carapau

Nome vulgar dos jovens da espécie de peixe marinho Pagellus bogaraveo (Sparidae). Nos Açores, aos indivíduos desta espécie de tamanho intermédio chamam peixão e aos adultos goraz (cf. Collins, 1954, ICN, 1993 e Santos et al., 1997).

Segundo Bauchot e Hureau (1986), nesta espécie o corpo é oblongo; o perfil superior da cabeça curvado; diâmetro do olho maior do que o focinho; escamas occipitais estendendo-se para a frente para entre a margem posterior e o meio do olho; barbatana dorsal com 12 a 13 espinhos e 11 a 13 raios; barbatana anal com 3 espinhos e 11 a 12 raios; em ambas estas barbatanas o último raio é mais forte do que os outros; cor cinza, mais ou menos avermelhada, com uma grande mancha escura na origem da linha lateral, algumas vezes pequena área sombreada de escuro na axila peitoral, barbatanas cor de rosa, mais ou menos brilhantes, e cavidade bocal laranja-avermelhado. Habitam sobre vários fundos (rochosos, arenosos e lodosos), os jovens próximo da costa, deslocando-se para águas mais profundas, à medida que envelhecem, sendo os adultos encontrados sobre o talude continental, até 700 m de profundidade.

Trata-se de uma espécie que cresce em comprimento lentamente. Segundo Krug (1989), com base na leitura de otólitos, o comprimento à furca atinge cerca de 15 cm no primeiro ano de vida, 20 cm no segundo ano e 24 cm no terceiro ano. O peso observado é de, aproximadamente, 66 gr, 153 gr e 268 gr, para cada uma daquelas classes etárias.

Geralmente hermafroditas protândricos, nos indivíduos vivendo no mar junto aos Açores, a transição sexual tem lugar principalmente em tamanhos entre 28 cm e 34 cm de comprimento à furca; os machos e as fêmeas atingem a maturidade sexual com 27,7 cm e 34,6 cm de comprimento, respectivamente, a que correspondem 5 e 8 anos de idade; reproduzem-se entre Janeiro e Abril, com um máximo de actividade em Fevereiro e Março; a fecundidade estimada varia entre 73 000 e 1 500 000 oócitos por fêmea, entre 29 cm e 41 cm de comprimento (idades 6 e 11 anos, respectivamente) (Krug, 1990).

Ocorrem no Mediterrâneo e no Atlântico, desde a Noruega até ao Cabo Branco, excepcionalmente mais a sul, nas Canárias, na Madeira e nos Açores, para onde foram registados por Drouët (1861). Luís M. Arruda (2001)

 

Bibl. Bauchot e Hureau (1986), Sparidae In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, Unesco: 883-907. Collins, B. L. (1954), Lista dos peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Drouët, H. (1861) Éléments de la faune açoréenne. Mémoires de la Société Académique de l'Aube, 25: 245. Instituto da Conservação da Natureza (1993), Livro vermelho dos vertebrados de Portugal, vol. III: Peixes marinhos e estuarinos. Lisboa, ICN. Krug, H. M. (1989), The Azorean blackspot seabream, Pagellus bogaraveo (Brünnich, 1768) (Teleostei, Sparidae): age and growth. Cybium, 13, 4: 347-355. Id., (1990), The Azorean blackspot seabream, Pagellus bogaraveo (Brünnich, 1768) (Teleostei, Sparidae). Reproductive cycle, hermafrodism, maturity and fecundity. Ibid., 14, 2: 151-159. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago (Life and Marine Sciences), Supplement 1.