Carvalhal

Da ilha Terceira. Os genealogistas açorianos referem terem passado à ilha Terceira, em data posterior a 1520, dois irmãos, Francisco Dias do Carvalhal e Gonçalo Dias do Carvalhal que, regressando do Oriente, se fixaram em Angra. Teriam servido na Índia e seriam membros de uma das ordens militares, razão pela qual teriam sido conhecidos pelos Cavaleiros. O primogénito, Francisco Dias do Carvalhal, de acordo com Maldonado, seria chefe do nome e armas do apelido, o que parece, pelo menos, discutível, e senhor da casa dos Carvalhais, na freguesia de Santa Marinha da Costa, termo de Guimarães. Em abono desta afirmação o mesmo autor cita uma carta (Carta de Brasão de Armas?) passada em Évora, em 5 de Fevereiro de 1435, reinando el-rei D. Duarte, em que se mencionavam como ascendentes desta casa Martim Domingues (do Carvalhal), filho de Domingos Esteves do Carvalhal e sua mulher Maria Anes. Não foi encontrada qualquer referência a esta carta, nem tão pouco à alegada casa dos Carvalhais em Santa Marinha da Costa, com excepção de uma referência de Azevedo Soares, segundo o qual, este casal pertenceria no final do século XIX à casa de Vila Pouca. É certo que existiu uma família deste apelido em Guimarães, que usava inicialmente a grafia Carvajal, indiciando uma origem castelhana, mas os elementos disponíveis não permitiram estabelecer qualquer relação. Francisco Dias do Carvalhal ocupou cargos na governança de Angra, sendo referido como vereador em 1532. Casou com Catarina Neto, filha de João Álvares Neto e de sua mulher Mécia Lourenço, que morreu na Sé de Angra (já viúva) a 21 de Agosto de 1588, deixando como testamenteira sua nora Maria Borges, também já viúva do primogénito João Dias do Carvalhal. Este filho mais velho, nascido ao redor de 1540, foi uma figura de destaque na cidade de Angra no último quartel do século XVI. Vereador em 1577 , nos finais de Julho de 1580, secundou os esforços do sogro, Estêvão Cerveira Borges, um dos principais promotores da aclamação de D. António, Prior do Crato. Homem pragmático, e com uma casa a defender, João Dias do Carvalhal cedo suspeitou da viabilidade da causa que abraçara, obtendo do conde Manuel da Silva Coutinho autorização para se deslocar a França, onde avaliou as forças em confronto. Desenganado com a candidatura do Prior do Crato, passou a Lisboa e aderiu à causa de Filipe II.

Conhecida esta deserção em Angra viu os bens sequestrados e a família perseguida. Mas, derrotado o Prior do Crato, Filipe II compensou-o com o hábito de Cristo e o foro de Fidalgo da Casa Real.

Faleceu em Lisboa, antes de 1588, e foi sepultado na igreja de S. Paulo. De sua mulher, Maria Borges, teve, primogénito, Francisco Dias do Carvalhal, bacharel em Leis e cavaleiro da Ordem de Cristo, falecido em 1599 a bordo da nau Santo António, quando se dirigia à Índia para ocupar um cargo de ouvidor; sem geração. O secundogénito e sucessor, chamou-se Estevão da Silveira Borges, foi fidalgo cavaleiro da Casa Real por alvará de 29 de Maio de 1609, e casou com Bárbara Machado Vieira, irmã do mártir S. João Baptista Machado, filhos de Cristóvão Nunes Vieira e de sua mulher

Maria Cota de Malha, com geração de grande destaque social na ilha Terceira, de que existem representantes actuais. Teve mais três filhas, religiosas no convento de S. Gonçalo, em Angra, e uma filha, ignorada pelos genealogistas, chamada Maria Borges, baptizada na Sé de Angra a 17 de Maio de 1576, tendo como padrinhos João Borges e Catarina Borges, seus tios maternos. Esta criança, presumivelmente durante o período de perseguições à família acolheu-se a Santa Bárbara, em casa de sua prima Mécia do Carvalhal, casada com João Bernardo da Silveira Borges, casal que não tinha filhos. Nessa freguesia casou, entre 1601 e 1603, com Belchior Vieira Coelho, baptizado na mesma freguesia a 23 de Maio de 1580, filho de Pedro Anes Vieira e de sua mulher Catarina Coelho. Maria Borges faleceu na mesma a 13 de Agosto de 1661 e foi enterrada em sepultura que comprou à fábrica da paroquial para si somente e para os pobres peregrinos, a qual ficava entre as grades de Santo Antão. Esta Maria Borges deixou larga descendência, com menor destaque social, nas freguesias de Santa Barbara e Porto Judeu, que seguiu os apelidos Coelho Borges (outros) e Vieira Borges, de que existem descendentes actuais.

Gonçalo Dias do Carvalhal, o segundo dos irmãos Carvalhal radicados em Angra, casou com sua cunhada Margarida Álvares Neto. Além da já referida Mécia do Carvalhal, teve mais dois filhos e uma filha, Margarida Neto do Carvalhal, que casou com Fernão Furtado de Mendonça, (ou de Faria) em primeiras núpcias deste, que era descendente dos Albernaz Furtado de Mendonça, da ilha do Faial, com geração. Manuel Lamas (Set.2002)