outro modo de tentar analisar de onde vieram os oleiros que iniciaram a produção olárica nestas ilhas, ou que a foram mantendo ao longo dos séculos, é através do cotejo, em Portugal continental e nos Açores, quer das técnicas de produção cerâmica quer do vocabulário próprio de cada local usado para designar as diversas tarefas. Por exemplo, o modo de preparar o barro ainda hoje em uso nas olarias de Vila Franca do Campo, e que foi também corrente nas ilhas Terceira e das Flores, é muito semelhante ao utilizado na primeira metade do século XX na região centro de Portugal continental (Fernandes, 2002). Ou seja, os oleiros para conseguirem uma mistura homogénea molham o barro previamente com água e pisam-no com os pés sobre uma camada de areia muito fina (Garcia, 1971b; Garcia, 1972d; Garcia, 1973; Martins, 1985: 8-9). Por outro lado, as técnicas utilizadas para o fabrico de telha nas ilhas Terceira, Graciosa e Flores (Garcia, 1972c; Garcia, 1972e; Garcia, 1973) eram também utilizadas em Portugal continental, por exemplo, no Minho e em Trás-os-Montes (Santos, 1975: 38; Aguiar, 1909: 187). Nestes locais, Terceira, Graciosa, Minho e Trás-os-Montes, o barro consumido na produção de telha era amassado pelas patas de bovinos numa espécie de eira.
Parece-nos pois muito provável (mas torna-se necessário proceder a investigações mais aprofundadas) que a cerâmica açoriana tal como chega aos nossos dias tenha sofrido ao longo dos séculos influências de diferentes centros de fabrico cerâmico continentais, consubstanciadas ao sabor das levas migratórias que se foram realizando. E, é também muito provável, que com o decorrer dos anos as peças cerâmicas se tenham adaptado às necessidades próprias da população açoriana, nascendo novas peças ou readaptando-se as antigas às necessidades da população que as utilizava.
Entre as peças que podemos considerar produzidas para servir usos específicos do quotidiano açoriano refira-se, por exemplo, a sertã, o cuscuzeiro, a «miséria», o prato de fava, a caçarolinha e a tigelinha de beber vinho. A designação «miséria» é utilizada para descrever pequenos pratos de faiança lagoense, com diâmetro entre 15 e 20 cm, utilizados para serviço e ingestão de alimentos (Fernandes, 1999: 58 e 70-71, fig.143 e 145). Explicita Francisco Carreiro da Costa: «a miséria é a designação dada pelos artífices aos pequenos pratos que os trabalhadores do campo usam para levar o conduto na cesta de trabalho», sendo que «conduto é tudo o que se come com o pão: carne, peixe, queijo, etc.» (Costa, 1941: 192 e 194). O «prato de fava», mais pequeno do que a «miséria», tinha cerca de 13 cm de diâmetro, e era, tal como o nome o indica, utilizado no serviço e ingestão de favas torradas, guloseima tão do agrado dos açorianos (Fernandes, 1999: 57). Estes pequenos pratos de faiança, as «misérias» e os «pratos de fava», produziam-se tanto na Cerâmica Vieira como na Cerâmica Leite, na Lagoa, ilha de S. Miguel, e têm um encanto muito especial. Refiram-se ainda as caçarolinhas, com bico e duas asas, e as tigelinhas, ambas em barro, utilizadas para beber vinho e produzidas na Ilha Terceira (Garcia, 1972d; Fernandes, 1999: 120-121: fig. 262 e 265). Rui de Sousa Martins teve o cuidado de estudar a produção de peças destinadas a ser utilizadas na pesca e feitas pelos oleiros de Vila Franca do Campo: pesos de rede e caçarolas de apanhar polvo. De novo estamos na presença de utensílios criados para responder às necessidades específicas da população na qual os oleiros se integram (Martins, 1993b: 163-200).
Mas o encanto da cerâmica açoriana reside também no reencontro que nela se faz com usos, terminologias e formas cerâmicas hoje arcaicas e desconhecidas em Portugal continental mas que nas ilhas continuam a ser, ou foram até há muito pouco tempo, uma constante. Demos alguns exemplos. Eduíno Borges Garcia (Garcia, 1972a), e mais recentemente Rui de Sousa Martins (Martins, 1995 e 1996b: 19), na esteira de Francisco Carreiro da Costa (Costa, 1991b, II: 567-571), estudaram o modo de produção de um recipiente de barro amplamente utilizado pelos açorianos para «fazer o bolo de sertã, assar chicharros ou ainda fazer milho de freiras ou freirinhas, torrar milho ou favas» (Garcia, 1972a e 1973). Esta peça cerâmica ganha diferentes designações consoante a ilha onde é produzida: sertã (Costa, 1991b, II: 567-571), cozideira ou tijolo (Martins, 1995, 1996b: 19 e 1999). O termo sertã, ao contrário do que afirma Eduíno Borges Garcia (Garcia, 1972a), é ainda hoje utilizado no norte de Portugal continental (no sul é que se chama frigideira), para designar um utensílio de ferro com pega comprida usado sobre a chama e no qual se fritam os alimentos, por exemplo peixe ou carne, em gordura banha, azeite ou óleo. Esta sertã de ferro usada no norte de Portugal continental entronca na sertã medieval também de barro referida, por exemplo, no ano de 1382, no «título dos oleiros» do «Regimento da cidade de Évora» (Fernandes, 1993: 30-32, fig. 42 e 1999: 16-17). Nas posturas camarárias terceirenses de 1788, faz-se referência à existência de frigideiras de quatro asas grandes e outras de tamanho menor (Ribeiro, 1982: 580). Estas peças não chegaram até aos nossos dias, mas deveriam ter forma e função diferente das sertãs, tijolos ou cozideiras açorianas actuais. Esta sertã setecentista terceirense seria provavelmente utilizada para frigir os alimentos em gordura, tendo por isso paredes mais altas, enquanto que as sertãs, tijolos ou cozideiras que chegaram até aos nossos dias servem para assar ou «torrar» os alimentos e não para os fritar. Conhecemos frigideiras de quatro asas produzidas ainda no século XX nas olarias do Telhado (Fundão, Castelo Branco), que se encontram nas colecções do Museu de Olaria, e que deveriam ser semelhantes às frigideiras setecentistas terceirenses. Rui de Sousa Martins, em estudo cuidado e de leitura obrigatória, analisa em pormenor os modos de produção e utilização da sertã, tijolo ou cozideira nas ilhas das Flores, Graciosa e S. Miguel (Martins, 1999). Este utensílio, indispensável em qualquer antigo lar açoriano, é mais uma prova da «adaptação» dos oleiros aos usos e hábitos alimentares das populações onde se inserem.
Também o termo «enfusa» usado para designar uma peça açoriana nos traz reminiscências medievais. A infusa é, de um modo genérico, uma vasilha com bico e asa oposta ao bico, para serviço de líquidos. O termo enfusa ou infusa aparece referido em várias taxas de preços ou regimentos de oleiros: Évora, 1375-1395 e 1392; Guimarães, 1552; Lisboa, 1572; Coimbra, 1573; Montemor, 1646; Barcelos, 1718; Guimarães, 1719; Aveiro, 1727; Lisboa, 1797 (Fernandes, 1993). Ainda hoje, no Minho e no Douro Litoral, se bem que cada vez utilizado por menos pessoas, o termo infusa serve para designar uma vasilha com bico e asa oposta ao bico, para serviço de líquidos, seja qual for o material em que é feita (loiça fosca, vidrada, esmaltada, de vidro ou de plástico). Nos Açores, o termo enfusa ou infusa serve também para designar uma vasilha com bico e asa oposta ao bico, para serviço de líquidos, em Vila do Porto (Santa Maria) (Fernandes, 1993: 107, fig. 246) e na Lagoa (S. Miguel) (Costa, 1941: 190). E, mais concretamente, vasilha para conter leite, produzida em Vila Franca do Campo (S. Miguel) (Rodrigues, 1968a: 244; Fernandes, 1993: 24, fig. 25).
Outra peça com interesse é o cuscuzeiro que se produzia em Vila do Porto, na ilha de Santa Maria (Fernandes, 1993: 106, fig. 245). Em Portugal continental, a preparação de cuscus, tão ao gosto do Norte de África e ainda amplamente consumidos em Cabo Verde, deixou há muito de ser um prato corrente na alimentação. No entanto, constata-se que em Coimbra, em 1573, se produziam cuscuzeiros de loiça vidrada (Fernandes, 1999: 19). É interessante esta permanência do uso do cuscuzeiro de loiça fosca, nos Açores, até pelo menos à primeira metade do séc. XX.
O nosso olhar poderia recair sobre muitas outras peças produzidas nas olarias açorianas como, por exemplo, o canudo (Fernandes, 1993: 62-63, fig. 127), o canjirão (Fernandes, 1993: 66; Bettencourt, 1996: 140-144), ou o fogareiro para queimar incenso (Fernandes, 1993: 15, fig. 11). No entanto, iremos apenas debruçar-nos com mais acuidade sobre o tenor ou capitão produzido nas olarias de Vila Franca do Campo. O tenor ou capitão vilafranquense é uma recipiente usado nos cuidados de higiene pessoal e serve para receber os dejectos da defecação (Ribeiro, 1983: 115-116). Tem uma forma tronco-cónica seccionada, alargando da base para o topo e possui bordo formando aba (Rodrigues, 1968a: 241 e 244; Fernandes, 1993: 18, fig. 15). Estes bacios de noite, com cerca de 25 a 30 cm de altura, têm forma bem diferente do penico baixo e bojudo de faiança usado, ainda nos meados do séc. XX, em quase todos os lares de Portugal continental. Estes bacios altos têm também uma origem bastante arcaica. Sob a designação de «servidor» feito em barro fosco ou de «servidor vidrado de dentro» ou «vidrado de dentro e de fora», estes vasos de noite eram vendidos, em Guimarães, corria o ano de 1552 (Fernandes, 1999: 17-18). Com a mesma designação de «servidor», feito em loiça vidrada de verde, aparece-nos também, em Lisboa, em 1572 (Fernandes, 1999: 18). Em 1573, em Coimbra, este vaso de noite passa a chamar-se «privado», é feito em barro fosco e vendido «com testo», obrigando o regimento a que fosse «bem cozido e forte» e que tivesse, o maior, «dois palmos em alto» (Fernandes, 1999: 18). O interessante nesta taxa coimbrã é a existência destes vasos de noite feitos também para crianças privado «para meninos e crianças pequenas». Em Coimbra, em 1573, faziam-se privados de loiça vidrada, «com seu testo de cobrir, sendo bem acabado e forte» e tendo «dois palmos em alto por maior que seja» (Fernandes, 1999: 19). E, desde pelo menos o século XVI até ao século XX, estes bacios de noite de forma tronco cónica e altos, designados privados, servidores, bacios servidores, bispotes, calhandros ou doutores, continuaram a ser produzidos. No entanto, desde o século XIX que cada vez mais, nas casas nobres e da burguesia, se começa a dar preferência ao penico de faiança, baixo e bojudo, mais adaptado ao novo mobiliário do quarto de dormir, no qual a mesinha de cabeceira passa a dispor de uma divisão para o guardar. É interessante verificar como nos Açores este bacio alto, designado tenor ou capitão, continuou a ser produzido quase até hoje, enquanto que em Portugal continental praticamente desapareceu em meados do século XX.
Mas, depois destes olhares cruzados sobre a produção açoriana procurando, por um lado, enquadrá-la no contexto mais amplo das produções e usos da cerâmica nacional e, por outro, buscando a sua individualidade e características próprias , convém que se diga onde e desde quando se produziu loiça em terras açorianas.
O grosso da produção olárica situava-se quer nas ilhas de S. Miguel e Terceira quer na ilha de Santa Maria, onde existia o melhor barro. Houve, no entanto, produção de loiça noutras ilhas: Graciosa, S. Jorge, Faial, Flores e Pico. A produção de telha generalizou-se por todas as ilhas, servindo as necessidades básicas de uma população que precisava de cobrir os telhados com telha de modo a proteger-se de chuvas frequentes. A faiança apenas se produziu nas ilhas de S. Miguel e na Terceira.
A ilha de Santa Maria é aquela que possui melhor barro, desde cedo exportado para as ilhas vizinhas. A exploração desta matéria-prima foi durante vários séculos uma importante fonte de rendimento para o concelho (Costa, 1941: 184-185; Ribeiro, 1996: 66-69). Não podemos deixar de chamar a atenção para o modo como o barro era preparado para ser transportado até pelo menos o terceiro quartel do século XX. Não conhecemos a utilização deste modo «original» de preparação do barro para transporte em nenhuma barreira existente em Portugal continental ou insular (Fernandes, 2002). Para que se entenda a técnica utilizada transcreve-se um texto bem elucidativo de Eduíno Borges Garcia: «Ainda não há muito anos, o barro era expedido, não em talhadas, ou tal qual a enxada o corta, mas sim sob a forma de bolas. (...) O operário trabalha no barreiro, dentro de uma cova, com cerca de um metro de fundura. De dentro da depressão, vai cavando, com uma enxada de lâmina estreita, uma certa porção de barro da parede da cova. Sentado no chão ou numa pedra, tem na sua frente uma outra pedra com uma concavidade semi-esférica, com uns dez centímetros de diâmetro. Toma uma certa porção (mancheia) de barro que atira e vai batendo e rolando de encontro à concavidade, até que tome a forma esférica. Quando a bola está formada, atira-a para o chão que fica um metro acima da cova. (...) O sistema de transporte em bolas tinha a vantagem de ser mais fácil e limpa a sua arrumação a bordo dos barcos. Não havia quebras e o controlo da qualidade estava resumido a uma simples contagem» (Garcia, 1971a). Existe no Museu de Olaria, em Barcelos, uma dessas pedras de fazer bolas de barro, oferecida pelo barreireiro de Vila do Porto, Francisco Pacheco, bem como algumas bolas de barro (Fernandes, 1993: 114 e 117).
Mas, na ilha de Santa Maria, também se produzia olaria, mais concretamente em Vila do Porto e Santo Antão (Ribeiro, 1996: 67-69). Quando esta produção começou, não se sabe, o certo é que no final do séc. XX já se encontrava extinta (Garcia, 1971a). Entre as peças mais conhecidas feitas por estes oleiros destaca-se o talhão de Santa Maria que era também exportado para as outras ilhas. Pequeno ou de avantajadas proporções este era imprescindível nos lares açorianos, servindo quer como reservatório para água quer para armazenamento de cereais (Costa, 1991a, 531; 561-567; Fernandes, 1993: 105-117).
Situam-se na ilha de S. Miguel três dos centros cerâmicos que chegaram até aos nossos dias: Vila Franca do Campo, com a sua loiça vermelha fosca (Ferreira, 1922); Bandejo (Ribeira Seca, da Ribeira Grande), onde se produz telha, sertãs e tampas de panela; Lagoa, de onde sai a encantadora faiança açoriana produzida na Cerâmica Vieira. Tudo indica que nos primeiros tempos da ocupação do solo açoriano os colonos instalados na Ilha de S. Miguel se tivessem servido da loiça de barro que levaram de Portugal continental ou que tenham recorrido a loiça produzida noutros materiais, isso afirma o cronista do século XVI, Gaspar Frutuoso (Frutuoso, 1981: 183 e 202), sempre citado por todos os autores que se têm dedicado ao estudo da cerâmica açoriana. No entanto, a produção de loiça em S. Miguel parece remontar ao período quinhentista pois, em documentos dessa época, há referência a dois oleiros a laborar em Ponta Delgada João F[e]r[nande]z, em 1574, e Domingos G[onça]l[ve]z, em 1577 (Ataíde, 1974, II: 483 e 481). Nos séculos XVII e XVIII, e também em Ponta Delgada, havia uma comunidade de oleiros com importância (Ataíde, 1974, II: 137, 479-487). A primeira referência documental à existência de oleiros em Vila Franca do Campo parece apenas surgir, em 1670 (Dias, 1948: 69). No século XX, a loiça produzida nas olarias de Vila Franca do Campo era conhecida como «loiça da Vila», utilizando-se como matéria prima o barro proveniente da ilha de Santa Maria. Destes oleiros, que trabalhavam ao torno, saíam peças diversas que Armando Cortes Rodrigues e, mais recentemente, Rui de Sousa Martins enumeram nos seus textos (Rodrigues, 1968a: 244; Martins, 1996a).
Francisco Carreiro da Costa, refere a data de 1823 como a de uma primeira tentativa mal sucedida para produção de faiança na ilha de S. Miguel (Costa, 1941: 185). O mesmo autor informa também que a faiança se deve ter começado a produzir, no lugar da Pranchinha, em Ponta Delgada, corria o ano de 1851 (Costa, 1941: 185). Luís Bernardo de Ataíde e Armando Cortes Rodrigues indicam não 1851, mas sim 1850, como a data da fundação, por Luís Nunes da Cunha, natural do Porto, desta fábrica de faiança (Ataíde, 1974, II: 142; Rodrigues, 1968b: 247).
A produção de faiança em S. Miguel, na Lagoa, parece ter tido o seu início na segunda metade do século XIX, em 1862, altura em que foi fundada a cerâmica Vieira, única unidade produtiva de faiança ainda hoje activa em S. Miguel. Em 1872, surge uma nova unidade, a cerâmica Leite. Vários autores (Lepierre, 1899: 93-95; Queirós, 1987: 192-193; Costa, 1941: 183-194; Rodrigues, 1968b; Garcia, 1972b e 1972c) se têm debruçado sobre esta faiança descrevendo a origem dos engenhos (fábricas), as técnicas utilizadas e as peças produzidas, entre as quais se inclui o fabrico de azulejos. Esta faiança, quando comparada com a produzida em Portugal continental na mesma época, apresenta diferenças consideráveis. O seu encanto e a sua individualidade encontra-se, por um lado, em serem peças de paredes espessas e de esmalte em que muitas vezes a quantidade de chumbo é superior ao normal o que torna a camada vítrea mais translúcida e amarelada, logo menos branca (nas peças de hoje isto já não sucede), e, por outro lado, pela beleza dos desenhos com temáticas muito próprias e dados em pinceladas vigorosas ou com recurso à técnica da estampilhagem (Fernandes, 1999: 135). Esperemos que perdure por muitos anos a produção desta faiança lagoense, com o seu desaparecimento perder-se-ia um pouco da alma açoriana.
Produziu-se também na Lagoa uns pequenos bonecos de barro, designados «tarecos», pintados após a cozedura com tintas não-cerâmicas e utilizados nos presépios. Diz Francisco Carreiro da Costa que estes «são feitos por meio de formas mas revelam bem a alma ingénua e simples do nosso povo», achando este autor semelhança entre os tarecos e os bonecos de presépio feitos pelo oleiros barcelenses (Costa, 1941: 192). Talvez seja bom ter em conta que também os mascateiros de Vila Nova de Gaia produziam e produzem bonecos de barro destinados às cascatas de S. João e aos Presépios. Dada a ligação inicial da produção de faiança da Lagoa com Vila Nova de Gaia, há a hipótese de os tarecos açorianos terem nos mascatos desta cidade a sua origem remota.
O Bandejo é terra de telheiros e sertanzeiras, produtores de telhas, tijolos, tampas de panelas e sertãs. Estas oficinas foram estudadas por Eduíno Borges Garcia (Garcia, 1971d e 1972a) e, mais recente e exaustivamente por Rui de Sousa Martins (Martins, 1999: 297-426). Explica Eduíno Borges Garcia que «as telhas e tijolos maciços fabricam-nos os telheiros, em cima duma mesa (o banco), e as sertãs e tampas de panelas, fazem-nas as mulheres, designadas por sertanzeiras. Estas, trabalham no chão, com as mãos, como única ferramenta» (Garcia, 1972a). Refira-se que o fabrico de testos por mulheres associado ao fabrico das telhas pelos homens também sucedeu em Portugal continental, pelo menos em Parada de Cunhos (Vila Real). Nesta localidade, temos notícia oral, recolhida em trabalho de campo, de que havia mulheres que faziam testos que levavam à telheira para serem graciosamente cozidos. Uma foto publicada em artigo datado de 1909 dá conta da cozedura de testos sobre a última fiada de telhas (Aguiar, 1909: 188).
Em Angra do Heroísmo há referência, em 1641, à Rua dos Oleiros ou da Olaria, e, em 1655, uma postura camarária obriga a que «nenhum oleiro use do seu ofício sem licença, e a louça que cozer não tirará do forno sem ser vista pelo juiz do ofício. O que o contrário fizer pagará de coima dois mil reis» (Ribeiro, 1982: 579). Em 1788, nova postura camarária angrense dá conta da loiça que então se produzia e do seu preço de venda (Ribeiro, 1982: 580; Fernandes, 1999: 22). Luís da Silva Ribeiro refere que o barro utilizado vinha da Ilha de Santa Maria, apesar de o haver, mas de fraca qualidade, na Terceira (Ribeiro, 1982: 581). Parece ter sido acentuada a dificuldade em arranjar barro para o fabrico de loiça no final de Setecentos (Ribeiro, 1996: 70-71). O barro era preparado como em S. Miguel, utilizando-se, em algumas oficinas, a partir de 1919, um cilindro, chamado «laminador», onde o barro era amassado, sendo «accionado por um pedal ou por uma correia e tambor ligado a um burro, como nas atafonas» (Ribeiro, 1982: 581). Produziam estes oleiros «alguidares de diferentes tamanhos, caboucos, tigelas brutas e com borda, púcaros, assadeiras de castanhas, bacios, talhões, salgadeiras, chocolateiras, canjirões, canos, barris e potes» (Ribeiro, 1982: 582-583). Luís da Silva Ribeiro também informa que «por excepção e por encomenda, que a presente não se faz, tachos, caçarolas e alguidares, eram vidrados por dentro» (Ribeiro, 1982: 583). Em 1985 existiam em laboração, na Ilha Terceira, apenas dois oleiros e dois telheiros (Bettencourt, 1996: 49).
Mas, na ilha Terceira, para além de oficinas de oleiros e telheiros existiu também produção de faiança e azulejo. A primeira fábrica de faiança foi criada, em 1886, por Jacinto Martins Cardoso e Zeferino Augusto da Costa, sendo denominada Fábrica de Louça Progresso (Queirós, 1987: 193-194; Ribeiro, 1955: 32). O barro utilizado provinha de «Santa Maria e do continente (Prazeres), empregando-se também, de mistura e em menor quantidade, barro terceirense (Canada do Monte)» (Ribeiro, 1955: 32). A fábrica passou pela mão de diversos proprietários (Ribeiro, 1996: 71-72), sendo o seu período de esplendor os anos 20 do século XX, tendo então como proprietário Amadeu de Almeida Monjardino (1876-1954) e designando-se Fábrica de Cerâmica Terceirense. Produzia esta fábrica «faianças, material sanitário, azulejos, canalizações, louça vidrada e louça de barro ordinário» tal como se pode ler em anúncio publicado no «Almanaque dos Açores», em 1926 (Bettencourt, 1996: 39). Por essa altura aí exerceu o ofício de pintor Joaquim Laureano (Bettencourt, 1996: 32), tendo-se então fabricado peças de faiança decoradas com os brasões de famílias terceirenses, que aquele pintor reproduzia com base em fotografias que lhe eram fornecidas pelo fotógrafo José Leite (Garcia, 1972e). Na década de 60, a fábrica encontrava-se nas mãos de Francisco Borges Scotto de Meneses, passando a ser conhecida por Fábrica Scotto (Garcia, 1972e) e tendo já deixado de produzir a típica faiança terceirense. Em 1975, a Cerâmica Terceirense fechou definitivamente as suas portas e, em 1980, o terramoto deitou por terra parte do edifício (Bettencourt, 1996: 53 e 37). Através do livro de Jácome de Bruges Bettencourt é fácil conhecer esta interessante e característica faiança terceirense onde a par de peças brasonadas, encontramos outras destinadas ao culto religioso, medição de líquidos e à conservação, serviço e ingestão de alimentos. Também aí se reproduzem azulejos, placas possessórias e toponímicas, bem como algumas esculturas (Bettencourt, 1996).
Na ilha Graciosa, parece ter existido, no século XVIII, fabrico de loiça (Ribeiro, 1996: 72). Eduíno Borges Garcia, informa que, por volta de 1918, um oleiro oriundo da ilha Terceira, de seu nome Joaquim dos Canos, aí teria produzido loiça de barro, tendo ensinado a arte a João Teotónio, autor de umas miniaturas de loiça que se encontram no Museu de Angra (Garcia, 1972f). Na Graciosa também se produziu telha (Ribeiro, 1996: 72), sendo o modo de o fazer descrito por António de Brum Ferreira (Ferreira, 1968: 199-204) e Eduíno Borges Garcia (Garcia, 1972f). Rui de Sousa Martins refere e analisa a produção nesta ilha de alguns artefactos de barro feitos nos telheiros, quer por homens quer por mulheres, como complemento esporádico à produção de telha. Entre esses artefactos refere: cozideira, tampa de panela e tampa de forno, bebedouro de aves e comedouro de porcos (Martins, 1996b: 13-54; 1999: 243-295).
Também são escassas as notícias sobre a produção na ilha de S. Jorge. Segundo refere um almanaque açoriano de 1874, existiria nesta ilha um olaria situada na Urzelina (Ribeiro, 1996: 72). Aníbal Ferreira Cabido, em 1910, refere a existência de uma olaria, no concelho da Calheta (Cabido, 1911: 17; Ribeiro, 1996: 72).
No distrito da Horta houve produção de loiça desde pelo menos o século XVIII, tendo o seu fabrico chegado até 1968 ou 1969. José Adriano Ribeiro refere um documento, datado de 1875, no qual são referidos três oleiros na cidade da Horta (Ribeiro, 1996: 73). Em 1884, um mapa industrial dá conta da existência na área urbana de dois oleiros e um forno de loiça, e, em 1888 e 1898, são concedidos dois alvarás para estabelecimento de duas fábricas para produção de telha, tijolo e loiça ordinária (Ribeiro, 1996: 73). Em 1910, são referidas apenas duas olarias (Cabido, 1911: 19; Ribeiro, 1996: 73). Em 1967, ainda existia uma oficina em laboração pertença de José Furtado Cardoso. Informa Eduíno Borges Garcia que «o último oleiro que ali trabalhou era da Ribeira Grande (S. Miguel) e outros houve de Vila Franca do Campo e até da ilha de Santa Maria, nestes últimos anos. Modelava-se à roda (torno): alguidares, salgadeiras, assadeiras, tigelas, vasos e pratos. Parte desta loiça era polida, ao que parece» (Garcia, 1972f). Acrescenta este autor que, segundo informações que recolheu, as peças tinham tipologia semelhante às de Vila Franca do Campo, apenas se produzindo uma de características especificamente locais a cabouca de cozer cocos. Explicando também que «coco» é a designação local atribuída ao inhame (Garcia, 1972f).
Na ilha das Flores, desde cedo que é descoberto bom barro para fazer loiça, pelo menos é o que afirma, Frei Diogo das Chagas (1575-1667) (Garcia, 1973), mas parece não ter havido produção olárica continuada e consistente. Sabemos também que aqui se produziu telha. Eduíno Borges Garcia informa que, em 1973, ainda se encontravam vestígios de fornos oleiros (Garcia, 1973), e acrescenta que teriam chegado a esta ilha «por volta de 1830, provenientes da ilha do Faial, três oleiros (...). Instalaram-se na Costa do Lajedo e aí começaram a fabricar panelas, púcaras, escolateiras, barranhas, alguidares, tigelas, pratos, talvez talhões), telha e tijolo». Em 1910, no inquérito industrial publicado, apenas é referida uma olaria (Cabido, 1911: 19; Ribeiro, 1996: 73). Eduíno Borges Garcia no texto que vimos referindo explica como se fazia o tijolo de bolo (Garcia, 1973), tema que voltou a ser desenvolvido por Rui de Sousa Martins que acrescenta novos e interessantes dados (Martins, 1995: 491-513).
Deixámos para o fim a ilha do Pico, onde as referências ao fabrico cerâmico são praticamente inexistentes. José Queirós, em 1907, refere a existência de uma olaria nas Lajes do Pico (Queirós, 1987: 194) e, pouco depois, em 1910, Aníbal Ferreira Cabido também só encontra uma (Cabido, 1911: 11; Ribeiro, 1996: 74). Não sabemos quando se iniciou e até quando perdurou o fabrico de olaria nas Lajes, mas deve ter tido pouco significado em termos de produção e área de comercialização.
Depois deste percurso sobre a produção cerâmica nas ilhas dos Açores é importante explicitar que, apesar destas produções, continuou ao longo dos séculos a vir de Portugal continental alguma loiça. Manuel Leão faz referência à exportação, em 1597, de loiça de Aveiro para a ilha Terceira (Leão, 1999: 115). Saídas de loiça da barra do Douro com destino aos Açores são frequentes durante o século XVII e início do século XVIII. Com efeito desta barra sai, em 1650, 1652, 1653 e 1656, «louça», «louça de barro», «louça vermelha» e «loiça vidrada», proveniente de Ovar e Vila Nova de Gaia, acondicionada em «caixas» e «caixões», com destino às ilhas de S. Miguel e da Terceira (Leão, 1999: 123). Novos despachos se verificam em 1682, desta vez de «louça branca» e de «louça», quantificada em «caixas» e em «carros», e com destino ao Faial (Leão, 1999: 131). Em 1685, de novo sai pela barra do Porto, «louça vermelha» produzida em Aveiro, e «louça pintada» de proveniência desconhecida com destino à ilha de S. Miguel (Leão, 1999: 133). Com o mesmo destino seguem, em 1687, «8 carros» de loiça (Leão, 1999: 136). Em 1694, para a ilha Terceira vai loiça vermelha de Aveiro, loiça branca de Vila Nova de Gaia, tigelas amarelas de Prado (actuais concelhos de Barcelos e Vila Verde, distrito de Braga) e alguidares de proveniência desconhecida (Leão, 1999: 144). Para o Faial segue, em 1700, loiça branca de Vila Nova de Gaia (Leão, 1999: 147). Em 1703, com o mesmo destino é despachada, loiça vermelha de Aveiro, e, para a ilha Terceira, loiça vermelha (Leão, 1999: 148). Em 1704, novos despachos de loiça vermelha de Aveiro e de loiça branca de Vila Nova de Gaia seguem rumo à ilha do Faial. Toda a exportação de loiça da barra do Douro para os Açores está sintetizada por Manuel Leão em quadro específico (Leão, 1999: 149). José Viriato Capela, que estudou a exportação de loiça a partir da alfândega de Viana do Castelo, entre 1750 e 1820, encontra uma única referência, em 1791, à exportação de loiça com destino à ilha Terceira (Capela, 1992: 48). Relativamente à saída de loiça pelas outras barras do País, como por exemplo das barras do Tejo e do Mondego, não há elementos quantificados que nos permitam saber que loiça saía desta barras com destino aos Açores.
A cerâmica açoriana é um bom instrumento de estudo para o conhecimento das vivências do povo destas ilhas. Em barro se cozinhava, em barro se comia, em barro se cuidava da higiene corporal, com barro se trabalhava e com barro se adorava Deus. Não é por acaso que açorianos ilustres como Luís Bernardo de Ataíde, Ernesto Ferreira, Luís da Silva Ribeiro, Francisco Carreira da Costa e Eduíno Borges Garcia, se preocuparam em abordar a produção cerâmica açoriana. Ainda hoje esta merece o olhar atento de investigadores como Rui de Sousa Martins que tem vindo a publicar um conjunto de estudos deveras interessante e cuidado. Este autor, na senda de alguns dos açorianos atrás referidos, tem também criado ou ajudado a criar núcleos museológicos nos quais se pretende preservar a memória da actividade cerâmica. Esperemos que a cerâmica feita nos Açores, com a sua graça e as suas características muitos próprias, continue a ser produzida e utilizada durante muito tempo, sabendo adaptar-se, porque essa é a melhor forma de sobrevivência, às necessidades do nosso tempo. Isabel Maria Fernandes (2001)
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