caranguejo-preto

Designam-se assim duas espécies de pequenos caranguejos muito comuns, nas praias de calhau rolado dos Açores: Pachygrapsus marmoratus (Fabricius, 1775) e Pachygrapsus maurus (Lucas, 1846). São caranguejos de cor escura e P.maurus apresenta pequenas pintas amarelas. Os exemplares dos Açores são mais escuros do que os do Mediterrâneo (Relini, com. pess.) e de menores dimensões (e. g. Costa, 1994). São muito rápidos e de difícil captura. P. marmoratus, também conhecido por furta-camisas, é citado pela primeira vez para os Açores por Drouët (1861), enquanto que Rathbun (1900) é o primeiro autor que refere P. maurus para a região. Ambas as espécies possuem uma carapaça aproximadamente quadrangular embora a de P. maurus seja um pouco mais trapezoidal. P. maurus apresenta um dente pós-orbital (Rathbun, 1900; Bouvier, 1940; Zariquiey-Alvarez, 1968), e P. marmoratus possui dois. Estes dentes seguem-se ao dente grapsiano característico da família Grapsidae, a que ambas as espécies pertencem, e que se localiza na extremidade interna do bordo orbitário inferior (Vernet-Cornubert, 1958). Os quelípedes ou pinças, são aproximadamente iguais e mais robustos nos machos. Em S. Miguel, P. maurus é mais abundante do que P. marmoratus, que atinge cerca de 32mm, um tamanho superior ao dos maiores indivíduos de P. maurus que não ultrapassam os 23mm (Costa, 1994). Os machos de ambas as espécies são maiores do que as fêmeas (Costa, 1994). As duas espécies ocorrem também na Madeira e Canárias e no Mediterrâneo (Zariquiey-Alvarez, 1968). P. marmoratus estende a sua zona de distribuição ao Golfo da Biscaia e Mar Negro enquanto que P. maurus apresenta um registo para o Rio de Janeiro (Zariquiey-Alvarez, 1968). Os indivíduos mais jovens vivem à beira de água debaixo das pedras enquanto que os maiores se encontram frequentemente nas anfractuosidades das rochas batidas pelo mar (Vernet-Cornubert, 1958; Costa, 1994). A maioria dos caranguejos encontra-se nos níveis inferiores da zona entre marés onde existe cobertura algal das rochas, que lhes serve de alimento. Nos níveis mais superiores P. marmoratus é mais abundante que P. maurus que parece preferir o litoral médio (Paula et al., 1990; 1991; Costa, 1994). A época de reprodução de ambas as espécies inicia-se em Abril e estende-se a Agosto (P. marmoratus) ou Setembro (P. maurus). As fêmeas de P. maurus têm posturas de cerca de 3400 ovos e as de P. marmoratus de 16000 ovos (Costa, 1994). Estes caranguejos são explorados, nos Açores, para serem utilizados sobretudo como isco para a pesca artesanal, mas é frequente serem comercializados em tascas e romarias, fritos, como petisco. Ana Cristina Costa (Fev.2002)

 

Bibl. Bouvier, E. (1940), Décapodes marcheurs. Faune de France, 37. Costa, A. (1994), Brachyura intertidais: estudo das populações de três praias de calhau rolado da Ilha de S.Miguel, Açores. Trabalho de síntese submetido no âmbito das provas de aptidão pedagógica e capacidade científica. Universidade dos Açores. 92pp. Drouët, H. (1861), Éléments de la faune açoreène. Extrait des mémoires de la Société des Sciences, Arts et Belles Lettres du department d ‘Aube, XXV. Paula, J., Cartaxana, A. e Queiroga, H. (1990), Decapod crustaceans collected by “Expedição Açores 89” Ecologia e Taxonomia do litoral Marinho. “Expedição Açores 89” Ecologia e Taxonomia do litoral Marinho. Relatório preliminar, 1:72-91. Id. (1992) Decapod crustaceans collected by “Expedição Açores 89”. Arquipélago (Life and Marine Sciences), 10: 67-74. Rathbun, M. (1900), The decapod crustaceans of West Africa. Proceedings of United States National Museum, 22 (1199): 271-316. Vernet-Cornubert, G. (1958), Recherches sur la sexualité du crabe Pachygrapsus marmoratus (Fabricius). Thèse présenté a la faculté des Sciences de l’université de Nancy pour obtenir le grade de docteur en Sciences Naturelles. Archives de zoologie Expérimental et Générale, Paris, 96 (3): 104-168. Zariquiey-Alvarez, R. (1968) Crustáceos Decápodos Ibéricos. Investigación Pesquera, 32.