cedro

Nome pelo qual são conhecidas as plantas da família das Cupressáceas pertencentes à espécie Juniperus brevifolia v. azorica, também conhecidas por cedro-das-ilhas, cedro-do-mato, cedro-da-terra ou zimbro segundo Palhinha (1966) e Ramos (1871), sendo este último usado na ilha das Flores (Pena e Cabral, 1997). O nome de cedro deve ter sido dado pelos primeiros habitantes das ilhas, devido à sua semelhança com o cedro então conhecido dos portugueses (Fernandes, 1983).

Toma a forma de arbusto ou de pequena árvore, atingindo até 5 m de altura, raramente 6 m. O tronco é por vezes muito recurvado, a copa é larga e as agulhas formam grupos fechados com a parte superior mostrando duas bandas brancas (Sjögren, 1984).

Única conífera endémica dos Açores, é um componente típico da floresta de louro, também chamada floresta da zona de nuvens. Ocorre em lugares húmidos e ricos em húmus, em depósitos de cascalho, nas margens de ribeiras e das caldeiras. Existe em todas as ilhas, excepto na Graciosa e em Santa Maria, geralmente acima dos 500 m de altitude, podendo ir acima dos 1700 m, na ilha do Pico, tomando nos pontos mais expostos, o aspecto de um arbusto rasteiro, prostrado e profusamente ramificado, que forma sobre o solo tapetes quase contínuos (Fernandes, 1983). Na ilha do Corvo tem sido observada pelos 200 m de altitude. Segundo Pena e Cabral (1997: 59), na ilha das Flores cresce quase à beira-mar e é observada na zona litoral da ilha do Pico. Mais, a toponímia indica que esta espécie deveria ocorrer também a altitudes inferiores na ilha do Faial, na localidade denominada Cedros, e em Santa Maria, a altitude inferior a 100 m, na chamada Ponta do Cedro.

As matas de cedro ocuparam outrora grandes áreas em todas as ilhas mas hoje estão reduzidas a manchas florestais de maior extensão, na ilha do Pico, onde exemplares multi-seculares ou milenares, ostentam porte arbóreo, e a núcleos principalmente nas ilhas das Flores e de S. Jorge, na Serra do Topo. Espécie a preservar, essas manchas constituem reservas naturais (Goes, 1994).

As suas matas produziam uma madeira muito apreciada e utilizada na construção de casas, igrejas e conventos onde ainda hoje se podem observar em bom estado de conservação, peças com mais de um metro de largo o que atesta o grande porte dos exemplares de onde provieram (Goes, 1994; Palhinha, 1966). A madeira era também destinada ao cavername das embarcações, pela quantidade de curvas que lhe davam grande firmeza e resistência, dada a manutenção do veio da madeira no corte. Aquela proveniente de troncos centenários era também usada no fabrico de portas, janelas, vasilhame, mobiliário e até na construção de pontes para passar as ribeiras (Barcelos, 2001). Segundo Ramos (1871), os preparados desta planta são diuréticos e tónicos.

Espécie registada para os Açores por Seubert e Hochstetter (1843), como J. Oxycedrus v. brevifolia, e Watson (1843), como Juniperus sp.. Luís M. Arruda (2002)

Bibl. Barcelos, J. (2001), Falas da ilha das Flores, Vocabulário Regional. S.l., ed. do autor. Fernandes, R. B. (1983), Juniperus brevifolia In Fernandes, A. e Fernandes, R. B. (eds.), Iconographia Selecta Florae Azoricae. Secretaria Regional da Cultura da Região Autónoma dos Açores, 1, 1: 275-280. Goes, E. (1994), Dragoeiros dos Açores. Ribeira Chã, s.e. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Pena, A. e Cabral, J. (1997), Roteiros da Natureza, Açores. S.l., Temas e Debates. Ramos, A. G. (1871), Noticia do archipelago dos Açores e do que há mais importante na sua Historia natural. Lisboa, Typ. Universal. Seubert, M. e Hochstetter, C. (1843), Uebersicht der Flora der azorischen Inseln. Archiv für Naturgeschichte, 9, 1: 1-24. Sjögren, E. (1984), Açores, Flores. Horta, Direcção Regional de Turismo. Watson, H. C. (1843), Notes of a botanical tour in the Western Azores. Hooker’s London Journal of Botany, 2: 1-9, 125-131, 394-408.