carapuça de orelhas
Tal como a carapuça de rebuço, característica do camponês de S. Miguel, surge como uma originalidade oitocentista do traje açoriano, muito embora possa ter uma origem mais remota.
Mas ao contrário do que sucede com a carapuça de rebuço, de origem micaelense, esta não se encontra praticamente documentada pela iconografia, à excepção do desenho de Maduro Dias para o trabalho de Ribeiro (1939), em que é descrita como um pequeno barrete de pano de lã azul escuro ou preto, forrado de castorina, em forma de pirâmide losangular, posta sobre uma orla da mesma fazenda de dois ou três dedos de largura, com duas saliências (orelhas) de lã vermelha acolchoadas, uma de cada lado sobre a região temporal da cabeça.
O mesmo autor regista-a apenas para a ilha Terceira e para a zona do Topo, na ilha de S. Jorge, onde parece ter tido sobretudo um papel de acessório ou de ornato, dadas as suas características e o modo como era usado. Assim se depreende do texto citado por Afonso (1987), Os Serões Costumes Populares da Ilha Terceira, de 1909, em que se diz: pequena como a palma de uma mão e posta à banda num elegante equilíbrio. Ribeiro refere que, sob esta, os velhos e os doentes podiam usar um lenço, dobrado em ponta e caído sobre as costas, fazendo lembrar o rebuço de outras carapuças.
Registe-se ainda que, e muito embora Ribeiro considere em 1939 que esta peça da indumentária masculina terceirense já desaparecera havia muito tempo, Domingos Rebelo pintou-a em retrato de casal da freguesia da Ribeirinha, cerca de uma década antes. Helena Ormonde (Mai.2001)
Bibl. Afonso, J. (1987), O Traje nos Açores. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Acção Social. Ribeiro, L. (1982), O Trajo Popular Terceirense In Obras. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura / Instituto Histórico da Ilha Terceira, I: 205-214.
