centrolofídeos
Nome dado aos peixes marinhos da família Centrolophidae. Segundo Haedrich (1986), os peixes que nela se incluem são de tamanho médio a grande com o corpo alongado a alto, comprimido. Boca grande. Dentes cónicos pequenos numa série única nas maxilas. Barbatana dorsal única com espinhos delgados precedendo os raios; barbatana anal com 3 espinhos e 15 a 30 raios; barbatanas dorsal e anal nunca em forma de foice, com bases desiguais; barbatanas pélvicas inseridas sob a base das peitorais. Escamas moderadas a pequenas, geralmente ciclóides e facilmente caducas; escamas da linha lateral com tubos, estendendo-se em direcção ao pedúnculo caudal; cabeça conspicuosamente nua e coberta com poros pequenos. Cor de prata esverdeada a castanho, a negro.
Peixes pelágicos de águas profundas de mares quentes a temperados, mas as formas oceânicas penetram algumas vezes nas regiões mais frias. As espécies com espinhos delgados tendem a ser verdadeiramente oceânicas, enquanto as espécies com espinhos grossos tendem a ser encontradas em águas profundas na margem da plataforma continental, em canhões submarinos ou associadas com ilhas oceânicas. Formam cardumes pouco consistentes mas podem ser bastante abundantes localmente. As larvas ocorrem no plâncton, e os jovenis e os jovens adultos geralmente associados, muitas vezes em número, com formas pelágicas de medusas ou objectos flutuantes. Os jovens pelágicos podem ocorrer, por vezes, junto da costa.
Para os Açores estão registadas as espécies Centrolophus niger, por Hilgendorf (1888), como C. pompilus; Schedophilus medusophagus e S. ovalis, esta como Lirus bennetti, ambas por Collett (1896). Albuquerque (1954-56) considera a ocorrência de S. maculatus, como, Lirus maculatus, baseada em Fowler (1936), cotada de Murray e Hjort (1912), sobre colheita a sul dos Açores, e Santos et al. (1997) consideram a ocorrência de Hyperoglyphe perciformes, colhida por Murray e Hjort (1912), como Lirus perciformes, à latitude 37º 7' N e longitude 38º 34' W.
Os indivíduos da espécie C. niger, segundo Haedrich (1986), têm o corpo alongado, cabeça pequena com poros na pele nua, e boca grande. A barbatana dorsal, única, tem origem imediatamente atrás da base da barbatana peitoral e com 4 a 5 espinhos delgados, pouco distintos dos raios moles que variam entre 32 e 37. Anal com 3 espinhos e 20 a 23 raios. Escamas muito pequenas. Cor variando do avermelhado para o castanho-escuro ou mesmo para o azul-escuro. Epipelágicos ou mesopelágicos, ocorrem ao largo em águas temperadas, mas, ocasionalmente, são capturados por redes de arrasto sobre a plataforma continental.
Os de S. medusophagus têm 12 espinhos proeminentes sobre a margem do opérculo; barbatana dorsal, única, com origem anterior à base da peitoral, incluindo alguns poucos espinhos moles quase indistinguíveis dos raios, num total de 44 a 50. Cor castanha, com manchas nos jovens, mas bastante uniforme nos adultos. Oceânicos ou mesopelágicos, os jovens tendem a ocorrer em águas menos profundas do que os adultos (Haedrich, 1986).
Em S. ovalis, segundo Haedrich (1986), a boca é grande; a barbatana dorsal, única, com origem anterior às bases das peitorais, tem 6 a 8 espinhos razoavelmente fortes de crescimento gradual relativamente aos 30 a 32 raios que se seguem. Habitam águas profundas na margem da plataforma continental e ao redor das ilhas oceânicas; os jovens ocorrem associados com medusas flutuantes. Segundo Santos et al. (1997) esta espécie é conhecida, vulgarmente, por *choupa. Luís M. Arruda (2006)
Bibl. Albuquerque, R. M. (1954-56), Peixes de Portugal e ilhas adjacentes. Chaves para a sua determinação. Portugaliae Acta Biologica, (B), 5. Collett, R. (1896), Poissons provenant des campagnes du yacht l'Hirondelle (1885-1888). Résultats des campagnes scientifiques accomplies sur son yacht par Albert I, Prince souverain de Monaco, 10. Fowler, H. W. (1936), The marine fishes of West Africa. Bulletin of the American Museum of Natural History, 70, 1: 1-606. Haedrich, R. L. (1986), Centrolophidae In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 1177-1182. Hilgendorf, F. M. (1888), Die Fische der Azoren In Simroth, H. (ed.), Zur Kenntniss der Azorenfauna. Archiv für Naturgeschichte, 1, 3: 179-234. Murray, J. e Hjort, J. (1912), The depths of the ocean. Londres, MacMillan. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago (Life and Marine Sciences), Supplement 1.
