Castro, Martinho de Mello e

 [N. Lisboa, 11.11.1716 – m. Ibid., 24. 3. 1795] O elogio que lhe dedicou Stockler retrata-o assim: «Do conselho de S. M. F., Grã Cruz Alferes da Ordem de S. Tiago, Comendador da Ordem de Cristo, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Marinha e dos Domínios Ultramarinos, Secretário da Sereníssima Casa de Bragança e Sócio Honorário da Real Academia das Ciências», podendo-se afirmar que diz o essencial.

Filho-segundo de uma casa da nobreza, foi destinado à vida eclesiástica, estudando com os jesuítas, em Évora, e graduando-se em Cânones, em Coimbra, foi nomeado cónego da Patriarcal (1739). Com pouca vocação para o sacerdócio, mas com grande talento político, foi aproveitado por D. José para a diplomacia, exercendo o cargo de embaixador em diversas cortes.

Em 1790, foi nomeado Secretário de Estado dos Negócios da Marinha e dos Domínios Ultramarinos, cargo que ocupou até à morte e onde se distinguiu pelas reformas introduzidas na organização da Marinha de Guerra e nos preparativos militares para a guerra nas fronteiras do Brasil.

Da sua Secretaria de Estado dependia a capitania-geral dos Açores que orientou essencialmente no período do governo de Diniz Gregório de Melo Castro e Mendonça (1774-1793). Foi um período que sucedeu à organização inicial da capitania e onde se começou a notar uma certa ineficiência do sistema, surgindo as primeiras constetações internas, mas onde a estabilidade da política portuguesa permitiu a intervenção governamental activa. J. G. Reis Leite (2001)

Bibl. Leite, J. G. R. (1971), Administração, Sociedade e Economia dos Açores 1766-1793. Arquivo Açoriano, Lisboa, XVI. Id. (1988), O Códice 529 – Açores do Arquivo Histórico Ultramarino. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura: 200 e segs. Maia, F. A. M. F. (1988), Capitães Generais 1766-1871. 2ª ed., Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada: 31-53. Stocker, F. B. G. (1805), Elogio de Martinho de Mello e Castro In Obras. Lisboa, Tip. da Academia das Ciências, I: 248-282.