caunacídeos

Nome dado aos peixes marinhos da família Chaunacidae. Segundo Caruso e Pietsch (1986), os peixes que nela se incluem têm a cabeça grande, cubóide e o corpo alongado e ligeiramente comprimido; a boca grande, oblíqua a vertical, com numerosos dentes viliformes, pequenos; a pele fina, com pequenas escamas semelhantes a espinhos; aberturas branquiais reduzidas a pequeno poro localizado imediatamente atrás e bem acima da base das barbatanas peitorais. Barbatana dorsal separada em porções mole e espinhosa; porção espinhosa com 3 raios, isolados, sobre a cabeça; primeiro espinho (ilício) curto, livre, modificado como aparelho de pesca, que pode baixar-se para trás e alojar-se numa goteira nua (cavidade ilicial) da face superior do focinho; segundo e terceiro espinhos da barbatana dorsal reduzidos e incluidos na pele. Parte mole da barbatana dorsal com 11 - 12 raios. Anal com 6 - 7 raios. Órgãos da linha lateral dentro de canais abertos conspícuos, especialmente proeminentes na cabeça.

Habitam junto a fundos relativamente pouco profundos; alimentam-se de peixes e invertebrados. Reprodução como nos outros peixes-pescadores (v. g. peixe-engana, em Ponta Delgada; peixe-diabo, em Vila Franca do Campo); ovários em forma de rolo duplo; os ovos são libertados conjuntamente, numa massa gelatinosa, flutuante, grande e única.

Para os Açores estão registadas as espécies Chaunax pictus, por Roule (1919), com base num exemplar colhido, em 1902, a 3 milhas a norte do Faial, a 950 m de profundidade, e C. suttkusi, por Caruso (1989), referindo um exemplar existente no Museu de Paris, colhido ao largo dos Açores, em 1971. Segundo Santos et al. (1997), C. pictus tem sido o nome aplicado aos indivíduos dos Açores desde Roule (1919). A revisão recente desta família por Caruso (1989), onde foi criada a nova espécie C. suttkusi, levantou a suspeita de que o exemplar de Roule podia pertencer a esta nova espécie. O exame deste exemplar levou à conclusão de que ele pertence, provavelmente, à espécie C. suttkusi. Contudo, como os caracteres distintivos das espécies são, principalmente, baseados na pigmentação, que pode ter mudado desde 1902, é necessária revisão posterior. Também Azevedo e Heemstra (1995) referem a necessidade de confirmar a identidade de C. pictus devido à existência da nova espécie C. suttkusi, referida por Caruso (1989), colhida ao largo dos Açores, em 1971. Um exemplar desta espécie, colhido ao largo da ilha das Flores (39º 23' 25" N, 31º 52' 13" W) tinha 10 raios na barbatana dorsal e 3 na anal. Luís M. Arruda (2001)

Bibl. Azevedo, J. M. e Heemstra, Ph. C. (1995), New records of marine fishes from the Azores. Arquipélago (Life and Marine Sciences), 13A: 1-10. Caruso, J. H. (1989), Systematics and distribution of Atlantic chaunacid anglerfishes (Pisces: Lophiiformes). Copeia, 1: 153-165. Caruso, J. H. e Pietsch, T. W. (1986), Chaunacidae In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 1369-1370. Roule, L. (1919), Poissons provenant des campagnes du yacht Princesse-Alice (1891-1913) et du yacht Hirondelle II (1914). Résultats des campagnes scientifiques accomplies sur son yacht par Albert I, Prince souverain de Monaco, 52. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago (Life and Marine Sciences), Supplement 1.