cariofiláceas
Família das Dicotiledóneas, constituída por ervas ou subarbustos, raramente arbustos, de folhas geralmente decussadas, mais raramente alternas ou verticiladas, simples, inteiras, com ou sem estípulas escariosas; de flores actinomorfas, geralmente hermafroditas, frequentemente dispostas em dicásios bracteados; sépalas 4 a 5, livres ou frequentemente unidas por faixas escariosas de tecido (comissuras) alternando com os dentes do cálice; pétalas (0) 4 a 5, livres; cápsula deiscente por dentes, em número igual ao dos estiletes (3) ou em número duplo, mais raramente baga ou utrículo.
Segundo Franco (1971) e Palhinha (1966), estão registadas para os Açores as espécies Silene vulgaris e S. uniflora conhecidas por *abremim, bermim, bremim, bramim, Silene gallica conhecida por erva-cabaceira ou gorga e ainda:
Cerastium glomeratum, terófito até 30 (-45) cm; folhas com 5-25 x 3-12 mm, as basilares oblanceoladas a obovadas, as caulinares ovadas ou elíptico-ovadas, pilosas; brácteas herbáceas; sépalas com 4-5 mm; pétalas subigualando ou menores que as sépalas (raramente nulas), bilobadas até ¼. Muito vulgar em campos cultivados e incultos e nas margens dos caminhos. Segundo Palhinha (1966), floresce desde Fevereiro (Franco, 1971).
C. fontanum sbsp. triviale, caméfito, herbáceo com até 50 cm, com ramos estéreis basais curtos, pubescente a glabrescente; folhas sésseis geralmente com 10-25 x 3-10 mm; brácteas, pelo menos as superiores, escoriosas; pétalas não ou escassamente excedendo as sépalas; sépalas com 3-5 mm; cápsula com 9-12 mm. Ocorre em prados e sítios frescos das ilhas excepto Corvo, Graciosa e Santa Maria (Franco, 1971).
C. vagans, caméfito herbáceo de 20-40 cm, hirsuto, com caules floríferos robustos e ascendentes; folhas com 20-40 x 6-10 mm, elíptico-lanceoladas, sésseis; brácteas ovado-agudas, de margens escariosas no ápice; sépalas com 5-7 mm, hirsutas; pétalas com 9-10 mm; cápsula com 6-8 mm (Franco, 1971). Endemismo açórico-madeirense, ocorre nas ilhas do Corvo, Flores e S. Jorge (Franco, 1971; Palhinha, 1966), em sítios frescos (Franco, 1971).
Stellaria media subsp. media, caules até 60 cm, com 1(-2) linha longitudinal de pêlos curtos alterna em cada entrenó, raramente glabros; inflorescência glandulosa; sépalas geralmente com 3-5 mm (Franco, 1971). Vulgar em todo o arquipélago (Franco, 1971; Palhinha, 1966), floresce desde Janeiro e é conhecida por erva-canária (Palhinha, 1966).
Sagina procumbens subsp. procumbens, hemicriptófito cespitoso, com uma densa roseta foliar e numerosos caules laterais até 20 cm, prostrados e radicantes na base, depois ascendentes; folhas com 5-15 mm, linear-assoveladas; flores solitárias, geralmente 4-mera; pedicelos com 5-20 mm; sépalas com 1-2.5 mm, mucronuladas; pétalas geralmente rudimentares ou nulas; estames 4 (-5); cápsula madura excedendo as sépalas geralmente patentes (Franco, 1971). Ocorre em todo o arquipélago, excepto na Graciosa, em sítios arenosos e húmidos, como nas margens das ribeiras, taludes e muros (Franco, 1971; Palhinha, 1966).
S. maritima, terófito cespitoso de caules prostrados ou erectos; folhas com 5-15 mm, linear-lanceoladas, um tanto carnudas; pedicelos filiformes, glabros; sépalas com 1,5-3 mm, frequentemente acapelada; pétalas rudimentares ou nulas; estames 4; cápsula madura igualando ou pouco menor que as sépalas erecto-patentes (Franco, 1971). Ocorre em areias e rochedos marítimos, nas ilhas das Flores, do Faial, do Pico, da Graciosa e da Terceira (Franco, 1971; Palhinha, 1966).
Spergula arvensis, terófito de 5-70 cm, com caules moderada a densamente pubescente-glanduloso distalmente; folhas com 10-30 (-80) mm; sépalas com 4-5 mm, ovadas; pétalas brancas, obovadas, obtusas, pouco excedendo as sépalas; estames 5-10; cápsula com 4-5 mm (Franco, 1971). Erva infestante das searas e outras terras cultivadas, especialmente em solos arenosos; calcífuga, ocorre nas Flores, no Faial, na Terceira e em S. Miguel (Franco, 1971; Palhinha, 1966). Floresce desde Janeiro (Palhinha, 1966).
Spergularia rubra, terófito de caules com 5-25 cm, mais ou menos pubescentes e geralmente glandulosos distalmente; folhas com 4-25 x 0,5-1mm, atenuadas em arista; estípulas lanceolado-acumuladas, prateadas; sépalas e pétalas com 4-5 mm, as pétalas uniformemente rosadas; estames (5-) 10; cápsula com 4-5 mm (Franco, 1971). Ocorre no Corvo, nas Flores, no Faial, na Graciosa, em S. Miguel e em Santa Maria (Palhinha, 1966).
S. diandra, terófito de 3-30 cm, de caules finos, ascendentes, glabros; estípulas curtas, triangulares; folhas com 8-20 x 0,5-1 mm, lineares, mucronado-aristadas; inflorescência ramosa, muito delgada, pubescente-glandulosa; sépalas com 2-3 mm, igualando as pétalas; estames 2-3; cápsula com 1,5-3 mm, de valvas negro-purpúreas na maturação; registada para o Faial, ocorre em incultos salgadiços (Franco, 1971).
S. azorica, caméfito herbáceo de caules, raramente, com mais de 10 cm de altura, prostrados e densamente glanduloso-pubescentes; folhas com 5-15 x 1,5-2 mm, verde-brilhante com grande densidade de pêlos glandulares; estípulas baças; sépalas e pétalas, brancas, com 3-5 mm; estames 10; cápsula subglobosa, igualando ou excedendo as sépalas (Franco, 1971; Sjögren, 1984; 2001). Endemismo açórico, pertence à comunidade costeira endémica de Festuca petraea (Sjögren, 2001), ocorre em todo o arquipélago, com excepção do Corvo (Palhinha, 1966), em falésias costeiras fortemente expostas, fissuras e mais raramente em depósitos de areia ou pedra; uma das poucas plantas a crescer muito próximo do mar, estando sujeita, frequentemente, à brisa marítima salgada; cresce, geralmente, associada a Asplenium marinum, Euphorbia azorica e Plantago coronopus; deve ser considerada em perigo, uma vez que são poucas as localidades e em cada uma delas apenas existem alguns indivíduos dispersos (Sjögren, 1984; 2001).
S. bocconei, terófito de caules com 5-25 cm, delgados, densamente pubescente-glandulosos na cimeira; folhas com 5-25 x 0,2-1 mm; estípulas triangular-agudas, baças; sépalas com 2-3,5 mm; pétalas de um pouco menores a subigualando as sépalas; estames (0-) 2-5 (-8); cápsula com 2-3,5 mm. Planta ruderal do litoral, ocorre em todas as ilhas do arquipélago (Franco, 1971).
Polycarpon tetraphyllum, terófito, raramente hemicriptófito, de caules com 5-15 cm, delgados, muito ramosos; folhas com 4-15 x 2-7 mm, verdes, na maioria quaternadas; pétalas emarginadas; estames (1-) 3-5 (Franco, 1971). Vulgar em todo o arquipélago, na zona litoral, em sítios arenosos e rochoso (Franco, 1971; Palhinha, 1966).
Illecebrum verticillatum, terófito com 3-30 cm (por vezes só com 1 cm nos sítios muito secos ou até 70 cm nos encharcados), geralmente multicaule, prostrado, delgado, de caule quadrangular e frequentemente radicante na base; folhas com 2-5 x 1-3 mm, linear-espatuladas ou obovadas; estípulas pequenas; cimeiras duas em cada nó, 4-6 floras, formando pequenos pseudo-verticilos, muito brancos e geralmente compactos; bractéolas cerca de 1 mm, prateadas; sépalas com 1,5-2,5 mm (Franco, 1971). Ocorre em sítios temporariamente encharcados, arenosos ou cascalhentos nas Flores, no Faial e na Terceira (Franco, 1971). Luís M. Arruda (2002)
Bibl. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal (Continente & Açores). Lisboa, I. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores, Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Sjögren, E. (1984), Açores, Flores. Horta, Direcção Regional de Turismo. Id. (2001), Plantas e flores dos Açores, S.l., ed. do autor.
