cebola
Nome vulgar de Allium cepa (Liliaceae). Monocotiledónea. Planta provavelmente originária do Paquistão Ocidental e do Irão. Não existe no estado selvagem. Allium, era a designação céltica do alho. Já era usada 3 200 A.C., época em que constituía um importante alimento para os Egípcios. Na Índia, era cultivada 600 A.C. Há documentos que provam já ter sido usada pelos Gregos e Romanos em 400-300 A.C. Chegou ao Norte da Europa na Idade Média. A designação de cebola é atribuída à planta e ao seu bolbo. Esta planta desenvolve um bolbo entunicado, cujo diâmetro pode variar dos 2 aos 15 cm, dependendo da variedade e da cultura, pode ser esférico ou achatado e é envolvido por uma túnica membranosa que posteriormente se transforma na casca da cebola; folhas de 40 x 2 cm, ocas, achatadas, cuja base envolve a parte inferior do caule; no segundo ano emite uma haste que pode atingir 1 m, oca, com a metade inferior espessa e inflada, na extremidade do qual surgem as flores, numerosas, dispostas em umbela de forma estrelada que podem, ou não, estar associadas com pequenos bolbilhos; as flores de tépalas brancas com uma nervura central verde, pedicelos até 4 cm, estames excertos, ovário súpero; fruto, uma cápsula bilocular, com numerosas sementes negras. É uma planta bianual que é cultivada como anual, para consumirmos os nutrientes acumulados no bolbo que no segundo ano, são utilizados pela planta na produção de flores, frutos e sementes. Actualmente está espalhada pelas zonas temperadas quentes e tropicais de todo o Mundo. Adapta-se particularmente bem às zonas de clima mediterrânico, onde os verões quentes e secos permitem uma perfeita maturação dos bolbos. Próxima de Lisboa, a região saloia foi uma importante área de produção de cebola para o país e para exportação, tendo tido particular nomeada a cebola de Almargem do Bispo. Os saloios, descendentes directos dos Mouros, já cultivavam produtos hortícolas quando D. Afonso Henriques conquistou Lisboa e foram autorizados a permanecer nas mesmas terras, para produzirem vegetais para abastecimento da cidade. Alimentaram a população e preservaram antiquíssimas práticas e conhecimentos de horticultura que doutra forma certamente já se teriam perdido. A fama da cebola desta área ainda permanece na designação das variedades actualmente comercializadas White Lisbon, considerada a melhor variedade para salada e Winter Hardy White Lisbon, resistente às geadas e também para salada. Nos Açores, as condições climatéricas não são favoráveis para a conservação da cebola. Tem sido cultivada, para consumo local, seguindo mais ou menos a mesma técnica dos saloios. Todos os anos são escolhidas algumas cebolas sãs e, com boas características, para a produção de semente. São plantadas no início da Primavera. A semente é colhida no Verão e semeada no Outono num canteiro cuidadosamente preparado, elevado para evitar a acumulação da água da chuva e com uma camada de estrume bem curtido. Num canteiro de 100 m2, usam-se cerca de 2,5 l de semente que produzem aproximadamente 40 milheiros de cebolinho, designação das jovens plantas, destinadas à plantação. Numa área de 1000 m2 plantam-se 40 milheiros de cebolinho. O solo para a plantação é muito bem preparado, com uma mobilização profunda, e, bem esmiuçado, ao mesmo tempo que se faz uma incorporação de estrume bem curtido que pode atingir 1,2- 1,5 t por 1000 m2. Os adubos usados eram apenas sulfato de amónio - 10 kg, e, superfosfato 18% - 20 kg. Estas pequenas quantidades de adubos são de introdução recente, pois tradicionalmente a cultura era fertilizada apenas com estrume. A plantação era feita em regos. A produção obtida era de 1750 kg nos 1000 m2. Durante quatro anos a cultura não voltava ao mesmo solo. Não havia necessidade de utilizar pesticidas nem herbicidas. Nos Açores, não se usavam estrumações, mas a cultura era precedida de outonos pastados pelo gado, o que contribuía de duas formas para enriquecimento do solo, pela matéria verde remanescente, raízes e restos de caules que o gado não consumia e pelos excrementos dos animais, quantitativos difíceis de determinar mas que se deviam aproximar dos usados pelos saloios. A incorporação dos restos vegetais e das bostas era feita com uma lavoura, à qual se seguia «a sazão», ou seja, um período de repouso, para a decomposição desses materiais fertilizantes. Posteriormente fazia-se a cava e plantação do cebolinho. No ano de 1947, na estimativa da produção açoriana efectuada pela Comissão Reguladora dos Cereais não é atribuído qualquer valor à cebola, mas na secção de estatística, em 1948, vêm preços de venda de cebolas no Faial, S. Jorge, Graciosa, Terceira e S. Miguel e de cebolinho na Terceira e S. Miguel. Afigura-se-nos que esta realidade corresponde à cultura em hortas familiares de pequenas quantidades destinadas a auto-consumo, com venda dos excedentes mas, em quantitativos globais, suficientes para justificar a existência de produtores de plantio nestas duas ilhas. Havia também um ou outro produtor que produzia para vender. Hoje, tudo se importa e até as pequenas hortas familiares vão desaparecendo. Raquel Costa e Silva (2001)
Bibl. Cabral, A. (1948), Última Estatística Agrícola nos Açores. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, Ponta Delgada, 8: 66. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores (1948) Informação Estatística, Preço de Alguns Géneros (Venda ao Público). Ponta Delgada, 8. Silva, R. C. (1953), A Região Hortícola de Almargem do Bispo (Aspectos Económicos). Relatório Final do Curso de Engenheiro Agrónomo, Lisboa, Instituto Superior de Agronomia, contas de cultura 2 e 9. The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992), Londres, MacMillan Press, 1: 107, 3: 370.
