carcarrinídeos

Nome dado aos peixes marinhos da família Carcharhinidae. Segundo Branstetter (1984), os peixes que nela se incluem têm cabeça de forma normal, não expandida, lateralmente. Focinho geralmente deprimido, variando de estreitamente agudo a largamente arredondado; narinas sem barbilhos. Boca de forma parabólica; ranhuras labiais geralmente confinadas aos cantos da boca. Dentes em forma de lâmina com uma cúspide, alguns com serrilhado sobre o bordo exterior. Olhos redondos a ligeiramente ovais; membrana nictitante presente, interna. Fendas branquiais 5, de comprimento variável, a terceira mais longa, a quinta mais curta, esta e geralmente a quarta sobre ou atrás da origem da barbatana peitoral. Duas barbatanas dorsais, a primeira com a base anterior à origem da pélvica, a segunda geralmente mais pequena do que a primeira e com origem sobre ou ligeiramente anterior à base da barbatana anal. Barbatana caudal bem desenvolvida, com o lobo inferior bem diferenciado e entalhe sub-terminal presente sobre o lobo superior.

Demersais a epipelágicos, ocorrem desde o litoral até ao mar largo.

Barbatanas, pele, músculo, óleo de fígado e dentes dão-lhes importância comercial em todo o mundo.

Para os Açores estão registadas as espécies Carcharhinus longimanus, por Ferreira (1939), como Carcharias lamia, conhecido por marracho ou tubarão, e Prionace glauca, por Hilgendorf (1888), como Carcharias glaucus, conhecida vulgarmente por tintureira.

Está registada a ocorrência de: (a) Carcharhinus galapagensis, com base na observação, em ocasiões diferentes, de sete exemplares próximo dos ilhéus das Formigas (Brum e Azevedo, 1995); (b) C. leucas, com a captura de uma fêmea adulta em S. Mateus, ilha Terceira, em Março de 1993 (cf. Santos et al., 1997); e (c) Galeocerdo cuvieri, a partir de duas capturas no Faial (uma no Varadouro, outra ao largo da ilha) (cf. Santos et al., 1997). As presenças de Carcharhinus brevipinna, C. limbatus, C. Obscurus e de C. Plumbeus necessitam de confirmação. Luís M. Arruda (2006)

 

Bibl. Branstetter, S. (1984), Carcharhinidae In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, Unesco: 102-114. Brum, J. M. M. e Azevedo, J. M. N. (1995), First record of the Galapagos Shark Charcharinus galapagensis (Snodgrass & Heller, 1905) (Charcharinidae) on the Azores. Boletim do Museu Municipal do Funchal, Suplemento 4: 139-143. Ferreira, E. (1939), Seláceos dos Açores. Açoreana, 2, 2: 79-97. Hilgendorf, F. (1888), Die fische der Azoren. In Simroth, H., Zur Kenntniss der Azorenfauna. Archiv für Naturgeschichte, 1, 3: 179-234. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago (Life and Marine Sciences), Supplement 1