centeio

Nome vulgar de Secale cereale (Gramineae). Monocotiledónea. Planta possivelmente originária da Ásia. Pode atingir 1-2 m; folhas largas; espiga alongada, comprimida, por fim um pouco inclinada; espigueta com duas flores hermafroditas e uma rudimentar, comprimidas, sésseis, com uma das faces voltadas para o eixo; duas glumas subiguais, lineares, menores que a espigueta; duas glumas quase do mesmo comprimento, a inferior aquilhada, longamente aristada; fruto, uma cariopse oblonga, convexa na parte externa e sulcada na interna, peluda no cimo, livre. É usado na confecção de pão e outros produtos de panificação, por vezes misturado com trigo. Na Idade Média era o cereal destinado ao pão dos mais pobres, o pão negro. Devido à sua rusticidade eram-lhe destinados terrenos montanhosos e pedregosos. O mesmo acontecia nos Açores, onde se escolhiam as «courelas» frias, pobres e inclinadas para o cultivar. No entanto a cultura foi decaindo e em 1948 a estatística agrícola publicada pela Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, quando se refere a este cereal, diz que é cultivado apenas para obter semente para produzir forragem, geralmente em mistura com outras espécies. Normalmente o centeio era misturado com o tremoço ou a fava, leguminosas às quais tradicionalmente se misturava uma gramínea, o centeio, cevada ou aveia, a que os lavradores chamavam «a doçura». Infelizmente essa semente que durante tantos anos foi preservada pelos agricultores destas ilhas, ao que parece, já não existe. Em 1962, o centeio já nem sequer é referido na estatística publicada no Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores. Todas essas práticas ancestrais, e, acertadas, por uma ou outra razão, têm sido abandonadas. O centeio primitivo pensa-se ter sido uma infestante do trigo. Posteriormente ter-se-ia verificado que tinha também boas condições para panificação e, por resistir melhor ao frio e aos solos pobres, teria passado a ser cultivado estreme. Essa espécie já não existe, perdeu-se com os sucessivos melhoramentos, como aconteceu com muitas plantas úteis, cujas espécies espontâneas, infelizmente deixaram de existir. O uso regular do centeio é considerado benéfico para a saúde, evitando afecções cardiovasculares. Raquel Costa e Silva (2001)

Bibl. Cabral, A. (1948), Última Estatística Agrícola. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, Ponta Delgada: 8: 62. Coutinho, A. X. P. (1913), A Flora de Portugal. Lisboa: 98-99. Rego, L. G. V. (1962), Melhoramento das Pastagens Açoreanas. Boletim da Comissão reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, Ponta Delgada: 11: 33-36.