cardo

Nome vulgar, derivado do latim cardus, designação usada por Virgílio, é atribuído nos Açores a duas espécies diferentes.

1 Carduus tenuifloris (Compositae). Dicotiledónea. Erva vulgar nos grupos central e oriental dos Açores, até 700 m. Atinge a altura de 75cm, erecta, simples ou ramosa; caule alado-espinhoso, espinhos das asas do caule e das folhas pouco aproximados, não muito numerosos, bastante desiguais, de 1 a 12mm; folhas alternas, ovado-lanceoladas, penatifendidas ou penatipartidas, esparçamente pubescentes na página superior, teerânias, ou seja, cobertas de indumento de pelos compridos, finos, macios e metidos uns pelos outros como uma teia de aranha, na página inferior; capítulos com o invólucro pouco teerânio ou glabrescente, cilíndricos, sésseis, em fascículos de 3-8 por vezes 12, brácteas involucrais imbricadas de pontas suberectas ou patentes, com 1,5-2 mm de largura, ovado-lanceoladas; flores todas de corola tubulosa, 5-fendidas, geralmente purpúreas; fruto, cipselas com 4-5 mm intumescidas, lisas, papilho com 11-13mm.

2 Galactites tomentosa (Compositae). Dicotiledónea. Gala significa em grego leite, referência certamente às folhas com nervuras brancas na página superior e brancas e tomentosas na página inferior. É uma erva originária da zona mediterrânea, vulgar nos Açores nos grupos central e oriental, até 700m, anual, podendo atingir 1m de altura; folhas alternas, as basilares cedo destruídas, as caulinares penatipartidas, raramente indivisas, sésseis, curtamente decorrentes com espinhos de 1,5 a 8 mm, fortemente espinhosas; capítulos solitários ou reunidos em cimeira corimbosa de invólucro ovóide, brácteas externas e médias contraídas em espinho trigonal comprido, as internas escariosas no cimo, acuminadas e inermes, receptáculo intensamente peludo; flores marginais estéreis, com a corola afunilada, as do disco, menores, tubulosas, bissexuais e férteis, corolas de lilás a brancas; frutos cipselas amareladas com papilho de pelos compridos, plumosos e brancos. Raquel Costa e Silva (2001)

 

Bibl. Coutinho, A. X. P. (1913), A Flora de Portugal. Lisboa : 647, 651. Franco, J. A. (1984), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. II: Clethraceae-Compositae. Lisboa, Sociedade Astória: 445, 453.