Castelo Branco

Freguesia do concelho e comarca da Horta, diocese de Angra do Heroísmo e Ilhas dos Açores, situada na encosta meridional da ilha do Faial, entre as freguesia de Capelo, a ocidente, e de Flamengos e de Feteira, a oriente. GEOGRAFIA Inclui doze lugares, sendo Lombega o mais importante. Topograficamente ocupa a vertente sul da Caldeira, declivosa na parte superior, mas regular, sem grandes elevações, drenada por várias ribeiras encaixadas nos piroclastos e lavas basálticas. Tem uma longa linha de costa, pouco sinuosa, com arribas altas e escarpadas no sector exposto a ocidente, até à ponta de Castelo Branco, e arribas mais baixas, orladas por uma plataforma coberta por calhau, no sector exposto a sul, até à ponta do Frade. A sede de freguesia situa-se na baixa encosta, exposta a sul, e sobranceira à plataforma litoral onde foi construído o aeroporto da Horta.

Em 1991 a freguesia contava 1341 habitantes, dos quais 636 homens e 705 mulheres (INE, 1991). M. Eugénia S. de Albergaria Moreira (2001)

HISTÓRIA, CULTURA, SOCIEDADE, ECONOMIA Situada a 10 km a ocidente da sede de concelho, numa zona plana e de excelentes condições agro-pecuárias, é, sob o ponto de vista económico, uma das mais importantes freguesia e áreas produtivas da ilha do Faial.

Desconhece-se a data precisa da sua fundação, sabendo-se todavia, que terá sido anterior ao ano de 1568. Tem como orago Santa Catarina de Alexandria.

O seu patrónimo advém-lhe, segundo recuada tradição, de um morro, (Morro de Castelo Branco), de contextura e cor esbranquiçada, assemelhando-se quiçá a velho castelo medieval, e que lhe fica no extremo litoral, ligado a terra por estreito, sinuoso e íngreme istmo. O mesmo morro, que continua sendo o ex-libris da freguesia e que porventura terá enchido o imaginário de várias gerações, vivo e repleto de história, afectos e mistérios. Consta que foi refúgio das professas do Convento de S. João (freiras da ordem de Santa Clara), e de outros conventos, contra a abundante pirataria que deambulava pelos mares dos Açores, tendo nele existido, em 1623, «dois conventos de freiras, com oficinas, igreja e tanques de agua» segundo Diogo das Chagas (Chagas, 1989), várias casas de “refúgio”, segundo Lima (1943), destinadas a “aboletamento” em caso de emergência, de que hoje nem vestígios existem, e até, para aguçar as imaginações mais férteis, um imenso tesouro ali enterrado e nunca até agora encontrado.

Junto a este morro e ao longo do litoral, está localizada a infraestrutura aeroportuária da ilha, (Aeroporto Internacional da Horta). Constitui-se como uma das infraestruturas de maior relevância para a ilha (e arquipélago), que conjuntamente com a do porto da Horta, prefiguram o esteio mais directo de apoio ao desenvolvimento, local e regional, que há muito a ilha e o arquipélago anseiam. Para tal desiderato, procedeu-se recentemente à remodelação e ampliação da gare de passageiros e a breve trecho, da pista, que ficará com cerca de dois mil metros de comprimento e extensão útil.

É ao sector primário, mais concretamente ao agro-pecuário, (bem à semelhança das restantes freguesias rurais), que ela vai buscar a sua fonte mais directa de riqueza, embora a proximidade da cidade lhe granjeie, tal como às outras que lhe ficam na periferia, o “estatuto” de dormitório, já que são muitos os habitantes que nela têm o seu múnus e a sua fonte principal de ocupação e rendimento.

Como património religioso, possui a igreja devotada a Santa Catarina da Alexandria, edificação do último quartel do século XVIII (1767) que substituiu outra dos primórdios do século XVI (anterior a 1514). Existem ainda, como património religioso, e consagradas às festas do Divino Espirito Santo, as seguintes edificações: Ermida do Império da Coroa. Velha; Ermida do Império da Coroa Nova; Ermida do Império da Lombega; Ermida do Império da Ribeirinha; Ermida de Nossa Senhora da Boa Viagem; Centro Paroquial Pe. José Correia da Rosa, este com características polivalentes mais vastas, no âmbito cultural, social e religioso.

Ao longo dos anos, esta freguesia desenvolveu uma actividade cultural apreciável, (teatro, música, etc.), nunca descurando o seu melhor sentido de comunidade, muito arreigado, que se desenvolveu e enrobusteceu, continuando vivo e activo no presente.

Como agremiações culturais contam-se: o Grupo Etnográfico de Castelo Branco, A Tuna da Casa do Povo de Castelo Branco, a Sociedade União Recreio e Desporto, o Clube Recreio e Fraternidade e a Sociedade Filarmónica Euterpe de Castelo Branco, sociedade musical, artística, recreativa e beneficente, cujo nome lhe advém da musa inspiradora da poesia e da música. Fundada em 12 de Maio de 1912, possui uma escola de solfejo e de música. De salientar ter sido a primeira filarmónica na ilha e nos Açores a inserir nas suas fileiras elementos do sexo feminino. Do seu curriculum constam inúmeras deslocações, em tocatas de animação, festas religiosas e profanas pela ilha e pelas outras ilhas do arquipélago. Como associação cívica existe o Agrupamento de Escuteiros 1098.

Como infraestruturas desportivas possui um campo de futebol e um centro polidesportivo.

O número de habitantes, em 1991, era de 1341, distribuídos por 443 fogos, pelas diversas zonas que a compõem, (por volta de 1872, segundo S. de Macedo, terão sido 2195 em 518 fogos), verificando-se assim, e bem à semelhança do que acontece com a maioria das restantes freguesias da ilha, um decréscimo acentuado de população ao longo da sua história recente, atingindo o seu máximo, após a crise sísmica de 1958 (finais da década de 50, inícios da de 60), em que a emigração (sobretudo para os EUA e Canadá), atingiu proporções desmesuradas.

A agricultura e a pecuária são as actividades económicas por excelência da comunidade. Embora a pesca tenha ainda alguma expressão, não possui a relevância daquelas. Quer o comércio quer a indústria estão de acordo com a dimensão e a consequente amplitude demográfica actual, existindo uma panificadora, várias empresas de construção civil, carpintarias e oficinas de serração de madeira, de reparação no ramo automóvel, de pintura, serralharia, snack-bars, cafés, bomba de combustível, residencial e estabelecimentos comerciais, incluindo farmácia. Humberto Moura (Mar.2001)

Heráldica Ordenação aprovada pela assembleia de freguesia, em 28 de Setembro de 1998:

Brasão: Escudo de verde, com um promontório de prata, nascente de uma campanha ondada de prata e verde; em chefe, coroa antiga de ouro, com sua pedraria, trespassada por uma espada de prata com punhos de ouro e uma palma do mesmo, passadas em aspa. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: «Castelo Branco – Horta».

Bandeira: branca. Cordão e borlas de prata e verde. Haste e lança de ouro.

Selo: Nos termos da lei, com a legenda: «Junta de Freguesia de Castelo Branco – Horta». Luís M. Arruda (2006)

Bibl. Chagas, D. (1989), Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores. S.l., Secretaria Regional da Educação e Cultura/ Universidade dos Açores. Frutuoso, G. (1963), Livro Sexto das Saudades da Terra. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Instituto Nacional de Estatística (1991), XIII Recenseamento Geral da População. III Recenseamento Geral da Habitação. Dados definitivos. Lisboa, INE. Lima, M. (1943), Anais do Município da Horta. Famalicão, Of. Gráficas Minerva. Macedo, S. (1981), História das Quatro Ilhas que Formam o Distrito da Horta. Ponta Delgada, Secretaria Regional de Educação e Cultura, III. Mont’Alverne, A. (1960), Crónicas da Província de S. João Evangelista das Ilhas dos Açores. Ponta Delgada, Instituto Cultural, I: 319.