caproídeos

Nome dado aos peixes marinhos da família Caproidae. Segundo Quéro (1986), os peixes que nela se incluem têm o corpo alto, por vezes quase romboidal, fortemente comprimido; a cabeça moderada, com uma crista occipital desenvolvida, olhos relativamente grandes, boca pequena e protráctil, formando um tubo pequeno no indivíduos do género Capros; barbatana dorsal com raios espinhosos longos e anal com 3 espinhos e 22 a 34 raios moles.

Os adultos ocorrem junto ao fundo, geralmente, entre 40 m e 600 m de profundidade e os jovens a meia água, formando cardumes. Os crustáceos são o seu alimento principal. Não têm interesse comercial.

Para os Açores estão registadas as espécies Antigonia capros, por Roule (1919) a partir de um indivíduo com 160 mm de comprimento, capturado a sudeste da ilha das Flores, a 1360 m de profundidade, e Capros aper por Hilgendorf (1888), segundo exemplar existente no então denominado Museu de Ponta Delgada, actual Museu Carlos Machado, conhecido por peixe-pau (Collins, 1954; Santos et al. 1997) ou pimpim (Santos et al., 1997).

Os indivíduos da espécie A. capros têm o corpo muito alto, quase romboidal, fortemente comprimido; o perfil da cabeça côncavo sobre os olhos mas convexo para trás; os olhos de diâmetro maior do que o focinho; a barbatana dorsal com 7 a 8 espinhos e 32 a 36 raios; e a barbatana anal com 3 espinhos e 31 a 34 raios. Os da espécie C. aper têm o corpo claramente alto e comprimido; o perfil da cabeça concavo sobre os olhos; o focinho de comprimento idêntico ao diâmetro dos olhos ou maior; a barbatana dorsal com 9 a 10 espinhos e 23 a 25 raios; e a barbatana anal com 3 espinhos e 22 a 24 raios.

Arruda et al. (1992) referem a captura de exemplares desta última espécie em poças da zona das marés, nas Formigas; Nash et al. (1994), através de arrastos de rede, na praia arenosa de Porto Pim, ilha do Faial; e Azevedo (1997) cardumes até 20 m, à entrada do porto de Ponta Delgada.

A distribuição geográfica destas espécies é mal conhecida. A. capros ocorre desde os Açores e Madeira até ao estuário do rio Congo e, provavelmente, nos oceanos Índico e Pacífico. C. aper ocorre no oceano Atlântico, desde a Noruega até ao Senegal, e no mar Mediterrâneo. Luís M. Arruda (2001)

 

Bibl. Arruda, L. M., Azevedo, J. N., Heemstra, P. C. e Neto, A. I. (1992), Checklist of the fishes collected on the "Santa Maria and Formigas 1990: Scientific Expediction". Arquivos do Museu Bocage (Nova Série), 2, 12: 263-273. Azevedo, J. M. N. (1997), Estrutura de uma comunidade ictiológica do litoral da ilha de São Miguel (Açores): caracterização e variações espaço-temporais. Dissertação de doutoramento, Ponta Delgada, Universidade dos Açores. Hilgendorf, F. M. (1888), Die Fische der Azoren In Simroth, H. (ed.), Zur Kenntniss der Azorenfauna. Archiv für Naturgeschichte, 1, 3: 179-234. Nash, R. D. M., Santos, R. S. e Hawkins, S. J. (1994), Diel fluctuations of a sandy fish assemblage at Porto Pim, Faial Island, Azores. Arquipélago (Life and Marine Sciences), 12A: 75-86. Quéro, J.-C. (1986), Caproidae In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 777-779. Roule, L. (1919), Poissons provenant des campagnes du yacht Princesse-Alice (1891-1913) et du yacht Hirondelle II (1914). Résultats des campagnes scientifiques accomplies sur son yacht par Albert I, Prince souverain de Monaco, 52. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago (Life and Marine Sciences), Supplement 1.