castanheta

Nome vulgar das espécies de peixe marinho Chromis limbata (Collins, 1954; Sampaio, 1904; ICN, 1993) e Abudefduf luridus (Collins, 1954) ambas da família Pomacentridae. C. limbata também é conhecida por castanheta-amarela (Santos et al., 1997) e A. luridus por castanheta-azul (ICN, 1993) ou castanheta-preta (Santos et al., 1997).

Segundo Quinhard e Pras (1986), C. limbata tem olhos grandes; boca fortemente protráctil, atingindo a vertical do olho; três fiadas de dentes semelhantes a caninos pequenos nas maxilas: preopérculo não ou ligeiramente serreado; cabeça completamente escamosa. Segundo Arruda (1980), barbatana dorsal com 13-14 espinhos e 9-12 raios; anal com 2 espinhos e 9-12 raios; peitoral 18-20 raios; vértebras 24-26; linha lateral com 25 a 32 escamas.

Segundo Mapstone e Wood (1975), a cor do corpo das fêmeas é, predominantemente, castanha dourada e as barbatanas pares são douradas; a barbatana caudal com uma risca branca sobre a margem posterior, marginada de preto anteriormente, com o restante em cor de laranja; os machos fora do período de reprodução e em postura não agressiva são de cor semelhante, mas durante a reprodução, de guarda ao ninho, ou em posições agressivas o corpo torna-se cor de malva-viva com colorações malva sobre as barbatanas dorsal, anal e caudal; quando jovens são da cor das fêmeas.

Espécie gregária, forma pequenos cardumes que nadam a meia água, 2 m ou mais acima de rochedos e de algas. Mapstone e Wood (1974, 1975) encontraram esta espécie entre os 3 m e os 35 m de profundidade, referindo que as maiores densidades (até 20 indivíduos por 100 m2) foram observadas entre 5 m e 20 m. Patzner e Santos (1993) também referem que esta espécie prefere profundidades superiores a 5 m. Alimenta-se de pequenos animais bênticos e plantónicos.

Ninho, ovos e desenvolvimento embrionário, larvas e juvenis estão descritos por Willis e Wood (1974) e Ré e Gomes (1982). O comportamento social e reprodutor foi estudado por Mapstone e Wood (1974, 1975). Reproduzem-se no Verão, produzindo ovos com um tufo de filamentos adesivos; naquela estação, os machos deslocam-se para o fundo, onde seleccionam um território que defendem dos machos da mesma espécie e de outras; as fêmeas são atraídas para esse território por movimentos rituais dos machos, onde depositam os ovos em ninho sobre as rochas, algumas vezes sobre fundos arenoso e regressam ao respectivo grupo demersal; os machos permanecem no local cuidam dos ovos até à eclosão, após o que retomam os seus hábitos demersais, mas regressando, periódica e temporariamente, ao seu território (cf. Azevedo, 1997). Mapstone e Wood (1974, 1975) sugerem que cada macho se reproduz por mais de uma vez em cada época.

Ocorrem no Mediterrâneo e no Atlântico desde a costa portuguesa até Angola, nas Canárias, na Madeira e nos Açores para onde foram registados por Hilgendorf (1888) como Heliases chromis.

Os indivíduos da espécie A. luridus, segundo Quinhard e Pras (1986), têm olhos grandes; barbatana dorsal com 13 raios e 15-16 espinhos; barbatana anal com 2 espinhos e 12-14 raios; cabeça escamosa, excepto a extremidade do focinho e a mandíbula; ao longo da primeira parte da linha lateral 21-22 escamas, cada com um grande poro, ao longo da segunda parte 8-11, cada com um poro pequeno.

Segundo Mapstone e Wood (1975), o corpo e as barbatanas dos indivíduos fora do período de reprodução e das fêmeas em reprodução têm cor predominantemente negra ou castanha muito escura, tornando-se um pouco mais clara sobre o ventre; uma mancha azul na base da barbatana peitoral, uma risca azul sobre o primeiro espinho da barbatana pélvica e algumas poucas manchas azuis espalhadas acima e atrás dos olhos; os machos em reprodução têm as mesmas marcas azuis, mas o corpo é mais castanho escuro do que negro; quando jovens têm o corpo e as barbatanas castanho-escuros e, juntamente com as manchas azuis referidas para os adultos, as margens das barbatanas dorsal e anal azuis, uma linha longitudinal, atrás dos olhos, azul e uma mancha azul sobre a superfície dorsal do pedúnculo caudal.

Segundo Mapstone e Wood (1975) e Patzner et al. (1992), habitam o litoral, próximo de rochas ou de grandes pedras, penetrando, ocasionalmente, em fendas ou buracos, raras vezes junto de declives acentuados ou áreas horizontais, ou sobre areia, entre 3 m e 35 m, embora particularmente abundantes entre 5 m e 20 m. Alimentam-se principalmente de algas e de pequenos invertebrados. Reproduzem-se de Junho a Agosto; os machos defendem os seus ninhos de ovos demersais. Não gregários, conservam uma área como território, mostrando posturas agressivas para os outros indivíduos da mesma espécie. A sua etologia foi estudada por Mapstone e Wood (1975) e Santos (1995). Os ovos, as larvas pós-eclosão e os jovenis foram descritos por Ré (1980).

Foram registados para os Açores por Hilgendorf (1888) como Glyphisodon luridus. Ocorrem também na Madeira, nas Canárias e em Cabo Verde.

Baseados na morfologia e no comportamento destes indivíduos, Edwards (1986) e Allen (1991) levantam dúvidas sobre a sua inclusão no género Abudefduf. Luís M. Arruda (2001)

Bibl. Allen, G. R. (1991), Damselfishes of the World. Melle (Alemanha), Mergus. Azevedo, J. N. (1997), Estrutura de uma comunidade ictiológica do litoral da ilha de São Miguel (Açores): caracterização e variações espaço-temporais. Dissertação de doutoramento. Ponta Delgada, Universidade dos Açores. Collins, B. L. (1954), Lista dos peixes dos mares dos Açores, Açoreana, 5, 2: 103-142. Edwards, A. (1986), A new damselfish Chromis lubbocki (Teleostei: Pomacentridae) from the Cape Verde Archipelago, with notes on other Eastern Atlantic pomacentrids. Zoologisches Mededeelingen, 60: 181-207. Hilgendorf, F. M. (1888), Die Fische der Azoren In Simroth, H. (ed.), Zur Kenntniss der Azorenfauna. Archiv für Naturgeschichte, 1, 3: 179-234. Instituto da Conservação da Natureza (1993), Livro vermelho dos vertebrados de Portugal, vol. III: Peixes marinhos e estuarinos. Lisboa, ICN. Mapstone, G. e Wood, E. M. (1974), Behaviour of the pomacentrids Abudefduf luridus and Chromis chromis In Report of Exul Sub Aqua Club Scientific Diving Expedition to São Miguel, Azores, August 1973: 7-40. Id. (1975), The ethology of Abudefduf luridus and Chromis chromis (Pisces: Pomacentridae) from the Azores. Journal of Zoology, Londres, 175: 179-199. Patzner, R. A. e Santos, R. S. (1993), Ecology of rocky littoral fishes of the Azores. Courier Forschungsinstitut Senckenberg, 159: 423-427. Patzner, R. A., Santos, R. S., Ré, P. e Nash, R. D. M. (1992), Littoral Fishes of the Azores: an annotated checklist of fishes observed during the ‘Expedition Azores 1989’. Arquipélago (Life and Earth Sciences), 10: 101-111. Quinhard, J.-P. e Pras, A. (1986), Pomacentridae In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 916-918. Ré, P. (1980), The eggs and newly hatched larvae of Abudefduf luridus (Cuvier, 1830) (Pisces: Pomacentridae) from the Azores. Arquivos do Museu Bocage, 7, 8: 109-116. Ré, P. e Gomes, J. (1982), The eggs, newly hatched larvae and juveniles of the Azorean Chromis (Pisces: Pomacentridae). Boletim da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, 21: 9-18. Sampaio, A. S. (1904), Memória sobre a ilha Terceira. Peixes. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal: 129-136. Santos, P. A. (1995), Comportamento e reprodução sexual na castanheta-azul, Abudefduf luridus (Cuvier, 1830) nos Açores. Relatório de estágio de licenciatura, Faro, Universidade do Algarve. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago (Life and Marine Sciences), Supplement 1. Willis, W. C. e Wood, C. E. (1974), Development of Abudefduf luridus and Chromis chromis In Report of Exul Sub Aqua Club Scientific Diving Expedition to São Miguel, Azores, August 1973: 41-46.