Carvão
Da ilha Terceira. Esta família descende por linha varonil de Baltazar Gonçalves Carvão, residente na vila das Lages, ilha do Pico, onde exercia um ofício e era considerado como homem honrado do seu concelho. Este genearca casou duas vezes, a primeira das quais com Isabel Fernandes, cujo nome fr. Diogo das Chagas ignora, mencionando todavia ser fama que descenderia do tronco dos Fagundes da ilha Terceira, e a segunda com Catarina Nunes. Julgo que Manuel Gonçalves Carvão, com o qual se inicia a notável ascensão social desta linhagem, seria primogénito do primeiro casamento. Juntando a actividade económica à política, foi mercador de bom trato, e partidário da Restauração, contando-se entre os primeiros que aclamaram D. João IV. Foi ferido num recontro com as forças filipinas e bateu-se valorosamente no cerco do castelo de S. Filipe. Pelos serviços prestados à nova dinastia foi recompensado com 20.000 reis de tença e o grau de cavaleiro da Ordem de S. Tiago (alvarás de 9.9.1642 e 15.3.1644, e carta régia de 30.8.1656). Foi procurador do concelho na comarca de Angra e vereador da respectiva câmara. Entre 1646 e 2 de Novembro de 1661, data da sua morte, exerceu o cargo de tesoureiro geral do donativo das décimas. Casou com Maria da Fonseca, filha do alcaide pequeno de Angra, Bartolomeu Gomes de Oeiras, e de sua mulher Maria (ou Luísa) da Fonseca. Dotou duas irmãs inteiras e duas meias-irmãs que professaram no Convento de Jesus, em Angra, e teve outro irmão, fr. António de S. Tiago, religioso franciscano.
O seu primogénito, António da Fonseca Carvão, nasceu em Angra, em 3 de Abril de 1648. Foi cavaleiro fidalgo da Casa Real (alvará de 20.2.1706), fidalgo de cota de armas (carta de 27.5.1681), cavaleiro da Ordem de Cristo (29.3.1689) e foi aceite como familiar do Santo Ofício em 1683. Tesoureiro-geral das ilhas Terceira e Faial e administrador da Junta de Comércio da ilha Terceira, casou na vila da Horta, ilha do Faial, a 26.8.1684, com D. Maria Antónia Paim da Câmara e Silveira, filha do capitão Paulo Machado Ferreira e de sua mulher D. Inês Paim da Câmara e Silveira.. Extinguindo-se a geração do irmão desta última D. Inês Paim da Câmara e Silveira, a chefia do nome e armas dos Paim portugueses veio a recair nos descendentes deste António da Fonseca Carvão. Desta linha primogénita descendia António da Fonseca Carvão Paim da Câmara que, por decreto de 13.5.1837 foi agraciado com o título de barão do Ramalho, que pertenceu ao Conselho de S. M. F. e foi membro destacado do movimento liberal na ilha Terceira, tendo casado em Angra, a 15.7.1807, com D. Rosa Isabel de Menezes Lemos e Carvalho, neta paterna dos oitavos senhores da Trofa.
É actual representante desta família o eng. técnico agrário António da Fonseca Carvão Paim da Câmara, casado a 17 de Abril de 1960, na antiga casa de N. Sra. do Guadalupe, na Foz do Arelho, com D. Maria do Guadalupe Paiva de Magalhães Calado, filha dos senhores daquela casa, com geração actual. Manuel Lamas (2002)
