cavalinha

Nome pelo qual são conhecidas as plantas da família das Equisetáceas pertencentes às espécies Equisetum telmateia e E. ramosissimum, segundo Palhinha (1966). A primeira também é conhecida por rabo-de-asno (Costa, 1946; Constância et al., 1997). Este nome alude ao facto de os caules estéreis lembrarem a cauda de um cavalo.

Planta com rizoma longo, ocupando extensões consideráveis debaixo do solo; caule muito ramificado, atingindo cerca de 1 m de altura, com dimorfismo forte; caules estéreis verdes e profusamente ramificados, aparecendo depois dos férteis, erectos, cilíndricos, com 50 a 200 cm de altura; caules férteis, curtos, até 40 cm de altura, simples, erectos, cilíndricos, um tanto carnudos, e de cor acastanhada pálida; bainhas verde pálido com 20 a 30 dentes (Fernandes e Ormonde, 1980).

Nos Açores, ocorre nas ilhas de Santa Maria, S. Miguel, Terceira, S. Jorge, Faial e Flores, geralmente acima dos 400 m de altitude, mas na ilha das Flores descendo até aos 100 m. Encontra-se à volta de lagoas, no fundo das ravinas, em depressões onde se acumulam águas de escorrimento e em locais onde a ocorrência de água é constante, geralmente na floresta de laurissilva bem desenvolvida. A sua área de distribuição geográfica inclui as ilhas do Atlântico norte, a Europa, a Ásia ocidental, a África norte-ocidental e América do Norte (Palhinha, 1966; Sjögren, 1984).

E. ramosissimum, segundo Franco (1971), é um geófito rizomatoso com caules aéreos até 100 x 0,5 cm, simples ou ramificados, normalmente secando no Outono; costas irregularmente verruculosas; 8 a 20 sulcos; bainhas mais compridas que largas, verdes mas tornando-se castanhas com uma faixa escura na base e anegradas, assovelado-filiformes e parcialmente caducos; canal central com ½ a ? do diâmetro do caule; estróbilo com 8 a 22 mm.

Foi registada para os Açores por Watson (1847), como E. limosum, onde é conhecida em sítios arenosos e húmidos (Franco, 1971), em S. Miguel e na Terceira (Fernandes e Ormonde, 1980).

E. arvense, segundo Franco (1971), é um geófito de caules aéreos biformes: (1) caules estéreis até 80 x 50 cm, verdes, em geral regular e abundantemente ramificados com ramos ascendentes ou suberectos; costas sublisas; sulcos (4-) 6 a 19; bainhas verdes; canal central de diâmetro inferior a ½ do diâmetro do caule; e (2) caules férteis até 25 cm, aparecendo antes dos estéreis, simples, castanho-pálidos, secando após a dispersão dos esporos, com 4 a 6 bainhas castanho-pálidas de dentes mais escuros; estróbilo com (4-) 10 a 40 mm.

Foi referida para S. Miguel por Willmanns e Rasbach (1973), que observaram plantas desta espécie em Ribeira de Salga. Luís M. Arruda (2002)

Bibl. Constância, J. P., Braga, T. J., Nunes, J. C., Machado, E. e Silva, L. (1997), Lagoas e lagoeiros da ilha de S. Miguel. Ponta Delgada, Amigos dos Açores. Costa, C. (1946), Terminologia agrícola micaelense. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 4: 91-98. Fernandes, A. e Ormonde, J. (1980), Equisetum telmateia (Equisetaceae) In Fernandes, A. e Fernandes, R. B. (eds.), Iconographia Selecta Florae Azoricae. Secretaria Regional da Cultura da Região Autónoma dos Açores, 1, 1: 23-27. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal (Continente & Açores). Lisboa, I. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Sjögren, E. (1984), Açores, Flores. Horta, Direcção Regional de Turismo. Willmanns, O. e Rasbach, H. (1973), Observations on the Pteriophytes of S. Miguel. British Fern Gazette, 10, 6: 321.