carocho

Nome vernáculo de várias espécies de insectos da ordem Coleoptera e família Carabidae, particularmente a espécies que vivem associadas ao homem e às suas actividades económicas. Assim, as espécies Laemostenus complanatus (Dejean), Amara aenea (De Geer), Anisodactylus binotatus (Fabricius), Pseudophonus rufipes (De Geer) e Harpalus distinguendus (Duftschmidt) constituem os exemplos mais comuns de espécies de carabídeos que são frequentemente encontradas associadas às habitações humanas e seus arredores (e.g. jardins, quintais) nos Açores. Estes insectos de cor negra ou verde metálico são predadores polífagos, mas precisamente algumas das espécies acima mencionadas possuem igualmente hábitos granívoros e daí estarem associadas com as habitações humanas. Existem 52 espécies e subespécies conhecidas de carochos (Insecta, Carabidae) nos Açores, das quais 20 (38%) são endémicas do arquipélago (Borges, 1990). Trata-se de uma taxa de endemismo muito superior às de outras famílias de escaravelhos dos Açores, ocorrendo estas espécies endémicas nas florestas primitivas (Laurisilva), perto de zonas húmidas (ribeiras, lagoas) e nas cavidades vulcânicas que abundam nestas ilhas. Algumas das espécies endémicas das florestas nativas são muito raras e poderão estar já mesmo extintas (e.g., Ocydromus derelictus das Flores; Calathus vicenteorum de S. Maria, Calathus extensicollis do Pico; Bradycellus chavesi de S. Miguel). Particularmente interessantes são as espécies que habitam nos tubos de lava e algares, pois possuem adaptações a este tipo de habitat como sejam a redução dos olhos e a despigmentação. Um total de sete espécies ocorrem nas cavidades vulcânicas de S. Miguel, Terceira, S. Jorge, Pico e Faial (Borges e Oromí, 1994). Os carochos que ocorrem próximo das habitações são extremamente úteis pois sendo predadores polífagos tratam de diminuir os efectivos populacionais de outros insectos menos desejáveis. Paulo Borges (Mai.2001)

 

Bibl. Borges, P. A. V. (1990), A checklist of Coleoptera from the Azores with some systematic and biogeographic comments. Boletim do Museu Municipal do Funchal, 42, 220: 87-136. Borges, P. A. V. e Oromí, P. (1994), The Azores In C. Juberthie e Decu, V. (eds.) Encyclopaedia Biospeleologica. Moulis, Sociétè de Biospéleologie, I: 605-610.