Canto, Miguel do (fr.)
[N. Angra, fins do séc. XVII m. Lisboa?, meados do séc. XVIII] Escritor e Lente de Teologia. Foram seus pais Luís do Canto da Costa, fidalgo, e Antónia de Melo da Silva, de igual linhagem. Atraído pela vida religiosa, abandonou a terra e, em Lisboa, ingressou na Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, professando no Convento de Nossa Senhora da Graça a 5.11.1701. Feitos os estudos, leccionou ciências escolásticas nos conventos da sua congregação. Foi prior do Convento da Graça em Ponta Delgada, eleito no Capítulo de 20.6.1712, posteriormente ascendendo ao lugar de secretário da Província (14.4.1731) e de provincial (1737). Ocultou-se sob o pseudónimo de Diego (ou Diogo) Calmet Onufri na polémica contra os sigilistas, cujas práticas abalaram e dividiram em opinião a Igreja portuguesa da primeira metade de Setecentos. O seu Vexame Theologico-Moral surgiu na sequência da condenação proferida, a 6.5.1745, contra a prática dos sigilistas pelo cardeal Nuno da Cunha, inquisidor-geral. Nessa obra, M. do Canto reage com fervor apologético: defende a sã doutrina do Sacramento da Penitência e a integridade moral que deve envolver a relação sigilosa do sacerdote com o penitente. Veio, nessa sequência, a comentar os três breves de Bento XIV, condenatórios daquela prática, surgidos entre 1745 e 1749. Publicou ou deixou em manuscrito outros seis títulos, que vêm referenciados em Machado (1751). Manuel Cândido Pimentel (Mar.2002)
Obras Manuscritas (ou de que há exemplares, presumidos, impressos): Tratado sobre a isenção dos Mantellatos da Ordem Augustiniana. Tratado sobre o culto do Veneravel S. Gonçalo do Lago, Erimita de S. Agostinho. Notas aos tres Breves de Benedicto XIV. acerca dos Sigillistas. Tratado Juridico, em que se prova a nullidade de certo Capitulo intermedio da Ordem dos Erimitas de Santo Agostinho do anno de 1745. Tratado sobre a legalidade das Jubilaçoens de alguns Lentes, que se pertenderão cassar. Resposta á resposta, que deu hum critico a este Tratado. Impressas: (1746), Vexame Theologico-Moral da escandaloza praxe, que no Santo Sacramento de Penitencia uzávão alguns Confessores, de perguntarem aos penitentes os nomes, e habitação dos seus complices, Madrid. Imprenta de la Viuva de Francisco del Hierro.
Bibl. Dias, U. M. (1931), Literatos dos Açores: História. Vila Franca do Campo, Emp. Tip. Lda.: 508-509. Machado, D. B. (1751), Bibliotheca Lusitana: Historica, Critica, e Cronologica: Na qual se comprehende a noticia dos Authores Portuguezes, e das Obras, que compuserão desde o tempo da promulgação da Ley da Graça até o tempo prezente. Lisboa, Antonio Isidoro da Fonseca, III: 469-470. Pereira, J. A. (1939), Padres Açoreanos: Bispos, Publicistas, Religiosos. Angra do Heroísmo, União Gráfica Angrense: 29.
