Casas dos Açores

Nos espaços onde a (e)migração açoriana tem algum significado foram criadas várias Casas dos Açores, ao longo do século XX. No continente português, surgiu a primeira Casa dos Açores (1927), em Lisboa; a do Norte (1980), no Porto, e a do Algarve (1992), em Faro. No Brasil, a do Rio de Janeiro (1952), a de S. Paulo (1980), a de S. Salvador e a Casa dos Açores–Museu Etnográfico, em Florianópolis. No Canadá, a de Toronto (1985) e a de Quebec (1978). Nos Estados Unidos da América, a de Hillmar (1977), na Califórnia, e a de Nova Inglaterra (1991).

A actividade destas associações tem tido em conta as características do meio em que se inserem, mas, no geral, prosseguem os seguintes objectivos: divulgar os valores e a cultura dos Açores; manter a comunidade ligada à região de origem; promover o convívio entre os sócios e auxiliar os patrícios mais necessitados em várias áreas. Para atingir estes objectivos, têm sido promovidas variadíssimas iniciativas de que se destacam: festas do Espírito Santo e do Senhor Santo Cristo dos Milagres; divulgação do folclore, tendo algumas delas organizado os próprios grupos; realização de palestras, colóquios, lançamentos de livros, exposições de arte, edição de revistas ou boletins, semanas culturais, etc. Nos últimos anos, as Casas dos Açores, pelo trabalho desenvolvido e pelo prestígio granjeado têm vindo a ser reconhecidas como interlocutores privilegiados, pelos organismos oficiais dos Açores, perante as comunidades açorianas. Com o objectivo de trocarem experiências entre si, de definirem estratégias de actuação e de tornar mais eficaz a sua acção foi criado, em 1997, o *Conselho Mundial das Casas dos Açores.

De todas estas associações, a de Lisboa destaca-se pela importância política e cultural que tem desenvolvido ao longo dos anos. Agregou à sua volta o poderoso lobby açoriano que actuou durante muitos anos junto do Poder Central em defesa de interesses insulares, no período do Estado Novo, e tem desenvolvido, com regularidade, um intenso programa cultural em todas as áreas. Pelas razões apontadas, em 1928, foi a primeira associação regional a ser reconhecida pelo governo como Instituição de Utilidade Pública e, em 1989, foi condecorada com a Ordem do Infante Dom Henrique. Na sua sede funcionam uma Irmandade do Espírito Santo, uma Irmandade do Senhor Santo Cristo, duas associações de antigos alunos dos Liceus de Angra do Heroísmo e da Horta e a Tuna Universitária da Casa dos Açores (TUCA). Carlos Enes (Fev.2001)

Bibl. Enes, C. (1996), A Casa dos Açores em Lisboa. Lisboa, Casa dos Açores.