Carreiro, João Carlos Raimundo

 [N. Ponta Delgada, 2.7.1946] Professor Associado na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Tem mantido um percurso individual muito particular com uma pintura situada no terreno habitual da celebração do imaginário, onde impera a pantomina, o humor e também algum comentário corrosivo.

Na sua primeira exposição individual na galeria Zen (Porto, Maio de 1973 ), Fernando Pernes, no texto do catálogo definia Carreiro como «Jeronimus Bosch na sociedade de consumo» e acrescentava, «É essa evidente permanência do oculto e do mágico na idade dos electrodomésticos, dos mass-media, do serial pequeno-burguês, imediatamente também nacionaliza Carlos Carreiro nos pressupostos Pop».

Em Novembro de 1999, a propósito de uma exposição individual na galeria da Árvore, no Porto, Alexandre Pomar escrevou no Expresso: «...a sua figuração exuberante e minuciosa constroi-se como uma agregação interminável de personagens (históricas ou actuais, humanos ou animais) e de objectos (de consumo, máquinas, reais ou de fantasia, sem esquecer as metamorfoses entre personagens e objectos), em situações e lugares imbricados num contexto narrativo absurdo e em leituras unívocas...Carreiro serve-se livremente de todas as convenções antigas e modernas, passa do kitsh à ficção cientifica e pratica o humor e a poesia com soberana ironia».

Ao longo da sua carreira realizou 57 exposições individuais das quais se destacam as que tiveram lugar nas galerias Zen, J.N., Módulo, E:G:, Bertrand, Árvore, Degrau Arte, Sala Maior, Artésis, Galeria da Praça (Porto), 111, Diagonal, Bertrand, Soctip, Almadarte, Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa), Mário Sequeira (Braga), Presença (Coimbra), Arco 8 e Marconi (Ponta Delgada), Diagonale (Paris), etc. Participou em cerca de trezentas exposições colectivas em Portugal e no estrangeiro.

Obteve quinze prémios de pintura sendo os últimos, Prémio Nacional de Pintura da II Bienal de Artes Plásticas de V. N. de Cerveira; Prémio de Artes Plásticas da A.I.P.-1996 e Prémio BMW-Art Car, Agosto de 1997, Bienal de Artes Plásticas de V. N. de Cerveira.

A Direcção Regional dos Assuntos Culturais dos Açores entre 1991 e 1992 organizou a Exposição Itinerante Antológica de 25 anos de pintura de Carlos Carreiro que percorreu Angra do Heroísmo, Ponta Delgada, Horta, Lisboa, Porto e posteriormente Amarante, Coimbra, Gondomar, S.João da Madeira, Aveiro e Vale de Cambra.

Integrou o grupo Puzzle com Graça Morais, Jaime Silva, Albuquerque Mendes, Fernando Pinto Coelho, Dário Alves, Armando Azevedo, João Dixo e Pedro Rocha. Luís M. Arruda (2001)

 

Adenda
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Ao longo da sua carreira recebeu vários prémios, editou 6 serigrafias, realizou imagens gráficas para o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian - ACARTE 88 e para o disco dos GNR A valsa dos Detectives.
Está representado em inúmeras coleções particulares institucionais e museus assim como na Assembleia Regional dos Açores na Horta onde realizou, na Sala do Plenário um painel de pintura e projeto de tapetes. Em 1997 obteve o prémio Art-Car da BMW/Baviera.
Esteve presente na 9.ª Bienal de Vila Nova de Cerveira, na Marca - Madeira, na mostra Union Fenosa (La Corunha) e na Exposição Prémio Amadeo de Souza-Cardoso – Amarante.
Em 1998 na Arco/98, Feira de Arte Contemporânea de Madrid; esteve representado com doze artistas portugueses e estrangeiros no stand da Galeria Fernando Santos do Porto, na exposição Arte no Tempo e na exposição A Arte na Medicina no Hospital de Santo António, Porto (Org. Coop. Árvore).
Em 1999 participou na Exposição Tesouros de Portugal em Macau (Org. Coop. Árvore), na “6.ª Mostra Union Fenosa” na Corunha, na Exposição de Artistas Açoreanos na Bermuda e realizou a individual de pintura Dos Truques do Adamastor à Vingança dos Perus Cooperativa Árvore, Porto.
Em 2001 realizou uma exposição antológica no Museu de Vale de Cambra e participou nas exposições: Porto 60/70 – os Artistas e a Cidade, no Museu de Serralves; + de 20 Grupos e episódios no Porto no Séc. XX na Galeria da Biblioteca Municipal do Porto. Ainda em 2001 apresentou na Galeria Sala Maior, no Porto, a exposição individual Festas, delícias do Lar e outros Delírios e esteve representada pela mesma Galeria juntamente com Rafael Canogar na Feira de arte ART/COLOGNE 91.
Em 2002 participou na exposição 100 nomes, 100 Artistas na S.N.B.A, em Lisboa e realizou uma exposição individual na Galeria Espaço Branco em Viana do Castelo Uma Festa da Banalidade. No mesmo ano realizou pela primeira vez na Galeria de São Mamede, uma exposição individual intitulada Como revisitar a Pintura Portuguesa sem deixar de usar o limpa-metais Coração.
Ao todo, já participou em Portugal e no estrangeiro em mais de 300 exposições coletivas sendo as últimas: Os Biombos dos Portugueses em Tóquio, Argentina, S. Paulo, Lisboa Porto, Toronto e Rabat; O Rosto do Infante em Tomar e Viseu; Imagens da Família na Arte Portuguesa, 1801/1992, nas Caldas da Rainha e Évora; El Duero que nos une, organizada para comemorar o V Centenário do Tratado de Tordesilhas, com Artistas Portugueses e Espanhóis em Palência, Zamora e Salamanca. Ranu Costa (2022)