Caveira
Freguesia do concelho de Santa Cruz das Flores, situada na costa oriental da ilha das Flores, entre as freguesias de Santa Cruz das Flores, a norte, e Lomba, a sul. GEOGRAFIA É uma das mais pequenas freguesias da ilha. Assenta numa escoada lávica que entrou pelo mar dentro, com relevo muito acidentado, em forma de grande lomba entre as vertentes escarpadas das ribeiras da Cruz e do Morato. A costa é recortada, com pequenas pontas (pontas de Fernão Jorge e da Caveira) e furnas (furna Jorge e furna dos Encharéus). Em 1991 contava 104 habitantes, dos quais 51 homens e 53 mulheres (INE, 1991). M. Eugénia S. de Albergaria Moreira (2001)
HISTÓRIA, ACTIVIDADES ECONÓMICAS E CULTURAIS Elevada a paróquia no primeiro quartel do século XIX, por alvará de D. João VI, Caveira é a mais jovem e pequena freguesia do concelho de Santa Cruz, na ilha das Flores, tendo apenas 3,29 km2 de área, que as Ribeiras da Cruz e da Silva separam respectivamente de Santa Cruz, a norte, e da Lomba, a sul, e 104 habitantes (censo de 1991).
Desconhece-se a razão deste invulgar nome dado ao local, ainda que uma curiosa lenda o associe a um náufrago estrangeiro, chamado Demétrio, que, embora fosse cristão, não acreditava no purgatório. Diz a tradição que, após a sua morte, aparecia à noite, numa colina próxima, uma caveira, com uma luz interior, que o povo dizia ser a de Demétrio, cuja alma pedia orações para entrar no purgatório.
Seja como for, Gaspar Frutuoso, em finais do século XVI, já identifica esse topónimo, referindo-se a uma ponta que corre ao mar e, à entrada do século XVIII, o padre António Cordeiro define a povoação como um simples lugarete. Em 1765, numa altura em que a Caveira acabara de construir a sua primeira ermida, tinha o povoado 32 fogos e cento e tantas almas, valores que subiram para 45 fogos e 212 almas em 1815, data próxima da criação da paróquia. A população máxima da Caveira foi atingida em 1864, quando foram recenseadas 292 pessoas.
Pertencendo embora ao concelho de Santa Cruz, o lugar da Caveira foi desanexado da Matriz daquela vila por alvará do bispo de Angra de 7 de Julho de 1757 e integrada na paróquia de S. Caetano (Lomba). A decisão, reclamada tanto pelo povo como pelos padres, foi então justificada pela conveniência espiritual e corporal dos moradores da Caveira, pois a Igreja de S. Caetano ficava-lhes mais próxima e era servida por melhores caminhos que a Matriz de Santa Cruz.
A José António de Sousa Bettencourt, um abastado proprietário, natural da ilha Graciosa, mas residente nas Flores, deve a Caveira a iniciativa da construção da sua primeira Ermida, benzida a 22 de Dezembro de 1763 com a invocação das Almas Santas do Fogo do Purgatório. Foi seu primeiro cura, à custa do povo, o padre Brás Pimentel Furtado.
A actual igreja paroquial só começou a ser construída em 1870, com o lançamento da primeira pedra a 13 de Junho. A benção do corpo principal desta igreja teve lugar a 17 de Fevereiro de 1872 e a da capela-mor a 11 de Setembro de 1880.
No Verão de 1835, o reitor e a Junta de Paróquia requereram ao vigário capitular a mudança de orago para Nossa Senhora do Livramento, argumentando não poderem solenizar as Benditas Almas por ser o dia (2 de Novembro) em que a igreja celebra os ofícios fúnebres das almas. O governador do bispado, em despacho de 19 de Novembro desse ano, não permitiu todavia tal mudança, tendo apenas viabilizado que a festa do orago fosse antecipada para Setembro e celebrada com o ritual da Natividade de Maria Santíssima em honra e louvor de Nossa Senhora do Livramento.
A mudança de orago, de há muito insistentemente reclamada pelo povo, só viria a ocorrer em 1954, oficializada por D. Manuel Afonso de Carvalho, bispo coadjutor de Angra e titular de Rodosto, durante a visita pastoral àquela Igreja a 8 de Julho desse ano.
A agricultura e a agro-pecuária constituem as principais actividades económicas na Caveira, onde a indústria nunca foi além de uma fábrica artesanal de manteiga, ali instalada, em 1896, por José Luís de Freitas, e que funcionava com natas recolhidas não só na localidade mas também nas freguesias da Lomba e do Mosteiro.
A freguesia não possui qualquer filarmónica, clube de futebol ou associação de carácter recreativo-cultural e data apenas de 1 de Agosto de 1879 a abertura da primeira escola primária, em casa, para o efeito competentemente mobilada, oferecida por Manuel Jacinto Carlos Flores, pai de Casimiro Augusto Flores, acabado de chegar de Lisboa com o curso da Escola Normal e que viria a falecer vitimado pela tísica pulmonar em Janeiro do ano seguinte.
De entre os naturais da Caveira distinguiram-se o padre Francisco Cristiano Korth (1881-1946), ouvidor eclesiástico e administrador do concelho, e o cónego José Maria Fernandes (1879-1949), que foi deão do cabido da Sé de Macau e por várias vezes governador daquele bispado. Francisco Gomes (Abr.2001)
Ponta da Caveira Importante saliência da costa oriental da ilha das Flores, com forma de seta, limitada por arribas de cerca de 100 a 120 m de altura. Localiza-se na freguesia da Caveira. M. Eugénia S. de Albergaria Moreira
Bibl. Cordeiro, A. (1981), História Insulana das Ilhas a Portugal Sugeytas no Oceano Occidental. Rempr. da ed. de 1717, s.l., Secretaria Regional da Educação e Cultura: 483. Deusdado, F. (1907), Quadros Açóricos Lendas Chronographicas. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal: 201-205. Frutuoso, G. (1963), Livro Sexto das Saudades da Terra. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada: 336. Gomes, F. A. N. P. (1997), A Ilha das Flores: da redescoberta à actualidade (subsídios para a sua História). Ribeira Grande, Câmara Municipal de Lajes das Flores: 86-89, 230, 304 e 485. Instituto Nacional de Estatística (1991), XIII Recenseamento Geral da População. III Recenseamento Geral da Habitação. Dados definitivos. Lisboa, INE.
