Ceia, Jerónimo Fernandes de
[século XVI] Nobre terceirense, morador em Angra, foi o autor do rapto de D. Fausta (ou Enfausta), filha de Sebastião Moniz, o Velho, e de D. Joana da Silva, motivo pelo qual a mãe da jovem requereu uma devassa, alegando que Jerónimo Fernandes de Ceia violara a clausura de D. Fausta, em Nossa Senhora do Desterro. Este episódio envolveu a participação de sete pessoas, que receberam cartas de perdão, e obrigou à deslocação aos Açores do desembargador dos agravos da Casa do Cível, Diogo Lopes Pinheiro, em 1564. Partidário de Filipe II, Jerónimo Fernandes de Ceia foi preso no início da década de 1580 por ordem do corregedor Ciprião de Figueiredo, juntamente com outros elementos da nobreza terceirense, e seguidamente desterrado para Inglaterra ou França por ordem de D. António, Prior do Crato. Tendo conseguido escapar do desterro, juntou-se a Filipe II, morrendo longe da sua ilha natal. Pelos seus serviços, recebeu o irmão, Manuel Fernandes de Ceia, uma tença de 50.000 réis, por alvará de 14 de Julho de 1589. José Damião Rodrigues (Mar.2001)
Bibl. Braga, I. M. R. M. D. e Braga, P. D. (1995), A Criminalidade nos Açores no Reinado de D. Sebastião: Delitos e Perdões In Actas do Colóquio O Faial e a Periferia Açoriana nos Séculos XV a XIX, Horta, 10-13 de Maio de 1993, Horta, Núcleo Cultural da Horta: 523-543. Chagas , D. (1989), D., Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores. Angra do Heroísmo/ Ponta Delgada, Secretaria Regional da Educação e Cultura/ Universidade dos Açores. Maldonado, Padre M. L. (1989-1997), Fenix Angrence. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, 3 vols.
