Cedros

1 Freguesia do concelho da Horta, situada na parte setentrional da ilha do Faial, entre as freguesias de Praia do Norte, a ocidente, e de Salão, a oriente. GEOGRAFIA Corresponde à vertente norte do edifício vulcânico da caldeira, com declive forte na parte mais alta (entre os 700 e os 900 m). A regularidade da topografia é quebrada pelo encaixe de numerosas ribeiras que entalham a vertente e de pequenos cones vulcânicos formados por materiais piroclásticos. A costa é arqueada e pouco sinuosa, dominada por uma arriba de lavas e tufos basálticos; destaca-se a ponta dos Cedros que marca o ponto mais setentrional da ilha. A sede da freguesia situa-se junto ao litoral. Em 1991 esta freguesia contava 1192 habitantes, dos quais 582 homens e 610 mulheres. A população concentra-se nesta povoação, com 1087 habitantes, em 1991, enquanto o lugar de Ribeira Funda contava apenas 105 (INE, 1991). M. Eugénia S. de Albergaria Moreira (2001)

HISTÓRIA, CULTURA, SOCIEDADE, ECONOMIA Freguesia da comarca da Horta e diocese de Angra do Heroísmo e Ilhas do Açores. Distando da sede de concelho cerca de 20 km, e possuindo uma população de 1192 habitantes, em 606 fogos, é, bem à semelhança das restantes freguesias da ilha, o exemplo vivo de uma comunidade rural em acentuada perda demográfica, verificando-se esse fenómeno mais acentuadamente, a partir de meados do século XX (1950), altura em que a população era de 2912 hab. (1383 h. e 529 m.).

Silveira de Macedo (1872), refere-a como «a maior e mais produtiva freguesia da ilha, sobretudo em produção de cereais (trigo e milho), sendo na altura e por essa razão, considerada o celeiro da ilha», um conceito que, apesar das culturas cerealíferas serem bem menos cultivadas do que outrora, se mantém vivo e actual. Também historiadores, como Lima (1943), a referem, como “a Freguesia rural de maior dimensão e importância da ilha”.

A grande apetência demonstrada ao longo dos tempos pela agro-pecuária, levou-a a iniciar-se, e depois a entregar-se mais profundamente, à exploração da indústria de lacticínios, pelo que já no ano de 1940 se empregavam na sua laboração (queijo e manteiga), duas fábricas (União dos Lavradores e Castro, Meirinho e Xavier, Lda.), despendendo um total bruto de mais de um 1.200.000 l anuais de matéria-prima. Até recentemente funcionaram duas fábricas, Cooperativa Cedrense e Martins e Rebelo, tendo esta última já cessado a sua laboração.

Fundada em 1594 terá surgido e depois se desenvolvido a partir da edificação da primitiva igreja paroquial, (já edificada àquela data), cujo orago é Santa Barbara, evento celebrado anualmente no dia 4 de Dezembro.

O seu topónimo remonta aos primórdios do povoamento, e é-lhe devido ao facto de, naquela data, grande parte daquela vertente norte da ilha se encontrar coberta de cedros (Juniperus brevifolia), uma endémica açoriana hoje em vias de extinção.

Teve, até data recente, um dos templos mais antigos e de maior perfeição arquitetónica da ilha, infelizmente consumido por incêndio (1971), restando-lhe apenas a torre lateral (afectada pelo sismo de 1998, presentemente em obras de restauro), que foi integrada no conjunto do novo templo (1975/1977), este com estilo e traça bem mais recentes.

Como património arquitectónico religioso, possui ainda a igreja da Ribeira Funda, edificada no local do mesmo nome e devotada a Nossa Senhora de Fátima (1950) e outras edificações (ermidas e impérios), evocativos ao Divino Espirito Santo, que tomaram os nomes dos locais onde foram sendo edificados: Império do Cascalho, Império da Praça, Império da Ribeira Funda e Império da Rua de Cima.

Existem também as ruínas evidentes de velho forte militar, o “Castelo da Rocha Negra”, não mencionado por historiadores conhecidos, que serviria, ao que consta, de poder dissuasor naquela parte da ilha, contra a abundante pirataria que então (séculos XVI/XVIII), infestava as águas açorianas.

Constituiu-se como uma das poucas comunidades rurais faialenses, ao invés da maioria, que fica na periferia da cidade, muito absorvida pelo contacto urbano, que preserva pura essa ruralidade, estando por isso, recheada de tradições (Festas ao Divino Espirito Santo, folia, foliões).

A economia, à semelhança das demais freguesias rurais, assenta principalmente na agro-pecuária (vincadamente na pecuária) e nas indústrias dela derivadas, pelo que é o sector primário anterior aquele que mostra maior preponderância e onde maior número de habitantes vai buscar o sustento e modo de vida, tendo todavia o sector secundário alguma expressão, complementado por outras e diversificadas fontes de economia, todavia menos significativas, como restauração e artesanato, (bordados a matiz, de richelieu, chapéus, tapetes em palha de trigo, junco, penas, artefactos de vimes, etc). Actualmente o turismo de habitação está em fase de desenvolvimento.

O comércio, tal como no passado, talvez pela necessidade gerada por uma maior distância da sede de concelho (já que se trata de uma das comunidades mais distantes da cidade), acompanha satisfatoriamente o grau de necessidades e desenvolvimento da freguesia, existindo mercearias, cafés, snack-bars, farmácia, etc. Existem ainda carpintarias, oficinas de corte e serração de madeiras e de reparação automóvel.

A freguesia possui a sua própria e tradicional actividade cultural, exprimindo-se principalmente através da música, sendo possuidora de ranchos de Natal, (que actuam na época própria), tuna, e uma banda, A Lira Campesina Cedrense, fundada em 19 de Março de1927 (inicialmente composta por 35 elementos), suspensa em 1957 e ressurgida em Setembro de 1983. Composta presentemente por 39 elementos, desenvolve uma profícua acção pedagógica através da sua escola de música, exibindo no seu palmarés continuadas deslocações pela ilha, em tocatas de festas religiosas e de animação, tendo feito digressões pelas outras ilhas do arquipélago, nomeadamente Pico, S. Jorge e Graciosa.

Existe um museu etnográfico, profusamente recheado e enriquecido dos artefactos que, ao longo dos anos, acompanharam o viver das suas gentes e a sua inegável vocação agrícola. Na Casa do Povo, organismo oficial, são desenvolvidas várias acções de carácter sociocultural e de lazer.

O teatro tem ainda alguma expressão, principalmente nos grupos etários mais jovens, mas está longe das tradições que a freguesia granjeou no passado.

 Como actividades desportivas, distingue-se o Grupo Desportivo Cedrense, agremiação desportiva e cultural, fundada em 25 de Junho de 1981, vocacionada principalmente para a prática de futebol (federado), possuindo no seu curriculum muita participação, e vários galardões. Tem instalações e campo próprio.

É possuidora de uma Escola Básica mista. Possuía até bem recentemente, um dos mais antigos grupos folclóricos da ilha, fundado em 1949, actualmente em fase de suspensão. Humberto Moura

Heráldica Ordenação aprovada pela assembleia de freguesia, em 16 de Setembro de 1997:

Brasão: Escudo de prata, dois cedros de cor e um crescente de verde carregado com a chamada «coroa real dos Cedros», de ouro, tudo bem ordenado; contra-chefe ondado de verde e prata. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: «Cedros – Horta».

Bandeira: verde. Cordão e borlas de prata e verde. Haste e lança de ouro.

Selo: Nos termos da lei, com a legenda: «Junta de Freguesia dos Cedros – Horta». Luís M. Arruda (2006)

 

2 Freguesia do concelho de Santa Cruz das Flores, situada na parte nordeste da ilha das Flores, entre as freguesias de Ponta Delgada e de Santa Cruz das Flores. GEOGRAFIA A sua topografia caracteriza-se por um planalto cujo rebordo é muito acidentado devido ao profundo entalhe da rede hidrográfica. O litoral é formado por uma arriba basáltica muito alta, que atinge 300 m de altura na costa norte, e muito recortada, com numerosas saliências e ilhéus, de que se destacam os ilhéus dos Abrões, do Pão de Açúcar e de Álvaro Rodrigues.

Em 1991 contava 192 habitantes, dos quais 100 homens e 92 mulheres (INE, 1991). M. Eugénia S. de Albergaria Moreira (2001)

HISTÓRIA, ACTIVIDADES ECONÓMICAS E CULTURAIS Com uma área de 10,55 km2, delimitada pelas ribeiras das Barrosas, a norte, e da Alagoa, a sul, é a terceira mais antiga das quatro freguesias que integram o concelho de Santa Cruz, na ilha das Flores.

Gaspar Frutuoso, em finais de Quinhentos, identifica já o local como terra de pão, onde viveriam três ou quatro vizinhos, e explica também que o seu nome se deve à existência naquela zona de muitos exemplares do chamado cedro-do-mato, Juniperus brevifolia (Cupressaceae), a única conífera endémica dos Açores.

Em 1693, por alvará do deão da diocese (sede vacante), datado de 9 de Julho, foi criada a paróquia de Nossa Senhora do Pilar, a quinta mais antiga da ilha, constituída pelas povoações de Cedros e Ponta Ruiva, as quais, para o efeito, haviam sido desanexadas, respectivamente, das paróquias de Nossa Senhora da Conceição (Santa Cruz) e de S. Pedro (Ponta Delgada). Na nova igreja, construída pelo povo, à excepção da capela-mor, custeada pela Comenda, igualmente obrigada a sustentar os ministros eclesiásticos das duas ilhas do grupo ocidental, foi então colocado como primeiro cura o padre Domingos Furtado de Mendonça.

A primitiva igreja dos Cedros viria ainda a ser ampliada em 1719 e novamente reedificada em 1822, acabando, todavia, por ser totalmente demolida em Setembro de 1945, devido à alegada pouca solidez das suas paredes laterais. Em seu lugar, o povo, sob a direcção do seu pároco, padre José Maria Álvares, construiu um novo templo, o qual, tendo sido iniciado a 22 de Janeiro de 1950, com o lançamento da primeira pedra, teve a sua inauguração e benção a 18 de Junho de 1953. As obras tiveram o excepcional apoio da Junta Geral do Distrito da Horta, que ainda em 1949 decidiu comparticipá-las em 620 mil escudos.

Com 50 fogos e 176 almas em 1693, data da criação da paróquia, a freguesia de Cedros chegou a atingir os 597 habitantes em 1814, e em 1950 ainda somava 507 pessoas.

Os 192 habitantes (INE, 1991), marcadamente idosos, vivem essencialmente da agricultura e da agro-pecuária, se bem que no século XIX a população tenha dado alguns passos titubeantes na indústria da cerâmica, com o fabrico de telhas na Ponta Ruiva, cujo acesso directo ao mar facilitava a exportação. A freguesia nunca teve qualquer filarmónica, clube de futebol ou outra associação de carácter sócio-cultural e data somente de 1880 a abertura da primeira escola primária, para o sexo masculino.

Entre os seus filhos mais ilustres contam-se os padres Fernando Joaquim da Silveira (1881-1958), Cónego Gil Vicente de Mendonça (N. 1927) e Monsenhor José de Freitas Fortuna (N. 1929). Francisco Gomes (Abr.2001)

 

3 Lugar desabitado da freguesia dos Ginetes, concelho de Ponta Delgada, ilha de S. Miguel, situado na cumeeira ocidental da Caldeira das Setes Cidades.

 

4 Lugar da freguesia e do concelho de S. Roque do Pico, situado à beira-mar, a ocidente da ponta do Mistério.

 

5 Lugar da freguesia de Bandeiras, concelho da Madalena, situado na vertente noroeste da montanha vulcânica do Pico, a 300 m de altitude.

 

Pico dos Cedros Pequena elevação de 707 m de altitude, formada por bagacina, e situada na freguesia de Ponta Garça, ilha de S. Miguel, na cumeeira da Lagoa das Furnas.

 

Ponta dos Cedros Saliência da arriba da costa norte da ilha do Faial, situada na freguesia de Cedros, e que constitui o ponto mais setentrional da ilha. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira (2001)

Bibl. Frutuoso, G. (1963), Livro Sexto das Saudades da Terra. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Gomes, F. A. N. P. (1997), A Ilha das Flores: da redescoberta à actualidade (subsídios para a sua História). Ribeira Grande, Câmara Municipal de Lajes das Flores: 78-81, 236, 457-459, 497. Instituto Nacional de Estatística (1991), XIII Recenseamento Geral da População. III Recenseamento Geral da Habitação. Dados definitivos. Lisboa, INE. Lima, M. (1943), Anais do Município da Horta. Famalicão, Of. Gráficas Minerva. Macedo, S. (1981), História das Quatro Ilhas que Formam o Distrito da Horta. Ponta Delgada, Secretaria Regional de Educação e Cultura, III.